- Em princípio esse documentário não nos interessa, porque seus protagonistas não são navegantes de barco à vela e sim marujos embarcados em
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Meu reino por um oceano - news do mês de fevereiro de 2016
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Trezentos franceses morrem na MAR todo ano - UTLS - post reciclado
Salve amigo visitante!
Acabo de assistir mais uma palestra na formidável UTLS - UNIVERSITÉ DE TOUS LES SAVOIRS, (Universidade de Todos os Saberes), que constitui uma brilhante iniciativa do ministério da educação francês com a finalidade de divulgar conhecimentos atualizados no campo de interesse das ciências aplicadas, sociais, naturais, exatas e formais, sem esquecer as artes, a religião, a filosofia, a mitologia, os esportes e os jogos. Desta feita escolhi o tema...
SALVAGUARDA DA VIDA NA MAR
Conferencistas : Yves LAGANE e Bertrand CAILLET.
As palestras promovidas pela UTLS estão todas disponíveis on line e podem ser baixadas gratuitamente aqui. Selecionei 13 (treze) extratos que hora partilho com vocês. Espero que gostem.
* Na França o salvamento na MAR é feito por milhares de voluntários que arriscam heroicamente sua única vida, na tentativa de salvar a vida de um desconhecido.
* Durante o verão o efetivo de salva-vidas é reforçado por jovens nadadores voluntários e não remunerados.
* Ao longo da costa francesa 300 pessoas perdem a vida em média por ano.
* Morrem na MAR em proporções semelhantes marujos iniciantes e experientes.
* Citação do filme The Guardian (Anjos da Vida - Mais Bravos que o Mar) (2006) do qual eu confesso que não gostei nem um pouco, e já comentei aqui neste blog.
* Antecipação, que é diferente de previsão, é fundamental para o sucesso da operação de salvamento.
* "A MAR é um espaço de rigor e de liberdade, mas aquele que esquece o rigor perde a liberdade." (atribuido a Victor Hugo)
* É importante, para alimentar a paixão do voluntário, o reconhecimento e valorização.
* É fundamental cultivar a solidariedade entre os componentes do grupo de voluntários.
* É importante promover o crescimento do ser humano no seio da associação de voluntários.
* Sorte é uma composição entre paixão e razão.
* "Salvar e voltar pra casa." é o lema dos guardas marítimos franceses.
* Todo ser humano vive persuadido de sua imortalidade.
EM FRANCÊS
EM FRANCÊS
La sauvegarde de la vie en mer : aujourd'hui et dans l'avenir - Yves LAGANE
La planète bleue est un univers merveilleux et passionnant lorsqu'on le pratique avec humilité et que l'on fait l'effort de l'apprendre. Ce milieu reste néanmoins délicat, voire hostile et dangereux pour l'homme, nous en avons des exemples tous les jours. On pense bien sûr à quelques noms qui ont fait la une dans le passé ou plus récemment comme « TITANIC », « ESTONIA », « AMOCO CADIZ », « ERIKA » ou « PRESTIGE ». Les premiers rappellent des naufrages dramatiques qui ont entraîné un grand nombre de décès. Les derniers sont de gigantesques accidents de mer qui ont provoqué des pollutions majeures sur nos côtes sans... link-do-texto
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Polvo à moda dos Açores - culinária MARítima 3
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domingo, 17 de outubro de 2010
- Coisa pra marujo cascudo! - Partiram! - 16 h - Velux 5 Oceans
Salve amigas e amigos visitantes!
Velejadores solitários ou não, velejadores de barcos de madeira ou de plástico, velejadores High ou LowTech, velejadores regatistas ou cruzeiristas, velejadores que só pensam em ultrapassar o barco da frente durante mais uma regata, velejadores que, como eu, gostam mais de velejar por velejar, admirando a divina MAR, com pressa de partir e sem pressa nenhuma de voltar, velejadores de MAR e de lagoas, de rios e de represas e até lancheiros. Não, não, tudo menos isso, lancheiros não. Só serei amigo dos lancheiros durante meu próximo e fatal naufrágio, quando um deles vier me socorrer.
- Mas qual foi a última vez que você viu um lancheiro socorrer a tripulãção de um veleiro sinistrado? Se eu tiver de esperar a salvação pelas mãos "pilatianas" de um lancheiro estou... f... de ferrado! Ferrado e sugado pela eterna gravidade pro fundo silencioso e frio da MAR.
