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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Errou alí é mastro n'água! - diário da Estrela - 6/1/2008

foto - Henrique Souza


6/1/2008 - "Após uma noite entrecortada de chamadas do despertador do meu celular (de duas em duas horas) para vigiar as traiçoeiras nuvens de chuva que nos cercavam, o dia amanheceu mergulhado numa calmaria nevoenta. O vento de SW tardou a entrar e só às 11h eu parti pra circunavegar a ilha Comprida, que deixei por bombordo, viu amigo Peter Dam? Treinamento para a sua futura "Regata das Ilhas". A parte mais emocionante da aventura foi atravessar "a mil por hora" o que chamo de "o caldeirão de água fervendo" da Redonda. Conhecem? Lugar sinistro prum veleiro de pequeno porte, quando o vento sopra forte colegas velejadores. Errou alí, é mastro n'água! Depois voltei orçando pra Cabo Frio. Difícil retorno. Vento temperamental, com rajadas fortes e inesperadas, chuva, frio em pleno verão, ondas cruzadas. É, o canal dos Papagaios não foi nada gentil conosco desta feita."

Fernando Costa

Newsletter n° 01 de 10 de janeiro de 2008

sábado, 28 de agosto de 2010

Próxima viagem - newsletter n° 12 de 2008



Lá vamos nós, eu e minha querida “Estrela d’Alva”, revisitar o paraíso de Búzios, com um evento imperdível na agenda. A inauguração da flotilha das Bateras à Vela dia 21/6/2008, a convite do meu amigo e colaborador Johnny Geribá, do Iate Clube Armação de Búzios.

partida: 16/6/2008      regresso previsto para 23/6/2008

"Estrela d'Alva" durante a inauguração da flotilha de bateras a vela em Búzios
foto de Simone Albuquerque
Búzios

Mil anos antes dos Portugueses chegarem ao Brasil, tribos Tamoios e Goiatacases já habitavam a região de Búzios. Favorecidos pela pouca defesa propiciada por Portugal para as costas brasileiras e pela generosidade do litoral com inúmeras enseadas e portos naturais, piratas franceses, ingleses e holandeses desenvolveram intensa atividade na área.
Em 1555, a França através da invasão do Rio de Janeiro, estabeleceu a chamada França Antártica. Criando bons relacionamentos com os índios das região, os franceses apossaram-se da península e construíram bases de proteção e estocagem de...

continua em link do texto

Extrato da newsletter n° 12 de 16 de junho de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

sofri o mais grave acidente - diário da Estrela


Se minha expedição de sete dias de n° 8 para Búzios foi a mais longa de todas ( 90 milhas ) esta última foi a mais curta ( 6 milhas ). Leiam meu diário de bordo do dia 7 de maio que vocês entenderão o que me aconteceu.

Passagem, Cabo Frio - 7 de maio de 2008 – Quarta-feira - 20h
2° dia da décima expedição de sete dias do corrente ano - tempo bom

Hoje, após uma velejada radical ( 28 nós de vento segundo a buowyweather.com ) em companhia do meu amigo Paulo Paes e a bordo da sua canoa à vela “Nazaré”, sofri o mais grave acidente da curta história ( 5 anos ) das minhas mini-expedições marítimas na paradisíaca Região dos Lagos/Costa do Sol.

Quando tentei passar de volta da “Nazaré” para a “Estrela d’Alva” tive minha mão esquerda imprensada entre a forqueta de metal de uma e o espelho de popa da outra. Resultado: Dor pungente, corte profundo, pequena hemorragia e grande hematoma.
Poderia fazer “mil” comentários sobre esse lamentavel acidente, mas a bem da concisão farei só três.
- Se eu estivesse usando luvas, estaria salvo.
- Se eu tivesse aceitado a sábia sugestão do Paulo Paes de arriar as velas e fazer a aproximação a remo estaria salvo.
- Se eu tivesse deixado as duas canoas baterem uma na outra para só depois apoiar a mão na popa da “Estrela d’Alva” estaria salvo.
Agora multipliquem meu acidente por um milhão e vocês terão o espantoso número de acidentes que ocorre diariamente no Brasil, por falta de respeito às normas de segurança.
- Cabofrienses! Fluminenses! Brasileiros! Meus irmãos!
Quando é que vamos aprender a usar:
Capacete na moto.
Cinto de segurança no automóvel.


