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sexta-feira, 20 de maio de 2011

O paradoxo do país aquático - reedição

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Boa tarde amigos!

Este post foi publicado neste mesmo blog em 13 de agosto de 2010, às 15 h 14, de uma sexta-feira. Ihhh! sexta-feira 13. Ligados? Foi meu post de nº 4. São passados 64 dias e já ultrapassei o simbólico algarismo 365. Conhece algum outro blog dedicado à MAR, que apresente a expressiva média de 5 posts por dia, 35 por semana e 150 por mês, prezado leitor? Não? Então fale do blog da Estrela pros seus amigos.
Diga-lhes que nossa intenção é criar um universo-afetivo-virtual dedicado àqueles que adoram a divina MAR.
Mas abordemos de novo esse mistério, que consiste no fato, de nós brasileiros ainda não termos descoberto a vela e vivermos o tempo todo de costas pra MAR. A sorte decidiu que eu deveria re-publicar "O paradoxo do país aquático" agora, após uma boa revisão. A sorte é sabia, amigos, porque escrever é re-escrever. Na verdade eu redigi apenas o comentário, pois que o texto original não é meu. Eu o descobri garimpando na net e o partilhei com vocês. Ao final, vai como de costume nesses casos, o crédito do autor e o site de origem. O assunto parece-me palpitante. Curiosamente até agora não recebeu nenhum comentário. Sinal que nós brasileiros continuamos...

domingo, 1 de maio de 2011

Alain Bombard, o náufrago voluntário - velejador solitário



- Lembram-se de qual foi o último grande velejador solitário, cuja biografia abordamos nesta série, amigo leitor?
- Não?
- Refresco-lhe a memória.
- Se não levarmos em conta nosso gurus contemporâneos: a veterana Jéromine Pasteur, a novata Laura Dekker, o audaz Mike Horn, o genial Michel Desjoyeaux e mais recentemente (17/4) o jovem e criativo Corentin de Chatelperron, o último grande velejador solitário de que falamos foi Alain Gerbault.
- Mas antes dele, falamos de Slocum, Johnson, Dumas, Blackburn, Bardiaux, Moitessier, Chichester, Rebell, Villar, Tabarly, Colas, Jeantot, Lamazou,  Arthaud, AutissierBelov, Klink mais a ovelha-negra da História da Vela em Solitário, Donald Crowhurst.


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- Lembra-se?
- Se não se lembra, todos os posts constam do arquivo deste blog, dedicado à divina MAR, à inteligente VELA e ao sagrado MEIO AMBIENTE. 
- É só você digitar o nome do velejador solitário na janelinha de pesquisa interna, no alto da coluna da direita e terá acesso à micro-biografia antididática do seu velejador solitário favorito.
- Bem, que tal falarmos desta feita de Alain Bombard, que faleceu faz pouco tempo.

- Como de hábito não falaremos muito pra não cansar o amigo leitor, que gosta mais de velejar que de ler, no que tem razão.
- Velejar em solitário é muito mais divertido que ler.
- Quem lê, viaja.
- Mas quem veleja em solitário viaja duplamente, além de transformar-se automaticamente em protagonista de novas estórias a serem contadas.
- Três, não mais!
- Bastam três dados sobre Alain Bombard pra compreendermos a grandiosidade da sua ousada aventura.


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1 - O médico dublê de navegante Alain Bombard partiu em 20 de outubro de 1952 de Las Palmas (Ilhas Canárias) a bordo de um barco pneumático, concebido por ele próprio e batizado de "l'Hérétique", sem água, nem comida, com a intenção de atravessar o Atlântico e chegar à América. 


2 - Alain Bombard conseguiu chegar vivo a Barbardos (Caraíbas) dois meses depois.

