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domingo, 29 de maio de 2011

Le Cours des Glénans - Grupo Altomar - reedição




Salve colegas velejadores!

 Publiquei esta mensagem no ótimo forum do grupo Altomar em 28 de novembro de 2005 e a republico agora, neste blog, com a esperança de que em algum lugar do futuro ela gere frutos. Ou será que o Brasil será eternamente o "País do Paradoxo Aquático"?

Velejadoras e velejadores brasileiros!

Preciso dizer-lhes do meu entusiasmo pela excelente escola Les Glénans. Primeira e maior escola de vela européia com mais de 14 000 estagiários a cada ano, onde realizei recentemente, 29/10 a 1/11/2005, um estágio no monotipo Week-end 14 – "Merlin", antecedido de um período de 19 dias, durante os quais trabalhei como voluntário na manutenção dos barcos da base de Marseillan de Les Glénans, no sul da França.
A força motriz de Les Glénans, que não possui funcionários é o voluntariado.
A missão dessa escola exemplar, de mais de sessenta anos de existência, instituição considerada de utilidade pública e que não possui fins lucrativos, aberta a todos sem distinção de origens culturais, status econômico, sexo ou idade, é ensinar a velejar e a viver em harmonia com o meio ambiente, desenvolvendo a solidariedade, a responsabilidade e a autonomia entre seus monitores e estagiários.
O método de ensino empregado em Les Glénans pareceu-me bastante eficaz e antes de tudo agradável e poderia ser resumido assim:
"uma curta aula teórica seguida de uma boa velejada".
Recomendo a todos, velejadoras e velejadores brasileiros, iniciantes ou não, a leitura da extraordinário livro "LE COURS DES GLÉNANS", 6a edição de 2002, considerada a "bíblia da vela" pelos navegadores franceses. Acho difícil conceber um livro mais completo e bem escrito sobre o assunto.


Chamo a atenção de vocês para a importância do projeto de inserção social através do esporte dos Glénans, "IRMÃOS DE MAR" - "Frères de Mer" em francês, já realizado em 34 cidades francesas e que seria muito indicado para o Brasil. E para encerrar dou-lhes duas ótimas notícias:



1 – A Escola de Vela Les Glénans acolhe com simpatia propostas de parcerias originárias de outros países e já fundou pelo menos duas bases no estrangeiro.

2 – O chefe da base de Les Glénans de Marseillan, sr. Hervé Colas estará passando as férias no sul da Bahia em fevereiro de 2006, a confirmar. Ótima oportunidade para convidá-lo para realizar uma palestra na sede da
sua associação ou clube de vela.

tel.: 04 67 77 22 73
fax.: 04 67 77 39 25



Peço que divulguem ao máximo esta notícia. Suponho que com algumas "filiais" da escola Les Glénans no Brasil, teríamos em pouco tempo muitos mais Torben Grael e Robert Scheidt entre nós.



Ótimos ventos!



Fernando Costa



P. S. – Poderei enviar-lhes pelo correio alguns catálogos que trouxe da escola de vela Les Glénans. Não possuo muitos, mas os que possuo estão à disposição. Gostaria de enviá-los de preferência a associações ou clube de velas interessados.



Maiores informações




segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cúmulo-nimbo, a nuvem da desgraça - dica nº 11 da Bíblia da Vela


Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", um tijolaço de 1300 páginas, que eu tive o prazer de ler de ponta a ponta, de "Bíblia do Marinheiro".
Decidi copiar alguns extratos desse precioso compêndio sobre navegação à VELA e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.
 
CUMULO-NIMBO, A NUVEM DA DESGRAÇA

Graças à sua imensa extensão vertical, o cúmulo-nimbo pode provocar os fenômenos meteorológicos mais violentos: pancadas de chuva, queda de neve ou de granizo, fortes rajadas de vento, trombas d’água na MAR, tornados em terra e principalmente tempestades.


ORIGINAL EM FRANCÊS
"De par son extension verticale considerable, le comulus-nimbus peut engendrer les phénomènes météorologiques les plus violents: averses de pluie ou de neige, grêle, rafales de vent, trombes em mer, tornades sur terre, et ntament des orages."