E colete salva-vidas, luvas, roupa comprida, isotérmica e à prova de raios ultra violeta mais filtro solar, a bordo de nossos barcos à vela. Hein? Por favor me respondam! Quando?
Talvez nunca!
Se a prevenção de acidentes não consta do currículo de nenhuma de nossas escolas.
Se os nossos médicos preferem praticar a deplorável medicina corretiva, em vez da sábia e indolor medicina preventiva.
Se a nossa TV, em vez de exibir programas educativos no horário nobre, nos narcotiza, há mais de cinqüenta anos, com infindáveis telenovelas. Verdadeiros compêndios audiovisuais de toda sorte de patifaria.
Ah... Mas eu fui punido, eu fui muito bem punido pelo meu desrespeito às normas de segurança:
Punição n° 1 - Dois pontos sem anestesia no PU de Cabo Frio. Curiosos pra saber o que a médica de plantão, que me costurou, disse?
- Ah desculpe, a anestesia não pegou.
- É, amigos, leis e anestesia, às vezes, não pegam no Brasil. Ha ha ha ha ha. Estou rindo agora. Na hora chorei de dor. Algum de vocês já recebeu dois pontos, sem anestesia na palma da mão, um dos lugares mais sensíveis do corpo humano? Não? Então vocês não sabem do que eu estou falando.
Punição n° 2 - Quatro dias sem velejar, fundeado na Passagem e ouvindo os três barulhos que eu mais odeio no mundo:
- Barulho de motor ( o pópópó dos pesqueiros + o bbbbrrrrrrummm das lanchas )
- Barulho da sub-música que se toca alto em toda parte.
- Barulho de gente matraqueando. ( No domingo de manhã, tive de aturar um casal mais uma menina de sete anos falando sem parar. Já repararam que nós brasileiros falamos alto e sem parar? Os três estavam pescando siri na prainha, ao lado do terminal de transatlântico e pra cada siri que eles pescavam falavam umas mil palavras inúteis. Madame repetiu dezenas de vezes a seguinte fala:


“ Amor, eu cutuco o siri com o pau, mas não tenho a manha de enfiar ele no meu puçá.”

´´´´´´´´´´´´´´´´
puçá

Pequena rede de pesca, em forma de cone curto, presa a um aro circular de madeira munido de cabo, utilizada pelos índios brasileiros para pegar peixes miúdos, pitus, etc.:

Dicionário Aurélio – século XXI

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No último dia de expedição fui salvo do tédio pelo meu mais fiel colaborador, Evandro Lopes, que faria aniversário no dia seguinte. Demos uma agradável velejada ao longo do canal de Itajurú, envergando pela primeira vez a vela grande, novinha em folha, que a Cognac Velas deu de presente pra “Estrela d’Alva”. Gente, nunca vi minha canoa tão bela! Era gata borralheira. Tornou-se Cinderela da noite pro dia. Obrigado amigo Arnaldo. Obrigado amigo Evandro. Por coincidência o Arnaldo, o Evandro e eu, fomos, todos três e nesta ordem, discípulos do eterno mestre Nils Ostergren. Saúde e bons ventos mestre!

Fernando Costa

Extrato da newsletter n° 10/2008 de 15 de maio de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

viagem anterior – lagoa de araruama

origem da imagem

Lagoa de Araruama, Praia Seca, 24 de abril de 2008, sexta-feira - 20:00 h

4° dia da nona expedição de sete dias do corrente ano - tempo excelente



Salve amigas e amigos do projeto “Estrela d’Alva” aqui Fernando Costa



Hoje foi dia de festa a bordo da minha canoa alada.
- Porque?
- Porque conseguimos enfim completar, após duas tentativas infrutíferas, o longo percurso da difícil regata “Transararuama”, cruzando enfim e 40 dias depois da largada de São Pedro da Aldeia ( 15/3/2008 ), o través do Camping Clube do Brasil com vento de sul. Fácil não. Tivemos que driblar tres bancos de areia e inúmeras redes de pesca com vento de sul, inicialmente médio, evoluindo pra forte. Mas valeu a pena porque a enseada da prainha dos Ingleses é linda. A lamentar só o trágico fato da colossal lagoa de Araruama estar poluída. Depois velejamos até Praia Seca onde passamos a noite, sob um céu coalhado de pequenas nuvens de bom tempo e zilhões de estrelas. Mais um vaga-lume que voava entre as estrelas. Mais a estrela d’alva celeste boiando no zênite. Mais a lua que nasceu cor de queijo-prato e tornou-se aos poucos cor de queijo-minas.

Bons ventos a todas e a todos

Fernando Costa

Extrato da newsletter n° 9 de 1° de maio de 2008 – projeto “Estrela d’Alva”

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

colossal massa d’água



"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."