Mas deixemos de conversa fiada, como costuma dizer minha avó Balbina que mais uma edição da planetária e oceânica VELUX 5 OCEANS vai começar...
- Falemos da regata! Falemos da VELUX 5 OCEANS amigas e amigos!
10 h - 6 horas para o início da regata - A cidade da regata acaba de abrir suas portas aos milhares de visitantes. Não, não pretendo narrar a Velux dia após dia como fiz com a última Vendée Globe. Pretendo dar-lhes quando muito uma notícia mensal dessa regata que durará 9 meses. Nove meses de aventura!!! Um velejador que copulando embar... perdão, engravidasse sua companheira, poucos minutos antes do início da regata poderia, (se conseguisse escapar ileso das garras longas e afiadas de Netuna), chegaria no exato momento do parto. Fico pensando... tentando imaginar as novas emoções que esses afortunados marujos viverão durante os próximos 3 trimestres. A maioria fortes. A maioria raras e inesquecíveis. Morrendo de inveja deles. Mas não será por isso que só falarei deles apenas uma vez por mês. Farei isso porque, pra usar uma palavra da moda. Odeio modas! Mas farei isso porque meu atual foco não está em regatas e sim no indizível prazer de velejar por velejar e acima de tudo, na adoração da obra-prima da divindade, a imensa, a grandiosa, a fabulosa MAR.
11 h - 5 horas para o início da regata - A festa continua animada... Surpresa, o grupo Batala, de Salvador, Bahia, Brasil é uma das principais atrações da festa. Brasileiro ainda não descobriu a vela, mas com certeza já descobriu o tambor faz tempo. Imaginem o que os brasileiros não farão com o barco à vela, quando aprenderem a gostar dele, tanto quanto de uma boa batucada.
12 h - 4 horas para o início da regata - A festa continua a comer solta. Toma-lhe vinho do bom, toma-lhe champagne do ótimo, toma-lhe todo tipo de comes e bebes preparados com arte, mas às 12 h 30 os cinco, apenas cinco cascudos marujos reunir-se-ão no Pavilhão Velux para a cerimônia de partida. Penso na minha, na sua, na nossa musa Isabel que não estará lá. Com certeza por falta de patrocínio. Se em vez de velejadora ela fosse jogadora de futebol, com certeza teria sido disputada por dezenas de patrocinadores sedentos de money. Money makes the world go around. The world go around. The world go around. Money makes the world go around.
13 h - 3 horas para o início da regata. - A festa continua rolando... Curiosidade: Estamos na França, mas nenhum velejador francês participará da regata. - Porque será?
14 h - 2 horas para o início da regata - Os 5 marujos acabaram de embarcar em seus bólidos alados e dirigem-se para a zona reservada à espera do início da prova. Mas a festa não acabou, a festa prosseguirá dentro d'água onde os passageiros e tripulantes de duas centenas de barcos bebem à saúde dos velejadores. E haja saúde pra enfrentar tamanho desafio. Uma volta completa ao planeta Terra passando pelos três famigerados cabos Boa Esperança, Leewin e Horn.
16h - Partiram!
Selecionei 5 extratos das últimas notícias pescadas no site oficial da regata pra comentar com vocês. Original em francês e inglês e comentários em brasileiro. Tá bom pra vocês? Sim? Vamos lá então!
1 - À côté des Eco 60, Tara Tari et son jeune skipper Corentin de Chatelperron font un peu figure d'extraterrestres dans le Bassin des Chalutiers de La Rochelle. On les croirait venus d'un autre monde et d'un autre temps. Le voilier de 9 mètres de long et à peine 2m de large construit principalement à partir de matériaux recyclés est arrivé en France en août dernier après un périple de 6 mois au départ du Bangladesh.
1 - WHEN Sir Robin Knox-Johnston sailed back into Falmouth on his 32ft ketch Suhaili in 1969 as the first person ever to sail solo around the world non-stop, he had never even met his main rival Bernard Moitissier let alone seen his yacht Joshua. Frenchman Moitissier set off from Plymouth in the UK in August 1968, more than two months after Sir Robin and, in his longer and faster yacht Joshua, chased Suhaili around the globe. By the time Sir Robin rounded Cape Horn some six months later, Joshua was just 20 days behind. The rest is history: Sir Robin sailed into the record books as the first ever solo non-stop circumnavigator and the free-spirited Moitissier sailed on to Tahiti, anxious to avoid the fame that awaited him on his return to the UK.