Meu comentário: Lembro-me que durante uma das minhas últimas expedições a bordo da “Estrela d’Alva”, ano passado, deitei-me pra dormir, com minha canoinha ancorada no interior da pequena angra que encontramos, com certa dificuldade, no lado de dentro da ilha de Pargos. Quando dormi por volta das 20 h o tempo era bom e o céu estava estrelado e livre de nuvens. Acordei por volta da meia-noite com a Estrela corcoveando que nem cavalo chucro. (Mas eu nunca montei um cavalo chucro. Como posso saber?) Levantei a aba de bombordo da barraca pra olhar e vi apavorado que estava debaixo de um enorme, colossal, majestoso cúmulo-nimbo, cuja base ia da ilha de Pargos até muito além da praia do Peró. De repente o vento rondou de NE para W, tornou-se violento, ondas rápidas e agressivas começaram a esmurrar nervosamente o estreito costado da “Estrela”, uma chuva torrencial desabou sobre nós e dezenas de raios brotaram da gigantesca nuvem. Felizmente o perrengue não durou mais que meia hora. Mas só Netuna sabe o medo que senti. Só Netuna sabe o esforço que fiz pra não deixar a canoa virar. Só Netuna sabe, com que prazer deitei pra dormir, aliviado, após ter trocado de roupa, quando a tempestade passou. Fique de olho nos cúmulos-nimbos, amigo velejador. Na MAR, o cúmulo nimbo é o gato mais cruel que existe, e nós marujos míseros camundongos indefesos. Só nos resta uma alternativa: EVITÁ-LOS OU DELES FUGIR enquanto houver tempo. Enfrentá-los pode ser nossa última experiência desagradável nesta vida.

~~~~~~~~~~~~~~~~

E aí? Gostou da dica? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida na MAR. Não se esqueça de acender uma vela pela salvação da minha alma e outra pela salvação da alma da "Estrela d'Alva", viu? Porque essas rugas de espanto na testa? Achou estranho meu pedido? Você só pode ser iniciante. Ainda não sabe reconhecer um cúmulo-nimbo no céu e nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma? Tá precisando, sabe de quê? Muita água salgada na ca... no rosto, de preferência a bordo de uma bateira a remo e à vela cascuda mas instável, como a “Estrela d’Alva”. Porque barco grande e a motor, com o perdão da palavra motor, nos dá a falsa sensação de que somos poderosos. Somos nada. Somos, como bem disse mestre Slocum, "um inseto agarrado a um graveto" no meio da gigantesca MAR.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"O louva-deus e o barco-a-motor - Bíblia



Salve amigos velejadores!

Estava eu e meu amigo Washington Souza conversando sobre a construção do "Alegria 2", quando nossa conversa técnica desviou de repente dos trilhos e foi dar...
- Advinhem onde?
- Ué, vocês são videntes? Acertaram na mosca!
- Isso mesmo começamos a falar da Bíblia Sagrada, da palavra de Deus.
- O Washington, a quem chamo amistosamente de "Louva Deus"...
- Porque?
- Porque pra cada palavra sobre construção naval que o Washington fala, fala dez em louvor a Deus.
- Desta feita o Washington citou o apóstolo Paulo... - "O bem que eu quero fazer não faço, mas o mal já está a caminho."
Nesse dia eu e o "Louva Deus" não nos entendemos. Ele sustentou que a natureza do homem é má e eu que ela é boa. Não, não creio que nossa natureza humana seja muito boa, nem excelente, mas simplesmente boa. Boa e nada além.
- Porque?
- Porque dá mais trabalho ser mau que ser bom.
- Só por isso. Ou seja acredito que nós humanos somos bons, quando o somos,
 por pura preguiça.
- O Washington informou-me que o apóstolo Paulo sofreu três naufrágios. E logo após o terceiro iluminou-se e evoluiu do egoísmo ao comunismo.
- Não me perguntem, que não me lembro mais, como foi que nossa conversa evoluiu da Arquitetura Naval até o apóstolo Paulo.
Tudo que eu queria, a princípio, era, à semelhança do que fiz com o Fabiano e o com o Evandro, entrevistar o Washington sobre seu novo projeto de barco, ao qual sugeri batizar de "Louva-Deus". O Washington gostou do nome e descreveu-me as formas da sua futura embarcação. Mas quando lhe perguntei sobre qual seria seu meio de propulsão ele blasfemou feio contra a mãe natureza e o "Aguavel" está de prova. Ele que me alcunha "o blasfemador", blasfemou muito
 mais que eu, aquele dia.
- O Washington, amigos, pronunciou a diabólica palavra motor. Pode haver pior?
- Eu fiquei naturamente irado, vocês me conhecem, vocês sabem até que ponto detesto o motor.  Num arroubo de cólera, disse-lhe que não publicaria nenhum post sobre barco-a-motor, com o perdão da palavra motor no meu blog e desde esse dia nunca mais conversamos nem sobre Deus, nem sobre barcos, nem sobre os homens.