Clarice Lispector

A internet, amigos, é o único invento que corresponde às fabulosas expectativas que nutri durante a primeira parte da minha vida sobre os anos 2000. Pena que a internet como tudo que é humano é imperfeita. Queria transcrever pra vocês um extrato de “A Maçã no Escuro” da genial Clarice Lispector ( o que vocês acabaram de ler é de “A Hora da Estrela” ), mas como a obra ainda não caiu em domínio público, não se encontra disponível on line. Lamentável. Seria o trecho do romance que descreve a chegada do alucinado Martim à MAR, após sua longa e desesperada fuga por terra. Fuga da cena de um crime que ele não tem certeza que cometeu. Teria o miserável Martim assassinado sua própria mulher? Dúvida atroz para o leitor e para o próprio Martim. Seja como for, a longa caminhada do Martim até a MAR é uma das mais desvairadas “velejadas” vocabulares da história da literatura brasileira. “Velejada” radical com grande e buja em cima, sobre mar caótico e contra ventos fortes e cheios de rajadas traiçoeiras.

Me lembrei desse momento quando caminhei de Praia Seca, na beira da bela e infelizmente poluída lagoa de Araruama até a MAR, durante a minha última expedição de sete dias. Momento sempre mágico esse, em que se chega à MAR, após um período passado no interior, mesmo que seja no interior de uma das mais lindas e grandes lagoas do mundo. Fiquei tão feliz ao ver a MAR, após cinco dias de afastamento, que comecei a dançar ao som de um reggae que estava tocando numa barraca de praia. A jornalista S. C. passou na hora e fez uma foto minha, que talvez mostre a vocês. Ao chegar de volta à beira da lagoa fiquei deprimido. O água da MAR estava verde-claro-esmeralda-transparente e a da lagoa verde-musgo-esgoto-opaca.

Cabofrienses! Fluminenses! Brasileiros!

Meus amigos, meus conterrâneos, meus irmãos, salvemos, pelo amor da mãe natureza e de nós mesmos, a imensa e bela lagoa de Araruama do tétrico destino que a ameaça.

Essa colossal massa d’água que recebemos de presente da divindade precisa voltar a ser, como já foi, verde-claro-esmeralda-transparente, há vinte anos atrás. A bela e imensa lagoa de Araruama, meus irmãos, poderia ser o maior parque aquático natural brasileiro, ótimo para a prática de todos os esportes e lazeres náuticos e está se tornando charco, mangue, brejo, pântano, por culpa de nossa omissão. Lamentável. O centro de Araruama, Iguaba e a praia do Siqueira me pareceram os pontos mais críticos, a julgar pelas minhas rudimentares observações oculares e olfativas.

Bons ventos a todas e a todos

Fernando Costa

Extrato da newsletter n° 9 de 1° de maio de 2008 – projeto “Estrela d’Alva”

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

o certo depois do errado - diário da Estrela

foto - Henrique Souza

Salve amigas e amigos velejadores!

Após ter realizado uma longa série de curtas “viagens” a título de experiência, com duração de 1, 2, 3 e 4 dias, ao longo dos meses de abril, maio e junho, totalizando exatos 45 dias inteiros dentro d’água, partirei amanhã, 9/7/2007, para a primeira expedição de 7 dias do ano. Intenção – Circunavegar pela segunda vez a ilha de Pargos e revisitar por mar a praia da Ferradura em Búzios.



Depois de ter feito o errado fiz o certo. Porque será que nós seres humanos só fazemos o certo, quando o fazemos, após termos feito o errado? Quem já viu um bípede implume acertar de prima? Hein? Vejam o meu caso. Quis começar por uma expedição marítima de 13 dias. Ha ha ha! Cometi uma dezena de erros graves e primários e quase dancei. Aprendi o óbvio. Quem quiser disputar a maratona deve começar correndo um quilômetro. Depois 2, depois 3, depois 4, depois 5 e assim por diante até chegar aos famosos 42 192 m. E não podemos esquecer que o primeiro maratonista, Felípides morreu justamente, por não respeitado esse princípio didático.

Bons ventos

Fernando Costa



Newsletter n° 1/2007 do projeto Estrela d'Alva

- Será que já morri e fui pro céu? - diário da Estrela





viagem anterior – rio das ostras/búzios

Praia de Manguinhos, Búzios, 10 de abril de 2008, sexta-feira - 20:00 h

4° dia da sétima expedição de sete dias do corrente ano - tempo excelente

"Acabo de realizar, amigos, a melhor velejada da minha curta vida de velejador solitário (cinco anos). Parti às 14h 30 do Iate Clube de Rio das Ostras e atraquei ao cais novo de Manguinhos às 20h 30. Como dizer pra vocês, com palavras, dos inúmeros prazeres que essa homérica velejada de seis horas de duração me proporcionou?