1 - Estas duas notícias são as minhas prediletas até o momento. Ah, não, tem mais uma que fico devendo a vocês, o povo de La Rochelle ajudando Christophe Bullens a consertar o mastro do seu veleiro no apagar das luzes. Rolou não. Mas parece que ele recebeu sinal verde da direção da prova pra participar com outro veleiro recém-comprado. A confirmar, que li essa notícia muito rapidamente. Esqueci os detalhes. Me descupem.
1 - Estas duas notícias são as minhas prediletas até o momento. Ah, não, tem mais uma que fico devendo a vocês, o povo de La Rochelle ajudando Christophe Bullens a consertar o mastro do seu veleiro no apagar das luzes. Rolou não. Mas parece que ele recebeu sinal verde da direção da prova pra participar com outro veleiro recém-comprado. A confirmar, que li essa notícia muito rapidamente. Esqueci os detalhes. Me descupem.
2 - Les fans de voile peuvent désormais participer au Défi Absolu en Solitaire sans mouiller leur ciré grâce au jeu Virtual Regatta VELUX 5 OCEANS. L'enjeu : 10 000 euros de prix à partager entre les vainqueurs !
2 - SAILING fans and armchair experts can now compete in their own Ultimate Solo Challenge from the comfort of their own homes with the VELUX 5 OCEANS Virtual Regatta game. What's more, there's €10,000 of prize money up for grabs for the best virtual ocean racers over the course of the 30,000-mile solo yacht race.
2 - Curioso pra saber como funciona essa regata virtual... Não, não quero participar não. Só saber como funciona. Jogos eletrônicos já joguei dezenas, mas nunca competindo com outras pessoas. Algum de vocês vai competir?
3 - Pour gagner la VELUX 5 OCEANS, les concurrents devront cumuler le maximum de points sur les cinq sprints qui composent le Défi Absolu en Solitaire. Grâce au sponsor de la course, VELUX, les skippers de la VELUX 5 OCEANS se partageront au total la somme exceptionnelle de 500 000 euros, l'une des plus grande récompense de l'histoire de la course au large.
3 - The winner of the VELUX 5 OCEANS will be the ocean racer who scores the most points over the course of the five gruelling ocean sprints which make up The Ultimate Solo Challenge. The VELUX 5 OCEANS skippers will be racing for their share of a massive €500,000 prize pot, one of the largest prize funds in the history of yacht racing thanks to title sponsor the VELUX Group.
3 - Queria ser amigo do marujo que vencerá esta edição da Vendée Globe, só pra pedir a ele que patrocinasse meu humilde projeto "Estrela d'Alva", com um décimo do valor do prêmio. Faria o seguinte com a contribuição? Tudo já pensado. Encomendaria a mestre CRC uma nova canoa à vela, sim, sim, de madeira e compensado naval, um pouco maior que a Estrela, pra realizar meu sonho de adolescente, velejar a costa do Brasil de Cabo Frio ao Oiapoque, Oiapoque ao Chuí, Chuí a Cabo Frio. Logo depois poderia morrer feliz. Antes não.
4 - Après le départ de la course, le site Internet de la VELUX 5 OCEANS proposera une cartographie permettant de suivre les bateaux, ainsi que les carnets de bord des marins, les photos, les vidéos et les actualités de la course. Un pointage de la flotte sera mis en ligne quatre fois par jour, toutes les six heures, à 6h00, 12h00, 18h00 et 24h00.
4 - It was the start of an epic voyage for the ocean racers, during which they will sail their 60ft Eco 60 yachts across five oceans through some of the best - and worst - conditions known to man. Thousands of people flocked to the VELUX 5 OCEANS race village in La Rochelle, France, to watch the brave men depart on their adventure.
4 - Não sei se o amigo leitor notou mas o texto em francês diz uma coisa e o texto em inglês diz outra completamente diferente. Eu digo que não posso de forma alguma me envolver emocionalmente com essa regata. Tenho um outro jogo mais interessante, perigoso e divertido a jogar. - Adivinhem qual? - Ragevan! - Já ouviram falar do Ragevan? Eu mesmo inventei. Fácil não. Coisa pra marujo cascudo!
5 - Les cinq skippers de la VELUX 5 OCEANS ont franchi la ligne de départ ce dimanche 17 octobre 2010 à 16h00 dans des conditions exceptionnelles. Malgré le froid hivernal, le coup d'envoi du Défi Absolu en Solitaire fut marqué par une météo idéale : vent de nord-nord-est compris entre 13 et 16 noeuds, grand soleil, et visibilité parfaite.