3 - Alain Bombard contou sua incrível aventura no livro "Náufrago Voluntário", e contribuiu com os conhecimentos que partilhou, com seus leitores, para o salvamento de milhares de vidas de futuros náufragos.

alain bombard por famille_voncq

CURIOSIDADE SOBRE O DIA MUNDIAL DO TRABALHO


- O salário mínimo foi instituído pelo então Presidente Getúlio Vargas, em 1º de maio de 1940, com o intuito de garantir a subsistência, com alguma sobra, de uma família de quatro pessoas. LINK


domingo, 23 de janeiro de 2011

Alain Gerbault - velejador solitário - newsletter 13 de 2008 - post reciclado





EM BRASILEIRO

Após termos falado de Alain Colas, Eric Tabarly, Bernard Moitessier, Joshua Slocum, Howard Blackburn, Vito Dumas, Fred Rebell, Julio Villar e Donald Crowhurst, vamos falar do guru do nosso grande guru Bernard Moitessier, colegas marujos. Ligados? Guru de guru é super-guru, concordam?
Alain Gerbault foi engenheiro civil, piloto e tenista. Mas um belo dia apaixonou-se pela divina  MAR e abandonou tudo por ela: engenharia, aviões, tênis, pátria e família. Na MAR foi que encontrou a felicidade completa, perseguindo a inatingível linha do horizonte, que o fascinava. Gostava de velejar cantando antigas canções marinheiras da terra dos marujos mais cascudos do planeta: a Bretanha.

No tempo em que ainda vivia na França, partia todo dia de manhã bem cedo pra velejar na MAR. Chovesse ou fizesse sol, ventasse forte ou fraco, fosse inverno ou verão, lá ia o fanático Alain Gerbault encarar a  caprichosa MAR e seu inseparável parceiro vento, à semelhança do meu herói Gilliatt.

Decidiu enfim realizar uma volta ao mundo em solitário, numa época em que isto não estava na moda. Dinheiro, disposição e conhecimento não lhe faltavam. O que lhe faltava era um veleiro valente. Após procurá-lo durante um ano, em todos os portos da Bélgica, Holanda e França encontrou seu futuro companheiro de aventuras na Inglaterra. Seu nome era "Crista de Fogo", "Firecrest" in english. Alain Gerbault bateu o olho em "Firecrest" e disse " - É com esse que eu vou." E foi mesmo.


Ilha de Bora-Bora, a favorita de Alain Gerbauld, onde se encontram enterrados seus restos mortais. Isso contra sua vontade, pois ele desejou que seu veleiro "Alain Gerbault" fossem afundado com todas as velas e bandeiras desfraldadas no Pacífico junto com seus despojos.
O problema é que "Firecrest" era valente, mas muito comprido e estreito. Era um veleiro de regata. Tinha área vélica excessiva e foi feito pra velejar em alta velocidade em baías calmas. Em alto MAR mergulhava nas ondas e "virava submarino", como dizem os franceses. Imaginem o quanto o imprudente Gerbault sofreu no timão de "Crista de Fogo". Mas, dizem, que cada vez que "Firecrest" enfurnava a proa na vaga e um violento jato d'água espumante açoitava-lhe o corpo esguio, Alain Gerbault ria e gritava bem alto
- "Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiirecreeeeeeeest!!!
Se marinheiro bom é marinheiro seco, Alain Gerbault não foi um bom marinheiro, pois vivia encharcado d'água salgada dos pés à cabeça.


Alain Gerbault adorava navegar em solitário, mergulhado nos seus sonhos, admirando as paisagens marinhas, enquanto a proa do seu veleiro fendia a MAR em duas metades. Acabou tornando-se celebridade contra sua vontade e foi assediado em todos os portos por onde passou. Nova York, Bermudas, Polinésia, Touamoutou, Tahiti... Os selvagens da ilha Wallis quiseram fazê-lo rei. Gerbault recusou essa majestade oferecida e seguiu adiante, Ilhas Fidji, oceano Índico, Santa Helena, Cabo Verde, Açores e de volta à França em 26/7/1929, recebeu a medalha da Legião de Honra.
O bravo "Firecrest" acabou naufragando em circunstâncias que deixo vocês pesquisarem e Alain Gerbault construiu um novo veleiro a bordo do qual partiu para as paradisíacas ilhas do Pacífico, para nunca mais voltar.