.............

Tudo estava tão perfeito, a MAR, ligeiramente agitada por pequenas ondas de E, mais um suave swell de NE, o delicado e morno vento-brisa de E, o céu azul emoldurado por cúmulos de bom tempo. A luz doce do sol, filtrada por uma sutil névoa seca. E mais tarde, quando a noite caiu, a romântica lua em quarto crescente, acompanhada por milhões de cintilantes estrelas, mais o planeta Vênus, que todos sabem, é a estrela d'alva, sem aspas e com letras todas minúsculas. Porque "Estrela d'Alva" entre aspas e com iniciais maiúsculas é uma só, minha querida canoa alada.

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 Minha felicidade foi tanta que vim acariciando a superfície macia e morna da água da MAR com a mão direita. Porque da MAR e não do MAR? Porque como disse na minha newsletter anterior o MAR pra mim e para os franceses é feminino em tudo. Ruído a bordo? Só dois. Ambos agradáveis. O da proa da minha canoa alada cortando as tranquilas ondas da MAR, mais o barulhinho gostoso da prancha de surf deslizando à flor d'água e seguindo obedientemente a "Estrela d’Alva", como o bezerrinho segue a vaca. Eu vim o tempo todo sentado confortavelmente no fundo da canoa, comendo, quando me dava fome, azeitonas-verdes ou maçãs-gala, olhando maravilhado a paisagem e me perguntando de tempos em tempos:
- Será que já morri e fui pro céu?


Mas se vocês pensam que isto é tudo que me aconteceu de agradável ou emocionante ao longo desta última expedição, estão redondamente enganados. Leiam:
- Ultrapassei o “limite norte”, indo pela primeira vez até Rio das Ostras.
- Recebi três elogios entusiasmados, feitos à minha querida “Estrela d’Alva”, por três mulheres diferentes (coisa muito rara... as mulheres em geral adoram as lanchas a motor e menosprezam as canoas à vela...). Uma pescadora em Manguinhos. (-Que barquinho bonitinho moço!) Uma surfista na enseada da praia dos Ossos. (-Seu barco é lindo! - Não, não, a tal surfista não estava surfando, estava nadando... Porque na praia dos Ossos não tem onda pra se surfar.) E uma velejadora na enseada da praia de Armação de Búzios. (-Que maravilha sua batera à vela!)

...................

- Dormi sete noites na cama mais macia do mundo, a cama de um pequeno veleiro ancorado numa enseada tranquila. Quatro delas do jeito que mais gosto, ao relento.
- Assisti a cinco nasceres e a sete pores de sol.
- Sobrevivi a uma tempestade noturna na enseada da praia da Tartaruga, em Rio das Ostras.
- Fui atacado pela louca da prancha de surf em Rio das Ostras.
- Almocei no Icab a convite e em companhia do meu amigo Johnny Geribá.
- Vi trinta e cinco veleiros velejando.
- Velejei por alguns minutos em companhia do nosso amigo Joel Damasceno. Ele a bordo da sua nova batera à vela “Atrevida”, eu a bordo da minha companheira de sempre, a intrépida “Estrela d’Alva”. Porque intrépida? Porque ela jamais treme diante do perigo. Eu, já não posso dizer o mesmo de mim.

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- Vi o nosso amigo Quintão dando uma aula de vela a bordo do Ranger 22 “Xodó”, na enseada da praia de Manguinhos.
- Tomei um bom café feito pelo comodoro do Iate Club de Rio das Ostras, o sr Helinho, porque a secretária dele havia faltado ao trabalho por motivo de saúde.
- Examinei de perto o sofisticado (e segundo o Johnny, rapidíssimo) trimarã “Laura’s” (um projeto revolucionário) no Iate Clube de Búzios.
- Visitei pela primeira vez o providencial pier novo de Manguinhos. Cabo Frio precisa urgentemente de um igual.
- Tive, no mínimo, cinco idéias originais. Porque, como sabem, um veleiro navegando em solitário é uma não-máquina-de-pensar.