5 - AND they're off! With the sun shining brightly and a fresh breeze blowing, the five international skippers in the VELUX 5 OCEANS blasted across the start line beginning a 30,000-mile adventure around the globe.
5 - É numa hora dessas que minha angústia fáustica chega ao máximo amigos! Adoraria entrar simultaneamente na pele desses cinco marujos e sentir todas as emoções que les sentirão durante os próximos 9 meses. Ia virar uma bomba atômica emotiva. Loucura!
site oficial da regata
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Mais vela! Mais Vela! - Vendée Globe - 3º dia - 11/11/2008
A MAR amigos... Querem saber o que a divina MAR é? Uma grande mestra de humildade. Vejam bem que tremenda lição. Dois, entre trinta marujos experientes, partiram ambos confiantes de Sables d'Olonne no domingo. Ovacionados por uma entusiástica multidão, receberam aplausos, beijos, abraços e apertos de mão.
- Não esqueça de abrir o presentinho de Natal que escondi pra vc...
- Onde linda?
- Em algum lugar dentro do seu bólido alado.
- Obrigado por tudo amor. Adeus crianças!
- Adeus e boa sorte!
Partiram todos dois com a pretensão de dar uma volta ao planeta Terra em solitário, sem escalas, sem assistência e passando pelos temíveis cabos Boa Esperança, Leewin e Horn. Isso depois de sonhar, planejar, correr atrás de patrocinio e treinar duro durante quatro anos. Na primeira esquina a temperamental MAR, pimba! Deu com o caríssimo mastro em fibra de carbono dos dois na água. Sabem de quem estou falando, não?
Partiram todos dois com a pretensão de dar uma volta ao planeta Terra em solitário, sem escalas, sem assistência e passando pelos temíveis cabos Boa Esperança, Leewin e Horn. Isso depois de sonhar, planejar, correr atrás de patrocinio e treinar duro durante quatro anos. Na primeira esquina a temperamental MAR, pimba! Deu com o caríssimo mastro em fibra de carbono dos dois na água. Sabem de quem estou falando, não?
Yannick Bestaven ( "Aquarelle.com" )
Kiko de Pavant ( "Groupe Bel" )
Au revoir Vendée Globe pra todos dois!
Pena...
Mas a melhor estória que conheço de quebra de mastros é a da mulher do Slocum pedindo pra ele, o que nenhuma mulher jamais pediu pra um homem.
- Mais Vela! Mais Vela! Mais Vela!
- Mulher essa canoa já está envergando toda a vela que ela pode suportar.
- Eu quero mais vela! Anda! Mais vela!
- Você tá pedindo eu vou içar!
- Pimba! Pimba! E dois dos três mastros da "Liberdade" se quebraram.
- Eu avisei!
Fernando "Estrela d'Alva" Costa
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Didd do "Abadenn" - velejador solitário e blogueiro
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Navegando na net, amigos, não me perguntem onde, que nem sei mais onde exatamente, encontrei o blog do francês Didd, que acabou de realizar uma aventura que me seduz: partir do continente e circunavegar uma ilha. O que eu acho incrível é que nenhuma pessoa, dentre as que cruzaram meu caminho aleatório até o presente, demonstrou possuir a "paixão das ilhas", que em mim virou febre, idéia fixa, obsessão. Quando eu digo que circunaveguei todas as ilhas que se estendem ao longo da costa, entre Arraial do Cabo e Búzios, meus ouvintes simplesmente me olham indiferentes e nada comentam. Alguns bocejam, o que pra mim é intolerável. Mas o cascudo marujo bretão Didd é uma excessão a esta regra. Didd ama a divina MAR, adora as charmosas ilhas e acaba de realizar (16 e 17 de setembro ) uma expedição em volta de um dos arquipélagos mais famosos do mundo. Famoso pelos perigos que oferece. Ventos fortes, correntes violentas e MAR quase sempre irada. Feia a coisa alí. Curioso pra conhecê-lo, amigo leitor? Curioso pra conhecer um dos mais cascudos arquipélagos do Planeta? Procure as "ìles de Glénan" na costa oeste da França. Navegue rumo a W. Passe pela ilha dos Carneiros. Vá além da ponta Penmarch. Veleje até a ilha de Sein. Ultrapassado o través da ilha de Sein? Sim? Tem certeza? Cuidado que ela engana. Se tem certeza que ultrapassou o través da ilha de Sein, assuma o rumo norte. Norte puro. 000, ligado? Isso, leme a meio, vai nessa e em breve você chegará a Conquet, em pleno coração da Bretanha, ponto de partida da pequena-grande viagem do corajoso Didd, que de Conquet foi a Ouessant, passando por Molène, portal de entrada do canal da Mancha.