Múltipla escolha

Conta-se que Alain Gerbault usava como lastro:

a - lingotes de prata
b - barras de ouro
c - um canhão da primeira guerra mundial, durante a qual combateu como piloto
d - pedras de quartzo energizantes
e - nenhuma das respostas acima


Extrato da Newsletter nº 13 de 27 de junho de 2008 - Projeto “Estrela d’Alva”

domingo, 10 de outubro de 2010

Marcel Bardiaux - Velejador Solitário



Somando todas as milhas que Marcel Bardiaux velejou ao longo de sua longa vida de marinheiro de alta-mar, resulta, acreditem se quiserem, 18 voltas ao planeta Terra.

.................... 

Juntamente com Slocum e Monfreid, Marcel Bardiaux é um dos três grandes gurus daquele que é o guru-mor dos velejadores solitários do mundo inteiro, Bernard Moitessier.


Falemos de Marcel Bardiaux, amigos, um dos mais cascudos velejadores solitários que já se teve notícia.


# Moitessier conta em seu livro “O longo caminho”, que o famoso “Os Quatro-Ventos” foi visto bordejando ao longo do estreito canal de acesso a um atol, teleguiado do alto do mastro por Marcel Bardiaux, que lá de cima podia avistar com precisão a posição dos recifes.


# - Bardiaux, foi preso pela polícia aos quatorze anos de idade a pedido de sua mãe, que desesperada, lançou mão deste último recurso, para impedi-lo de embarcar num grande veleiro, para uma longa viagem.


# - Bardiaux construiu um super-ketch chamado “INOX”, por ter sido o primeiro veleiro, que se tem notícia, inteiramente construído em aço inoxidável, incluindo mastros e retrancas. Com quinze metros de comprimento e 22 toneladas de deslocamento, possuía 50 compartimentos estanques, era insubmersível e capaz de velejar sob qualquer condição de tempo.


# Nos anos 30, Bardiaux realizou uma volta à Europa a bordo de uma canoa a remo, totalizando 11 000 km de percurso, através do rio Danúbio e dos mares Negro, Egeu e Mediterrâneo.


# Bardiaux foi o primeiro velejador solitário a dobrar o Cabo Horn, no sentido Leste para Oeste ( contra os ventos dominantes ), a bordo do seu famoso veleiro “Os Quatro-Ventos”, em 1952.


# - Marcel Bardiaux atravessou o nosso Atlântico nada menos que 40 vezes.


# Marcel Bardiaux inventou o esqui aquático.


# Ao longo de sua longa vida, Marcel Bardiaux velejou 400 000 milhas náuticas, o equivalente a 18 voltas ao mundo. Será? Li isso num artigo da simpática Wikipedia. Alguém confirma?


# - Bardiaux desejava ser o primeiro velejador solitário centenário da História, mas acabou falecendo aos 90 anos, no ano 2000, deprimido após ter sofrido um grave acidente, aos 86 anos, quando seu veleiro “Inox” foi arremessado contra a costa por uma tempestade.


# - Bardiaux escreveu os seguintes livros relatando suas aventuras pelos mares do globo terrestre:


« Aux 4 vents de l’aventure » T1 & 2, « Les aventures de Marcel Bardiaux », « La mer ou la fille », « Aux 4 vents de mes amours » ,« Entre 2 tours du monde » et « l’Ecole de la vie ».