- Lamentável, gosto muito do Washington que me ajudou junto com a Nilza e o Fabiano a construir o "Alegria1".
- Já que mencionamos a Bíblia, quero deixar de presente pra vocês cinco extratos nela pinçados, que citam a palavra MAR, mais um trecho que descreve um dos naufrágios de Paulo. Dígam-me depois, de qual deles gostaram mais.

"Partindo Jesus dali, chegou ao pé do MAR da Galiléia e, subindo a um monte, assentou-se lá. Mateus 15:29

Com a sua força fende a MAR e com o seu entendimento abate a sua soberba.
Jó 26:12

"Este está com um certo Simão, curtidor, que tem a sua casa junto da MAR.
Ele te dirá o que deves fazer." Atos dos Apóstolos 10:6

"Então, partiram do monte Hor, pelo caminho da MAR Vermelha, a rodear a terra de Edom; porém a alma do povo angustiou-se neste caminho." Números 21:4

Descerá também este termo ao longo do Jordão, e as suas saídas serão na MAR salgada; esta vos será a terra, segundo os seus termos em roda. Números 34:12

NAUFRÁGIO DE PAULO

Atos dos Apóstolos 27

Quando chegou a décima quarta noite, sendo impelidos de uma e outra banda na MAR Adriática, lá pela meia-noite, suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra.
E, lançando o prumo, acharam vinte braças; passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças.
 E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, desejando que viesse o dia.
 Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio e tendo já deitado o batel à MAR, como que querendo lançar as âncoras pela proa,
disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos.
 Então, os soldados cortaram os cabos do batel e o deixaram cair.
 E, enquanto o dia vinha, Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais e permaneceis sem comer, não havendo provado nada.

- Bons ventos a todas e todos! E se encontrarem o meu amigo Washington por aí, digam a ele que quero fazer as pazes.

sábado, 9 de outubro de 2010

O dobro do tempo - dica nº 10 da Bíblia da Vela


Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", de a "Bíblia da Vela". Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.

O DOBRO DO TEMPO

“...reservar sempre mais tempo do que o necessário."

Meu comentário: No texto original este princípio nos é recomendado, para o tempo estimado de navegação entre um lugar e outro sobre a MAR. Mas, por minha conta e risco estendo esta fórmula lapidar, a tudo que se tiver de fazer quando na MAR.


As mais simples operações realizadas a bordo de um barco flutuando, requerem muito mais tempo e energia, que em terra. Quanto mais tempo? Difícil precisar. Vai depender da velocidade do vento e do estado da MAR. Na dúvida programe o dobro do tempo. Se sobrar tempo, aproveite pra dormir ou se alimentar. Duas ótimas coisas pra se fazer a bordo de um veleiro em plena MAR. Concordam? Discordam colegas marujos? Ei, tem alguém aí? Escrevo, escrevo, escrevo, ninguém diz nada. Nada mais desmotivante que este silêncio de indiferença. Sabe do que mais? Vou voltar pra onde nunca deveria ter saído, o seio macio e perfumado da divina MAR.

TEXTO ORIGINAL EM FRANCES

“... toujours prévoir plus de temps que nécessaire".

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vento contra corrente - dica nº 9 da Bíblia da Vela


Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", de a "Bíblia da Vela". Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil. Se não for, o que vale é a intenção, concordam? Discordam? Pesquiso, pesquiso, pesquiso, escrevo, escrevo, escrevo, provoco, provoco, provoco e ninguém me diz nada?!! Será que nada do que digo faz sentido pra vocês? Vou parar de escrever e voltar pra MAR, de onde nunca deveria ter saído.


 
VENTO CONTRA CORRENTE

“Quando a corrente se dirige contra o vento, as ondas então formadas são freadas e de certa forma estranguladas entre o vento e a corrente. Seu comprimento de onda encurta, sua altura aumenta, seu cavado se torna excessivo e elas quebram-se e arrebentam.

Meu comentário: Já quase dancei na saída do canal de Itajurú por ignorar esse princípio? Até que sofri um quase-acidente. Decidi então só cruzar a boca do canal, o lugar mais perigoso da Costa do Sol, com vento e maré a favor. Sou doido, mas minha loucura como o sol, tem sua órbita.