Navegando na net, amigos, não me perguntem onde, que nem sei mais onde exatamente, encontrei o blog do francês Didd, que acabou de realizar uma aventura que me seduz: partir do continente e circunavegar uma ilha. O que eu acho incrível é que nenhuma pessoa, dentre as que cruzaram meu caminho aleatório até o presente, demonstrou possuir a "paixão das ilhas", que em mim virou febre, idéia fixa, obsessão. Quando eu digo que circunaveguei todas as ilhas que se estendem ao longo da costa, entre Arraial do Cabo e Búzios, meus ouvintes simplesmente me olham indiferentes e nada comentam. Alguns bocejam, o que pra mim é intolerável. Mas o cascudo marujo bretão Didd é uma excessão a esta regra. Didd ama a divina MAR, adora as charmosas ilhas e acaba de realizar (16 e 17 de setembro ) uma expedição em volta de um dos arquipélagos mais famosos do mundo. Famoso pelos perigos que oferece. Ventos fortes, correntes violentas e MAR quase sempre irada. Feia a coisa alí. Curioso pra conhecê-lo, amigo leitor? Curioso pra conhecer um dos mais cascudos arquipélagos do Planeta? Procure as "ìles de Glénan" na costa oeste da França. Navegue rumo a W. Passe pela ilha dos Carneiros. Vá além da ponta Penmarch. Veleje até a ilha de Sein. Ultrapassado o través da ilha de Sein? Sim? Tem certeza? Cuidado que ela engana. Se tem certeza que ultrapassou o través da ilha de Sein, assuma o rumo norte. Norte puro. 000, ligado? Isso, leme a meio, vai nessa e em breve você chegará a Conquet, em pleno coração da Bretanha, ponto de partida da pequena-grande viagem do corajoso Didd, que de Conquet foi a Ouessant, passando por Molène, portal de entrada do canal da Mancha.
Ler sobre a aventura marítima do Didd, amigos, trouxe-me à memória uma penca de boas lembranças:
Meu amigo Antoine Duguet, marujo bretão como o Didd.
Les Glénans, que me ensinou a perseguir a segurança aliada à elegância ao navegar.
Alfred Johnson e Howard Blackburn, que constam da minha lista dos maiores velejadores solitários de todos os tempos e lugares.
Gilliatt, meu verdadeiro herói, marujo-super-homem do canal da Mancha, do qual a ilha d'Ouessant é portal de entrada.
E pra terminar em grande estilo, os carismáticos gêmeos Berque.
Bons ventos Didd, pra você e pro seu intrépido "Abadenn"
A lamentar na sua aventura, mestre Didd, só o fato da Gaëlle ter-lhe "dado bolo". Normal... Esquenta não. Mulher é assim mesmo. Na hora do "vamos ver", corre da raia. Aqui no Brasil elas nem querem ouvir falar de barco a remo ou à vela. Só gostam mesmo de automóveis, motos e na MAR, das insuportáveis lanchas. Culpa das novelas televisivas que operaram uma verdadeira lavagem cerebral nos brasileiros, ao longo dos últimos 50 anos. Coisa horrorosa, valorizar um invento, o motor, com o perdão da palavra motor, que está destruindo os dois patrimônios mais valiosos do planeta Terra, a água e o ar atmosférico.
Ei, só agora me dei conta que o Steve da "Spartina" e o Didd do "Abadenn" vivem praticamente sobre a mesma latitude, com o oceano Atlântico entre eles... No tempo da "Pangaea" eles seriam vizinhos.
Ei, só agora me dei conta que o Steve da "Spartina" e o Didd do "Abadenn" vivem praticamente sobre a mesma latitude, com o oceano Atlântico entre eles... No tempo da "Pangaea" eles seriam vizinhos.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Velas ao vento - diário da Estrela - newsletter nº 17/2008
foto: Henrique Souza
Minha última expedição, que deveria ter sido pra Búzios, amigos, resumiu-se ao Peró, pra ser exato à minúscula prainha da península do Vigia, onde passei seis dias esperando o vento amainar...