“Confesso honestamente que muitas vezes, quando eu vi minhas velas em tiras e meu pobre barco lutando sozinho contra a MAR revolta, saltando em terríveis precipícios, desaparecendo sob monstruosas ondas que o ameaçavam engolir e depois apontando sua proa para o céu escuro como um breu, como se fosse implorar perdão para seus pecados, na iminência da morte, sim, muitas vezes eu disse a mim mesmo: - Se eu me safar desta, nunca mais porei os pés num barco novamente." — Marcel Bardiaux




Já falamos nesta rubrica de quinze velejadores solitários, amgios, os seguintes:


Joshua “Spray” Slocum, Bernard “Joshua” Moitessier, Alain“Firecrest” Gerbault, Vito“LEHG II” Dumas, Alfred “Centemnial” Johnson, Howard “Great Western” Blackburn, Fred “Elaine” Rebell, Eric “Pen Duick VI” Tabarly, Alain “Club Mediterrannée” Colas, Philippe “Crédit Agricole” Jeantot, Donald “Teignmouth Electron” Crowhurst, Julio “Mistral” Villar, Francis “Gipsy Moth IV” Chichester, Aleixo “Três Marias” Belov e Florence “Pierre I” Arthaud.

sábado, 2 de outubro de 2010

Laura Dekker velejou até Pasito Blanco - velejadora solitária - 43º dia - Laura Dekker 3

 Especialmente pra minha amiga Nilza Pitanga, que bateu um recorde mundial recentemente, remando em equipe, a bordo de uma canoa havaiana, entre o Rio e Arraial do Cabo, aqui vão notícias da Laura Dekker, caçula da vela mundial.


Depois de comemorar seu aniversário de 15 aninhos na ilha de Lanzarote, Laurinha Dekker velejou de vento em popa até Pasito Blanco na Gran Canaria, onde chegou antes do sol. Logo depois desabou um temporal. Chuva da grossa que ela considerou uma dávida.


- Ela me ajudou a lavar o "Guppy"!
Na Gran Canaria, Laura saiu pra passear na MAR e em terra, em companhia de amigos holandeses, encantada como sempre com as vistas do alto das montanhas vulcânicas.


Curiosidade: Laura adora mergulhar, mas ainda não gosta de comer lulas, coisa que adoro. Nem tudo a gente tem em comum. E você amiga Nilza, gosta de lulas? Se gostar tenho dez receitas diferentes no meu arquivo. Dentre elas uma campeã. Lulas recheadas à portuguesa. Recheadas com o quê? - Arroz, cubinhos de presunto, passas e os tentáculos da própria lula picados em pedacinhos. Detalhe, as lulas são cozidas em azeite português, o que muda tudo.


Bons ventos pra Laura Dekker, pra você, amiga Nilza e pra todos nós que amamos a divina MAR, do fundo do coração! Quem não gosta da MAR, bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça ou doente do corpo todo. Porque o contato frequente com a MAR, faz bem à saúde de todos os órgãos do corpo humano.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Velas ao vento - diário da Estrela - newsletter nº 17/2008



foto: Henrique Souza

Minha última expedição, que deveria ter sido pra Búzios, amigos, resumiu-se ao Peró, pra ser exato à minúscula prainha da península do Vigia, onde passei seis dias esperando o vento amainar...
O vento de NE soprou tão forte no período de 11 a 21 de agosto que fui obrigado a tirar a “Estrela d’Alva” d’água, após passar uma noite infernal, de 14 para 15 de agosto, com meus colchonete e saco de dormir encharcados, sem poder repousar um só instante, fundeado diante da extremidade sul da praia do Peró.
No dia 15 de agosto, por volta de meio-dia, surgiram duas linhas de arrebentação no local em que eu tinha jogado a âncora e onde já havia pernoitado, várias vezes, tranqüilo, no passado. Mas naquele dia o vento ultrapassou, suponho, a casa dos trinta nós, nas freqüentes rajadas e as ondas começaram a crescer e açoitar o casco da canoa vindas ora de NE, ora de NW. Fiz um balanço da situação e cheguei à conclusão que tinha as seguintes opções, pra sair daquele impasse:


1 - Tentar chegar à praia do Peró, atravessando a arrebentação.
2 - Içar a vela e tentar voltar para Cabo Frio.
3 - Tentar chegar remando à minúscula prainha da península do Vigia.
4 - Pedir reboque à Guarda Marítima de Cabo Frio.
5 - Abandonar a “Estrela d’Alva” à própria sorte e voltar nadando pra terra em cima da prancha de surf.
Com aquele estado de MAR e contra a força daquele vento todas essas manobras seriam arriscadas.
Em qual das quatro opções o amigo velejador apostaria todas suas fichas?
Optei pela terceira hipótese e obtive êxito, ou seja, não permiti que a MAR irada jogasse a “Estrela d’Alva”, comigo em cima, contra as muitas pedras que ladeiam a tal prainha. A tal prainha, não mede mais que vinte passos e encontra-se no final de um corredor de pedra de três metros de largura.


Passei seis dias acampado naquela tranqüila prainha, pensando, lendo, escrevendo e eventualmente conversando com os raros visitantes que apareceram por lá.
Dentre eles, uma agradável surpresa, duas jovens e simpáticas francesas, Astrid e Solenne, que me abordaram nestes termos:
- Muito bonito o seu barquinho! Bravo!
- Conversamos uma meia hora sobre a divina MAR, a incomparável Paris e meu filósofo predileto, que é francês e contemporâneo do achamento do Brasil. Dei esta única dica e ambas gritaram o nome dele em coro:
- Montaigne!
Foi minha vez de dizer Bravo! e dar um beijo em cada uma a título de prêmio. Desde quando beijo de um humilde canoeiro pode ser considerado prêmio?!
Mas brasileiro se aproveita de qualquer desculpa, pra tirar uma casquinha das gringas, não é verdade?
- Perguntei a elas se admitiam que o povo brasileiro considerasse o MAR masculino. Elas riram muito e uma delas disse.
- « Excusez-moi, mais vous êtes tous fous. »
Pra meu desgosto as lindas francesinhas se foram e eu esperei pacientemente que o vento se acalmasse durante seis dias. E o vento se acalmou um pouco no sétimo dia, mas não o suficiente para que o canal dos Papagaios pudesse ser atravessado com segurança. Resultado: mais um perrengue.


 Sobrevivemos sem grandes problemas, eu a “Estrela d’Alva”, mais um novo candidato a proeiro, o Júnior do Peró. Futuramente voltarei a este assunto e agradecerei nominalmente àqueles que nos ajudaram. Meus detratores alardearam que a “Estrela d’Alva” naufragou. Eu digo que a “Estrela d’Alva” deu uma suave virada, apenas a segunda, da sua breve vida de seis anos. E você, amigo velejador, pode escolher entre acreditar em mim ou nos meus detratores.
- Moral da estória, a grande qualidade do marujo é a paciência e não o arrojo. Quem esperou seis dias, pode esperar mais seis, mais trinta e seis se necessário for. Pensam que estou arrependido? Nada, só pensar no belo eclipse da lua, que assisti do alto da península do Vigia, me faz esquecer imediatamente os pequenos tormentos, digamos assim, à que Netuna e seu inseparável companheiro Éolo me submeteram. Coisa que eu encaro mais como lição do que como punição. Quanto aos meus detratores, só desejo, para o bem deles e meu, que eles velejem mais, muito mais. Já perceberam que quanto mais se veleja, mais feliz a gente fica e menos tempo nos sobra pra falar mal da vida alheia? Aposto com vocês que o Aleixo, o André, o Amyr, o Robert, o Torben, o Lars e a Isabel não falam mal da vida de ninguém. E mesmo que o desejassem, o que considero pouco provável, não teriam tempo. Aposto também, que cada um deles já virou com um veleiro pelo menos umas trinta vezes. Prezados detratores, virar com uma barco à vela de pequeno porte, em dia de um vento forte é coisa absolutamente normal. E dizer que naufragou, quem apenas virou não é nada elegante! Vai uma sugestão? Velas ao vento! Com licença!