TEXTO ORIGINAL EM FRANCES

“Quand le courant se dirige contre le vent, les vagues formées par le vent se trouvent alors freinées, étranglées en quelque sorte entre le vent et le courant: leur longueur diminue, leur hauteur augmente, leur cambrure devient parfois excessive, elles se brisent et déferlent.

E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida. Qualquer dica, por mais banal que seja, pode salvar a vida de um marujo na MAR, numa situação de emergência. Se gostar de rezar, reze pra Iemanjá antes de partir pra MAR. Mas não se esqueça de ler todo dia a Bíblia da Vela ou pelo menos as dicas do Fernando “Estrela d’Alva” Costa, copiadas da Bíblia da Vela.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O valor de um pregador - dica nº 9 da Bíblia da Vela



Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", de a "Bíblia da Vela". Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.

O VALOR DE UM PREGADOR

“Ninguém sabe quem foi o genial inventor do pregador de roupas, mas os marujos do mundo inteiro deveriam erigir um monumento à sua glória, sobre um cabo qualquer da Bretanha.”

Meu comentário: Curioso, depois que li esta observação aqui, tentei utilizar mais frquentemente o pregador de roupas a bordo da Estrela, sem conseguir. O ítem que mais uso atualmente é um elástico fino (dois milímetros de diâmetro) e colorido, que me resolve mil e um problemas. E vocês, qual a "ferramenta" ou "matéria prima" que faz mais sucesso a bordo do veleiro de vocês?


TEXTO ORIGINAL EM FRANCES

“On ne sait pas qui est le génial inventeur de la pince à linge, mais les marins devraient lui élever un monument de gloire, face à la mer, quelque part sur une pointe de Bretagne!”

E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida. Qualquer dica, por mais banal que seja, pode salvar-lhe a vida, numa situação de emergência, a bordo de um veleiro. Não se esqueça de acender uma vela pela paz da minha alma e da "Estrela d'Alva" idem. Porque essa cara de espanto? Estranhou meu pedido? Só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?

domingo, 19 de setembro de 2010

Cuidado com as pilhas - dica nº 8 da Bíblia da Vela

Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", um tijolaço com 1308 páginas, que tive o prazer de ler de ponta a ponta, de a "Bíblia da Vela".
Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.

CUIDADO COM AS PILHAS


“Retire sempre as pilhas dos aparelhos e equipamentos que não estejam em uso, porque elas se descarragam através da resistência do circuito.”

Meu comentário: Gostaria de inventar um método infalível pra jamais esquecer coisas importantes. Alguém me ajuda?

TEXTO ORIGINAL EM FRANCES

“Quand vous n’utilisez pas vos appareils, retirez les pilles de leur logement, car elles se déchargent plus au moins à travers la resistance du circuit.”

E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta todo mundo conhece. Mas como todo mundo dela esquece, decidi incluí-la na minha lista. Saiba que na MAR a providência mais banal pode salvar sua vida. Portanto acenda uma vela pela paz da minha alma e da "Estrela d'Alva" idem. Porque essa cara de espanto? Estranhou meu pedido?  Só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Remédio pra calmaria - dica nº 7 da Bíblia da Vela



Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", um tijolaço com 1308 páginas, que tive o prazer de ler de ponta a ponta, de a "Bíblia da Vela".
Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.

REMÉDIO PRA CALMARIA

“Quando sair pra MAR, não se esqueça de levar uma lanterna mais pilhas, uma boa faca, um livro e um jogo de cartas pra divertir a tripulação durante as calmarias.”

Meu comentário: Eu trocaria o jogo de cartas por uma peça de teatro de William Shakespeare, de preferência “A Tempestade”, minha favorita. Em caso de calmaria, reúna a tripulação, distribua os papéis e promova uma leitura de viva voz. Não conheço nada mais divertido e edificante neste mundo. Aposto que vocês vão rezar pra calmaria se prolongar indefinidamente.


TEXTO ORIGINAL EM FRANCES

“N’oubliez pas de glisser dans vos affaires une lampe de poche ( et des pilles de recharge), un bon couteau, un roman et un jeu de cartes qui réunira tout le monde si le temps s’immobilise dans une pétole .”