O vento de NE soprou tão forte no período de 11 a 21 de agosto que fui obrigado a tirar a “Estrela d’Alva” d’água, após passar uma noite infernal, de 14 para 15 de agosto, com meus colchonete e saco de dormir encharcados, sem poder repousar um só instante, fundeado diante da extremidade sul da praia do Peró.
No dia 15 de agosto, por volta de meio-dia, surgiram duas linhas de arrebentação no local em que eu tinha jogado a âncora e onde já havia pernoitado, várias vezes, tranqüilo, no passado. Mas naquele dia o vento ultrapassou, suponho, a casa dos trinta nós, nas freqüentes rajadas e as ondas começaram a crescer e açoitar o casco da canoa vindas ora de NE, ora de NW. Fiz um balanço da situação e cheguei à conclusão que tinha as seguintes opções, pra sair daquele impasse:
1 - Tentar chegar à praia do Peró, atravessando a arrebentação.
2 - Içar a vela e tentar voltar para Cabo Frio.
3 - Tentar chegar remando à minúscula prainha da península do Vigia.
4 - Pedir reboque à Guarda Marítima de Cabo Frio.
5 - Abandonar a “Estrela d’Alva” à própria sorte e voltar nadando pra terra em cima da prancha de surf.
Com aquele estado de MAR e contra a força daquele vento todas essas manobras seriam arriscadas.
Em qual das quatro opções o amigo velejador apostaria todas suas fichas?
Optei pela terceira hipótese e obtive êxito, ou seja, não permiti que a MAR irada jogasse a “Estrela d’Alva”, comigo em cima, contra as muitas pedras que ladeiam a tal prainha. A tal prainha, não mede mais que vinte passos e encontra-se no final de um corredor de pedra de três metros de largura.
Passei seis dias acampado naquela tranqüila prainha, pensando, lendo, escrevendo e eventualmente conversando com os raros visitantes que apareceram por lá.
Dentre eles, uma agradável surpresa, duas jovens e simpáticas francesas, Astrid e Solenne, que me abordaram nestes termos:
- Muito bonito o seu barquinho! Bravo!
- Conversamos uma meia hora sobre a divina MAR, a incomparável Paris e meu filósofo predileto, que é francês e contemporâneo do achamento do Brasil. Dei esta única dica e ambas gritaram o nome dele em coro:
- Montaigne!
Foi minha vez de dizer Bravo! e dar um beijo em cada uma a título de prêmio. Desde quando beijo de um humilde canoeiro pode ser considerado prêmio?!
Mas brasileiro se aproveita de qualquer desculpa, pra tirar uma casquinha das gringas, não é verdade?
- Perguntei a elas se admitiam que o povo brasileiro considerasse o MAR masculino. Elas riram muito e uma delas disse.
- « Excusez-moi, mais vous êtes tous fous. »
Pra meu desgosto as lindas francesinhas se foram e eu esperei pacientemente que o vento se acalmasse durante seis dias. E o vento se acalmou um pouco no sétimo dia, mas não o suficiente para que o canal dos Papagaios pudesse ser atravessado com segurança. Resultado: mais um perrengue.
Sobrevivemos sem grandes problemas, eu a “Estrela d’Alva”, mais um novo candidato a proeiro, o Júnior do Peró. Futuramente voltarei a este assunto e agradecerei nominalmente àqueles que nos ajudaram. Meus detratores alardearam que a “Estrela d’Alva” naufragou. Eu digo que a “Estrela d’Alva” deu uma suave virada, apenas a segunda, da sua breve vida de seis anos. E você, amigo velejador, pode escolher entre acreditar em mim ou nos meus detratores.
- Moral da estória, a grande qualidade do marujo é a paciência e não o arrojo. Quem esperou seis dias, pode esperar mais seis, mais trinta e seis se necessário for. Pensam que estou arrependido? Nada, só pensar no belo eclipse da lua, que assisti do alto da península do Vigia, me faz esquecer imediatamente os pequenos tormentos, digamos assim, à que Netuna e seu inseparável companheiro Éolo me submeteram. Coisa que eu encaro mais como lição do que como punição. Quanto aos meus detratores, só desejo, para o bem deles e meu, que eles velejem mais, muito mais. Já perceberam que quanto mais se veleja, mais feliz a gente fica e menos tempo nos sobra pra falar mal da vida alheia? Aposto com vocês que o Aleixo, o André, o Amyr, o Robert, o Torben, o Lars e a Isabel não falam mal da vida de ninguém. E mesmo que o desejassem, o que considero pouco provável, não teriam tempo. Aposto também, que cada um deles já virou com um veleiro pelo menos umas trinta vezes. Prezados detratores, virar com uma barco à vela de pequeno porte, em dia de um vento forte é coisa absolutamente normal. E dizer que naufragou, quem apenas virou não é nada elegante! Vai uma sugestão? Velas ao vento! Com licença!