Extrato da newsletter n° 17 de 4 de setembro de 2008 – projeto “Estrela d’Alva”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

É ali que o bicho pega - diário da Estrela


Voltarei ao paraíso de Arraial do Cabo, amigos, com a intenção de circunavegar, pela primeira vez este ano, a ilha de Cabo Frio, a maior, mais alta e talvez mais bonita da linda Costa do Sol. Pretendo ficar velejando entre a e a praia do Forno, até que Éolo e Netuno se distraiam e nos ofereçam uma chance de dar a volta na ilha.

Dar a volta na ilha com vento e mar calmos não tem segredo nenhum, exceto na reentrada do Boqueirão. É ali, amigos, que o bicho pega. A propósito leiam o que diz a respeito o Luiz do importante grupo Altomar:

"A maré era baixíssima, e quem optou por entrar pelo BOQUEIRÃO do CABO encalhou. Não sei dos barcos que tiveram esse problema, mas sei que foi mais de um.
Só para comentar que passamos por lá na direção oposta semana passada, junto com o Grego, que é um dos velejadores que melhor conhece aquelas águas. Navegamos ali com o mesmo cuidado e preocupação que tomaríamos em águas desconhecidas.
Isso porque o Grego disse - e vale a pena repetir - que o fundo naquela área muda muito e atualmente está completamente diferente das cartas. A coisa mudou tanto que ele nem sabia ao certo onde era melhor para passar. O canal preferido, aquele meio curvo que encosta na ilha, estreitou-se tanto que praticamente desapareceu. Esse ponto eu constatei pessoalmente - e é bem provável que os barcos encalharam pensando que o canal era o da carta."
Em resumo, saibam que mesmo as cartas mais recentes, teoricamente atualizadas, continuam mostrando a batimetria de décadas atrás. Tomem cuidado.
Abraço,
Luiz"
link para o grupo ALTOMAR

O principal problema que enfrento, a bordo da "Estrela d'Alva", que cala apenas 7,3 cm , não é o perigo de encalhe, mas de virar sob o efeito das ondas grandes que se formam na entrada do Boqueirão, e por sobre os baixios, na maré baixa, em frente a ponta do Veado. Mas irei, se for, com todo cuidado, que a instável ( sem o bulbo ) "Estrela d'Alva", depois que vira é difícil, muito difícil de desvirar. Sem a ajuda de terceiros é impossível.

Partida: 28/7/2008 Regresso: 4/8/2008 destino: Arraial do Cabo


Extrato da newsletter n° 15 de 29 de julho de 2008 – projeto Estrela d’Alva.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Velejar é sobrenatural - viagem anterior - Búzios - newsletter nº 14 de 2008



- Salve amiga visitante!



- Búzios tem três curiosidades que me encantam:

* o mirante donde se tem uma vista panorâmica de toda a

Pé de vento de SW - queijo sem vinho

Ontem, amigos, rolou um segundo pé de vento de SW, no curto espaço de uma semana, aqui em Cabo Frio. Só pra vocês terem uma idéia, tive de descer da bicicleta pra empurrá-la contra o vento várias vezes... A MAR, na enseada da praia do Forte, ficou branca de espuma, toda encarneirada. Os pássaros pousaram todos e apenas um pesqueiro ousou cruzar a boca do canal de Itajurú. Mas avançava a apenas meio nó, na direção de Arraial do Cabo, caturrando ferozmente, coitado. Gostaria de saber o que seria de mim e da minha inseparável "Estrela d'Alva", se um desses pegasse a gente de jeito lá no fundão. Com certeza seria mastro n'água. Quando eu digo a vocês que os ventos estão ficando cada vez mais fortes aqui na Região do Lagos... E aí, onde vocês moram e velejam, como tem se comportado Éolo ultimamente?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

próxima viagem - lagoa de Araruama - newsletter nº 14/2008

foto - Henrique Souza     Cabo Frio - julho/2007
 
Enquanto que alguns de vocês só admitem velejar em barcos de plástico, comprados prontos no supermercado da esquina, lá vou eu explorar pela terceira vez este ano, a gigantesca lagoa de Araruama, a bordo da minha pequenina e artesanal canoa a remo e a vela, construída em madeira, "Estrela d'Alva". Desta feita vamos explorar as localidades que ainda não conhecemos, às margens da monumental lagoa de Araruama: Monte Alto, terra do meu amigo Eduardo Lima, Figueira, praia do Sudoeste, etc.

link da imagem
Três problemas me preocupam: a poluição avançada da lagoa de Araruama, a presença de inúmeros obstáculos à navegação não sinalizados, existentes dentro da lagoa e os ventos cada vez mais fortes que sopram nesta época do ano. Torçam, por favor, pra minha canoa não virar.