E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida. Não se esqueça de acender uma vela pela paz da minha alma e da "Estrela d'Alva" idem. Porque essa cara de espanto? Estranhou meu pedido?  Só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quem avisa amigo é - dica nº 6 da Bíblia da Vela

link da imagem



Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", um tijolaço com mais de 1300 páginas, que tive o prazer de ler de ponta a ponta, de "Bíblia da Vela".
Decidi copiar alguns extratos desse precioso vade mecum indispensável e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.


ANJO DA GUARDA DO VELEIRO


“Toda vez que for sair pra MAR, não se esqueça de avisar à sua família e amigos sobre suas intenções.”


Meu comentário: Esta medida de segurança é óbvia e de suma importância, mas a maioria dos navegantes esquece de pô-la em prática. Quando o sempre atento diabo percebe, que um incauto marujo partiu pro reino do todo poderoso Netuno, sem avisar ninguém, começa a esfregar as mãos e a babar de prazer antecipado.



link da imagem



Eu tenho o hábito de comunicar a três pessoas, de onde estou partindo, qual o meu destino e a que horas devo chegar. Obrigado pela força amigo “Aguavel”! E mesmo assim já quase dancei duas vezes. Minha avó Balbina costuma dizer que “homem prevenido vale por dois”! Também diz que "seguro morreu de velho". Ligados?


TEXTO ORIGINAL EM FRANCES



“Pour toute sortie em mer, il est recommandé de faire connaître à sa famille ou à ses amis, ses intentions.”
.................


E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida. Não se esqueça de acender uma vela pela salvação da minha alma e outra pela salvação da alma da "Estrela d'Alva", viu? Porque essas rugas de espanto na testa? Achou estranho meu pedido? Você só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?



Bons ventos!

domingo, 12 de setembro de 2010

Navegando num canal - dica nº 5 da Bíblia da Vela

Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", um tijolaço de 1302 páginas, que eu tive o prazer de ler de ponta a ponta, de "Bíblia da Vela Francesa." Decidi copiar alguns extratos desse precioso compêndio sobre navegação à vela e traduzí-los livremente pra vocês. Espero que lhes seja útil.

NAVEGANDO NUM CANAL

“Não se esqueça que quando se navega num canal, as regras para evitar abalroamento mudam, que os barcos grandes e pequenos, à vela ou a motor devem circular à direita e que os pequenos não devem incomodar os grandes.

 


Meu comentário: Lembro-me do tempo em que não podia nem pensar em velejar no canal de Itajurú. Hoje velejo até no canal das Ostras se for preciso. Mas o problema... O grande problema é o mesmo de sempre. Os lancheiros que não tem a mínima idéia de como funciona um barco à vela e quase nunca respeitam o limite máximo de velocidade. Já disse e repito, lancheiros deveriam ser obrigados a fazer ao menos um curso de vela por ano, pra receber aula de sutileza, com os bons velejadores.

TEXTO ORIGINAL EM FRANCES

“N’oubliez pas que lorsque on aborde um chenal, les règles de barre et de route changent, que tous les bateaux, grands et petits, à la voile comme au moteur, doivent circuler à droite et que les petits ne doivent pas gêner les gros.”

E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida. Não se esqueça de acender uma vela pela salvação da minha alma e outra pela salvação da alma da "Estrela d'Alva", viu? Porque essas rugas de espanto na testa? Achou estranho meu pedido? Você só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?

sábado, 4 de setembro de 2010

Cor de adriças e escotas - dica nº 2 da Bíblia da Vela


Os navegantes franceses, amigos, chamam "Le Cours de Glénans", um tijolaço de 1302 páginas, que eu tive o prazer de ler de ponta a ponta, de "Bíblia da Vela Francesa."
Decidi copiar alguns extratos desse precioso compêndio sobre navegação à vela e traduzí-lo pra vocês. Espero que lhes seja útil.

COR DAS ADRIÇAS E ESCOTAS
É imperioso escolher cores diferentes para as adriças e escotas a bordo de um veleiro. Com qual finalidade? Para que a tripulação possa identificar cada uma delas, sem possibilidade de confução, durante as manobras.

........................
"Il faut impérativement choisir des manoeuvres de couleurs différentes, afin de faciliter le repérage du parcours des cordages."

Lembro-me sem saudades do tempo em que todas as adriças e escotas da “Estrela d’Alva” tinham a mesma cor branca, até que apareceu um velejador experiente e me disse:
- Tá doido?! 