Extrato da newsletter n° 17 de 4 de setembro de 2008 – projeto “Estrela d’Alva”.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
O valor de um pregador - dica nº 9 da Bíblia da Vela
Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", de a "Bíblia da Vela". Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.
O VALOR DE UM PREGADOR
O VALOR DE UM PREGADOR
“Ninguém sabe quem foi o genial inventor do pregador de roupas, mas os marujos do mundo inteiro deveriam erigir um monumento à sua glória, sobre um cabo qualquer da Bretanha.”
Meu comentário: Curioso, depois que li esta observação aqui, tentei utilizar mais frquentemente o pregador de roupas a bordo da Estrela, sem conseguir. O ítem que mais uso atualmente é um elástico fino (dois milímetros de diâmetro) e colorido, que me resolve mil e um problemas. E vocês, qual a "ferramenta" ou "matéria prima" que faz mais sucesso a bordo do veleiro de vocês?
TEXTO ORIGINAL EM FRANCES
“On ne sait pas qui est le génial inventeur de la pince à linge, mais les marins devraient lui élever un monument de gloire, face à la mer, quelque part sur une pointe de Bretagne!”
E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida. Qualquer dica, por mais banal que seja, pode salvar-lhe a vida, numa situação de emergência, a bordo de um veleiro. Não se esqueça de acender uma vela pela paz da minha alma e da "Estrela d'Alva" idem. Porque essa cara de espanto? Estranhou meu pedido? Só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
"Volta ao mundo em solitário" de Aleixo Belov - newsletter nº 15/2008
- Gosta de citações e máximas? Mais do que eu? Não acredito! Bem, aqui vão, para o seu deleite, 25 (vinte e cinco) extratos prediletos do livro em que Aleixo Belov , conta sua viagem de circunavegação do planeta Terra em 1980/81, alguns deles comentados livremente por mim.
1 - O vento urrava lá fora e o MAR estava virado no cão
2 – Sozinho no MAR, posso sentir tudo, menos solidão.
Ocorre algo semelhante comigo. Velejar sozinho na MAR, equivale a andar em companhia de todas as pessoas que você mais ama. Elas embarcam todas nos seus pensamentos, sonhos e fantasias, quer você queira quer não.
3 – Os dias vão passando e eu envolto em sonhos.
4 – Que beleza é dormir.
E o melhor sono deste mundo, se dorme na cama simples e estreita de um veleiro ancorado numa enseada tranqüila.
5 – Aqui o amor é livre.
Quando o Aleixo Belov deu sua primeira volta ao mundo em solitário o amor ainda era livre. Sorte dele... Saiu colecionando namoradas por todos os lugares por onde passou. Um amor em cada porto, especialidade de marujo. Logo depois surgiu o fantasma da maldita AIDS e o amor nunca mais foi livre, como no princípio dos anos 80. O amor voltou a ser prisioneiro do maldito casório, ou desses namoros assíduos, que só não são piores, que o famigerado casório. Queria ser um cascudo pirata dos mares do sul, só pra incendiar e botar no fundo o barco de quem inventou duas coisas terríveis: o detestável trabalho e o maldito casório. Não fosse isso viver poderia se resumir em velejar e amar. E melhor que tudo, no mundo, velejar amando ou amar velejando. Que tal?
6 – Tudo é mistério. Sozinho no meio do mar, boiando sem vento nem visibilidade.
Boiar na MAR à noite, em plena calmaria e envolto em denso nevoeiro, é o nec plus ultra do mistério na Terra. Mistério que pode resultar em tragédia a qualquer momento.
7 – No barco me sinto livre e às vezes dá vontade de navegar sem parar, sem voltar a terra, numa fuga total e definitiva.
Sinto a mesma vontade. Queria ter um barco à vela indestrutível e com autonomia infinita. Um veleiro que equivalesse ao “Nautilus” do capitão Nemo.
8 – No mar, as eternas preocupações, ora calmaria, ora vento demais.
9 – Além da minha viagem de barco, faço uma viagem paralela em outro mundo, através dos livros e outras tantas através dos sonhos e pensamentos.