Extrato da newsletter n° 14/2008 de 10 de julho de 2008 – projeto “Estrela d’Alva"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"O Navio Negreiro" - poesia - newsletter 14/2008


O NAVIO NEGREIRO

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo - o mar em cima - o firmamento...
E no mar e no céu - a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra - é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...

Castro Alves

Desconheço poema que diga melhor da divina MAR, do caprichoso vento e dos marinheiros do que este. E você amiga leitora? Concorda comigo? Quer ler o poema inteiro antes de opinar? Fácil! Só clicar aqui.

Extrato da newsletter n° 14/2008 de 10 de julho de 2008 – projeto “Estrela d’Alva”

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A última das ilhas - diário da Estrela - newsletter 12 de 2008

Estrela d'Alva a plena carga, amarrada ao pier de Transtlânticos em Cabo Frio,
 prontinha pra "levantar vôo".
foto - Evandro Lopes

Como vocês sabem, minha última expedição foi para Arraial do Cabo, lá onde o sol passa o inverno. Curiosos pra conhecer os dois pontos mais altos desta pequena-grande aventura?
O primeiro ponto alto foi conhecer o casal de velejadores P. e I. do trimaran PRT, na enseada da praia do Forno. Integrantes do movimento "LowTech" da vela e campeões mundiais de simpatia. Eles estão há seis meses na MAR, mas não possuem planos para o futuro, nem rumo definido. Maravilha não? Enfim um casal de “macróbios humanos” verdadeiramente livres. Digo “macróbios humanos” com todo carinho, viu? Queria contar outras coisas interessantes a respeito deles, mas, mais não direi, porque eles detestam o alarde e à celebridade preferem o anonimato.
O segundo ponto alto foi circunavegar a última ilha que faltava à minha atual coleção de vinte ilhas, que se estendem ao longo da Costa do Sol entre o Cabo Búzios e o Cabo Frio.
Suponho que os que não conhecem essa paradisíaca região, imaginem essas vinte ilhas cheias de pequeninas e mansas praias, coqueiros românticos, mais lagoas, riachos e cachoeiras de água doce. Engano. Ledo engano. Essas ilhas, amiga leitora, apesar de relativamente próximas à costa são selvagens. Lindas, mas selvagens. O casal de ilhas dos Franceses, por exemplo, são dois rochedos inóspitos constantemente fustigados pelos ondas. Dia 7 de junho, sábado passado, 11 horas da manhã, partimos da enseada da praia dos Anjos, eu e minha querida canoa à vela e a remo “Estrela d’Alva”. O vento soprava fraco de NE, mas por volta do meio dia rondou bruscamente para SW. Fomos orçando rumo ao sul, com todo cuidado, no meio do belo canal que separa a ilha de Cabo Frio do continente. Dois perigos: as fortes rajadas de vento vindas do alto do morro do Atalaia, mais os “ondões” que se formam por cima dos baixios, no través da ponta do Veado, em especial na baixamar, prevista naquele dia para às 11h 49. Passamos por Maramutá, Prainhas do Pontal e chegamos à garganta de pedra do Boqueirão. Na ausência de um proeiro, consultei como costumo fazer minha inseparável "Estrela d’Alva".