E aí? Gostou da dica amigo velejador? Esta aqui pode simplesmente salvar sua vida na MAR. Não esqueça de acender uma vela pela salvação da minha alva e outra pela salvação da alma da "Estrela d'Alva", viu? Porque essas rugas de espanto na testa? Achou estranho meu pedido?  Você só pode ser iniciante. Nunca ouviu falar que veleiros são pessoas e tem alma?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Regulagem do mastro - dica nº 1 da Bíblia da Vela



Os navegantes franceses, amigos velejadores, chamam  "Le Cours de Glénans", um tijolaço de 1302 páginas que eu tive o prazer de ler de ponta a ponta, de "Bíblia da Vela Francesa."

Decidi copiar alguns extratos desse precioso compêndio sobre navegação à vela e traduzí-lo pra vocês. Espero que lhes seja útil.

REGULAGEM DO MASTRO

" O mastro deve ser vertical e retilíneo no plano lateral, por razões de simetria. Ele deve também:
- possuir uma pequena inclinação para ré no plano longitudinal.
- ser retilíneo no plano longitudinal ou apresentar uma pequena curvatura em repouso.

 Extrato de "LE COURS DES GLÉNANS", conhecida como a "Bíblia da Vela Francesa". 

"Le mât doit être vertical et retiligne dans le plan latéral, pour des raisons de symétrie. Il doit également:
- avoir une légère quête arrière dans le plan longitudinal.
- être retiligne dans le plan longitudinal ou présenter un léger cintre au repos."


E aí? Gostaram?

sábado, 10 de julho de 2010

Le Cours des Glénans - Grupo Altomar


Salve colegas velejadores!

 Publiquei esta mensagem no ótimo forum do grupo Altomar em 28 de novembro de 2005 e a republico agora, neste blog, com a esperança de que em algum lugar do futuro ela gere frutos. Ou será que o Brasil será eternamente o "País do Paradoxo Aquático"?

Velejadoras e velejadores brasileiros!

Preciso dizer-lhes do meu entusiasmo pela excelente escola Les Glénans. Primeira e maior escola de vela européia com mais de 14 000 estagiários a cada ano, onde realizei recentemente, 29/10 a 1/11/2005, um estágio no monotipo Week-end 14 – "Merlin", antecedido de um período de 19 dias, durante os quais trabalhei como voluntário na manutenção dos barcos da base de Marseillan de Les Glénans, no sul da França.
A força motriz de Les Glénans, que não possui funcionários é o voluntariado.
A missão dessa escola exemplar, de mais de sessenta anos de existência, instituição considerada de utilidade pública e que não possui fins lucrativos, aberta a todos sem distinção de origens culturais, status econômico, sexo ou idade, é ensinar a velejar e a viver em harmonia com o meio ambiente, desenvolvendo a solidariedade, a responsabilidade e a autonomia entre seus monitores e estagiários.
O método de ensino empregado em Les Glénans pareceu-me bastante eficaz e antes de tudo agradável e poderia ser resumido assim:
"uma curta aula teórica seguida de uma boa velejada".
Recomendo a todos, velejadoras e velejadores brasileiros, iniciantes ou não, a leitura da extraordinário livro "LE COURS DES GLÉNANS", 6a edição de 2002, considerada a "bíblia da vela" pelos navegadores franceses. Acho difícil conceber um livro mais completo e bem escrito sobre o assunto.


Chamo a atenção de vocês para a importância do projeto de inserção social através do esporte dos Glénans, "IRMÃOS DE MAR" - "Frères de Mer" em francês, já realizado em 34 cidades francesas e que seria muito indicado para o Brasil. E para encerrar dou-lhes duas ótimas notícias:



1 – A Escola de Vela Les Glénans acolhe com simpatia propostas de parcerias originárias de outros países e já fundou pelo menos duas bases no estrangeiro.

2 – O chefe da base de Les Glénans de Marseillan, sr. Hervé Colas estará passando as férias no sul da Bahia em fevereiro de 2006, a confirmar. Ótima oportunidade para convidá-lo para realizar uma palestra na sede da
sua associação ou clube de vela.

tel.: 04 67 77 22 73
fax.: 04 67 77 39 25



Peço que divulguem ao máximo esta notícia. Suponho que com algumas "filiais" da escola Les Glénans no Brasil, teríamos em pouco tempo muitos mais Torben Grael e Robert Scheidt entre nós.



Ótimos ventos!



Fernando Costa



P. S. – Poderei enviar-lhes pelo correio alguns catálogos que trouxe da escola de vela Les Glénans. Não possuo muitos, mas os que possuo estão à disposição. Gostaria de enviá-los de preferência a associações ou clube de velas interessados.



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