Ler na MAR é uma festa. Qualquer tipo de livro. Mas acho que ler na MAR, livros que falem da MAR é ainda mais excitante. Acabei de fazer isso com “A VOLTA AO MUNDO EM SOLITÁRIO” de Aleixo Belov e minha pequenina expedição de sete dias na COSTA DO SOL, ganhou uma amplitude sem precedentes... Foi... Foi potencializada, digamos assim. Se é que compreendem o que quero dizer.
10 – A calmaria mina o moral de qualquer navegador.
É porque ainda não foi escrita a filosofia da calmaria, mestre Belov.
É porque ainda não foi escrita a filosofia da calmaria, mestre Belov.
11 – Dias e dias sozinho a contemplar o horizonte.
A linha do horizonte está para o velejador solitário, assim como a flauta do faquir está para a venenosa cobra Nadja.
12 – Sentia-me novo, começara a minha viagem de fantasia.
Viagem de fantasia. Viagem de fantasia porque circunavegar o planeta Terra é, suponho um carnaval de emoções.
14 – O MAR exerce uma atração muito grande sobre mim.
15 – Pescávamos todos os dias, saindo às 5 horas da manhã, numa canoa à vela.
Viram? O grande Aleixo Belov também já teve a sua canoa à vela! Quem já teve sua canoa à vela, passa a pertencer automaticamente ao MOLOTEVE. Movimento LowTech da Vela em Cabo Frio.
16 – A intenção era dar a volta ao mundo, em solitário, a bordo de um barco à vela de bandeira brasileira.
17 – É bom a gente ver outro veleiro em pleno mar.
Eu adoro. É semelhante a encontrar um amigo no meio da multidão anônima. Um dos meus maiores prazeres velejando é ver outros veleiros velejar. Com a vantagem que a gente sempre aprende alguma coisa nova, observando um outro veleiro velejar. Só não gosto, quando o velejador se aproxima da “Estrela d’Alva”, com a secreta intenção de provar, que o veleiro dele, comprado pronto no supermercado da esquina, é mais rápido do que o meu, inventado no “fundo do quintal”, com a ajuda dos “moleques da minha rua”.
18 – Quem sofre do coração não deve consultar o barômetro.
Quem sofre do coração não deve enfrentar a MAR. A MAR é boa, pra quem tem coração feito de cabo de poliéster pré-estirado, fabricado na Cordoaria São Leopoldo.
19 – Assim estou eu vivendo em companhia da minha plantinha e dos meus peixinhos, do sol, do MAR, do vento e das ondas, dos meus sonhos.
20 – Me seguro com toda força nos estais e vejo com que bravura o barco se defende das ondas e segue em frente. De repente sinto-me um super-homem montado neste cavalo mágico.
21 – Desenvolvi os meus raciocínios e mesmo me surgiram uma série de idéias novas.
Natural, um veleiro velejando em solitário é uma não-máquina-de-pensar, não confundir com uma máquina-de-não-pensar, essa todos sabem, é o automóvel!
22 – O “Três Marias” parece mais um enorme pássaro, de asas abertas, que sobrevoa o oceano. E eu montado nesta maravilha, me sinto livre, sinto o mundo ao meu alcance, sinto-me um cidadão do universo.
23 – As ondas cresceram tanto que pareciam mais bichos de boca aberta, tentando engolir o barco.
24 – Para ser completamente livre, precisa-se ser completamente só.
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25 – O melhor da vida, a beleza da natureza, é grátis.
LIVROS PUBLICADOS POR ALEIXO BELOV
25 – O melhor da vida, a beleza da natureza, é grátis.
LIVROS PUBLICADOS POR ALEIXO BELOV
- A Volta ao Mundo em Solitário
- Relata sobre a primeira volta ao mundo, 327 páginas.
- Em Busca do Oriente
- Relata a primeira parte da segunda volta ao mundo, trecho de Salvador até a Índia, 314 páginas.
- Em Busca das Raizes
- Relata a segunda parte da segunda volta ao mundo, trecho entre a Índia e a União Soviética, 196 páginas.
- A Caminho de Casa
- Relata a terceira parte da segunda volta ao mundo, trecho entre a União Soviética e Salvador, 172 páginas.
- Terceira Volta ao Mundo do Veleiro Três Marias Relata a terceira volta ao mundo, 392 páginas.
http://www.aleixobelov.com.br/
Extrato da newsletter n° 15 de 29 de julho de 2008 – projeto Estrela d’Alva.
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Fotógrafo, blogueiro, infoworker e velejador solitário brasileiro
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