A mar tá encarneirada lá fora Estrela...
- Qual o problema?
- Vamos assim mesmo?
- Claro que vamos! Faz um ano que ansio por este momento, que você sempre adia, contra minha vontade.
- Veja bem, Estrela, tem um swell irado atropelando as ondas menores de 30 em 30 segundos.
- Faz mal não, eu pulo por cima dele.
- É por isso que eu te chamo de intrépida!
- Vamos nessa?
- Vamos Estrela!
- Cruzamos o Boqueirão e velejamos com dificuldade rumo ao casal de ilhas dos Franceses. Vento na cara, mar na cara, sol na cara.
- A Estrela d’Alva, coitada, bebeu mais de trinta litros d’água salgada, sem esmorecer. Deixamos as ilhas por boreste e passamos pela primeira vez pelo exato ponto onde a fragata "Dona Paula" afundou em perseguição ao pirata Fournier em 2/10/1827. Senti um arrepio, ao cruzar a bordo da minha frágil e instável canoinha, o braço de mar, onde uma pedra fendeu o casco da enorme fragata. Na volta pegamos mar e vendo de alheta. Alheta de boreste. Mas as ondas haviam crescido de tamanho e o traiçoeiro swell, aliado à onda-eco rebatida pelo paredão de pedra do Morro do Atalaia, quase que nos virou umas três vezes. A entrada no Boqueirão foi mais difícil que a saída. Porque? Porque a corrente de NE fermentou as ondas vindas de sul. E mais, o vento de SW fazia pressão nas velas da Estrela enquanto a corrente freáva-lhe o casco. Pra complicar ainda mais a situação, quando estávamos bem no meio da garganta do Boqueirão, quem é que aparece a toda velocidade? Vou deixar vocês adivinharem. Qual é o pior inimigo do velejador?

Pontal do Atalaia fotografado da ilha de Cabo Frio, no cantinho esquerdo avista-se (será?)
o casal de ilhas dos Franceses

Um lancheiro! Acertaram! O lancheiro como de costume não reduziu a velocidade atiçando ainda mais as perversas ondas contra os flancos estreitos da Estrela. Se eu não fosse além de marujo equilibrista... Sei não. Sobrevivemos felizes da vida. Ou melhor, meio alegres meios tristes. Alegres porque circunavegamos mais uma ilha. Tristes porque esta foi a última das ilhas. Resumindo, não sobrou nenhuma ilha virgem na Costa do Sol pra contar a minha estória. Comi todas. Perdão, deflorei todas. Perdão, conquistei todas. Todas as 20 ilhas selvagens que se estendem entre Búzios e Arraial do Cabo, sem excessão, a bordo de uma casquinha de noz de nada.
Pra você que ainda não as conhece eu apresento: Rasa ( a menos selvagem e a única habitada ), Feia ( possui uma pequena praia em sua ponta sul ), Caboclo ( a mais próxima de terra, pra chegar até ela, basta nadar uns cem metros, mas foi lá que bati com a bolina da Estrela d'Alva na pedra ), Branca, Âncora ( a mais distante de terra - 5 milhas ), Gravatá, Filhote, Breu, Emerência de Dentro, Emerência de Fora, Pargos ( minha predileta no momento ), Capões, Redonda, Comprida, Dois Irmãos, Papagaios ( a primeira que circunaveguei em solitário e a remo ), Pontal, Porcos, Cabo Frio ( possui uma pequena praia na sua ponta sul ), Franceses. ( circunavegada pela primeira vez dia 7/6/2008 por volta das 16h )

ilha dos Papagaios em Cabo Frio, a primeira que circunaveguei a remo
foto - Fernando Costa

Queria deixar aqui uma sugestão. Trocar o nome da ilha Feia pra Bonita. Ela merece. Há cinco anos atrás quando circunaveguei a remo, em companhia de um certo parceiro, a ilha do Pontal, jamais poderia imaginar que chegaria tão longe. Uma verdadeira façanha. Porque? Simplesmente porque a “Estrela d’Alva” tem apenas 4,86 metros de comprimento, por 1,30 metros de boca máxima e uma área vélica imensa.

Extrato da newsletter n° 12 de 16 de junho de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

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