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- Velejei um total de 90 milhas sem poluir a água, o ar ou o som.
- Apertei pela primeira vez a mão do grande velejador Kiko “Brasil 1” Pelicano.
- Vi uma cena extraordinária e pra mim inédita, em Búzios. Uma jovem mulher velejando um laser em companhia dos seus dois filhinhos... Pensei imediatamente no nosso amigo Mario Hamers... O Mario me disse, há algum tempo, que a estratégia de marketing dele consistia em ensinar vela às crianças. Mario, que tal você ensinar vela às mães das crianças primeiro? De que adianta ensinar vela às crianças, se as mães das crianças assistiram filmes hollywoodianos de tragédias na MAR, quando adolescentes e não cessam de apavorar seus filhos com medos infundados? Detalhe importante. Antes de ensinar as mães das crianças a velejar, sugiro apresentá-las ao simpático Breno da Ventura Esportes. A especialidade do Breno é tirar o medo da MAR das pessoas. Medo inconsciente e infundado, é lógico. A terra é dez vezes mais perigosa que a MAR. E não sou quem diz isso? Só estou repetindo o que o Lars Grael e o Amyr Klink escreveram.

Eu e minha intrépida "Estrela d'Alva", a canoa alada - foto de Henrique Souza

- Circunaveguei enfim, em grande estilo a caprichosa ilha de Pargos, que estava devendo a vocês desde o ano passado. (Estou apostando uma boa garrafa de vinho com os amigos Johnny Geribá e Joel Damasceno das bateras à vela “Habilidosa” e “Atrevida”, como eles não conseguem circunavergar “Pargos” em menos de duas horas.)
- Entrei no canal de Itajurú à noite, com duas velas em cima, contra a corrente de maré e o vento de NE e consegui driblar dois pesqueiros dos grandes que estavam manobrando no meio do canal.

..........................

- Enquanto isso vocês... por favor não falem, que vou adivinhar.
Enquanto isso vocês ficaram em terra, vivendo aquela vidinha medíocre de personagem de novela televisiva de sempre: Casa-trabalho. Trabalho-casa. Ou seja, intrigas mil, ação zero. Não é verdade?
- Não, por favor, não se ofendam, que este último parágrafo é pura provocacão! O que mais desejo é que vocês todos se rebelem contra a famigerada sociedade-de-consumo e venham me fazer companhia na MAR, sete dias sim, sete dias não, sempre a bordo de um veleiro e jamais de um barco a motor, que barco a motor, só serve pra poluir a água, o ar e o som. Ligados?

Bons ventos a todos e não se zanguem com minhas pseudo-insolências que, como escreveu o poeta, "só amor me move".

Fernando Costa

Newsletter n° 8 de 17 de abril de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

deleite do surf


19/1/2008 - "Após uma noite desconfortável, por culpa das ondas grandes de NE, passada na que eu chamo "toca dos tucuns", consegui enfim circunavegar as ilhas Emerência de Dentro e de Fora. Depois rumei em direção a Breu. Mas nas proximidades da ilha o vento aumentou de intensidade e as ondas começaram a crescer. Ficando grandes demais para o tamanho da minha canoa alada. Coloquei entao a proa em Pargos, com o objetivo de me abrigar atrás da ilha.

Lá chegando, percebi que estava conseguindo velejar sempre à frente da área de ventos mais fortes e decidi seguir viagem de volta para Cabo Frio. Velejei o tempo todo com o vento entrando exatamente por uma das alhetas, com um pedacinho de bolina n'água, para dar apoio ao leme, como recomenda mestre João G. Smith. Bela velejada de mais de duas horas, oscilando entre o deleite do surf e o receio da capotagem. No través da ilha de Pargos um helicóptero sobrevoou a Estrela d'Alva a baixa altitude, e eu fiquei sonhando que se o nosso amigo Alexandre Haddad estivesse a bordo, com sua inteligente e ágil câmara no ombro, faria uma bela tomada de topo da minha pequena-grande performance."

Fernando Costa

Newsletter n° 2 de 24 de janeiro de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

só de sunga e camiseta - diário da Estrela


15/3/2008 – Iguaba Grande – 5° dia da sexta expedição de sete dias do corrente ano.

Adorei participar da XXVII regata Transararuama pelas seguintes razões:

- Ver um grande número de barcos à vela velejando. Se avistar um só barco à vela velejando me deixa feliz, imaginem ver dez, vinte, trinta, cinqüenta de uma só feita.

- Assistir um ousado grupo de brasileiros enfrentando o mau tempo ( chuva, frio, nevoeiro e ondas relativamente grandes ) a bordo de seus pequeninos monotipos ou catamarãs, coisa rara entre nós.

( Nós brasileiros gostamos de velejar com céu azul, sol brilhando, só de sunga e camiseta e após termos bebido umas boas cervejas, não é verdade? Os gringos, ao contrário, velejam sóbrios e com qualquer tempo. Lembro-me que durante o período que passei na base de Marseillan dos Glénans, vi praticamente todos os barcos da escola, alguns cheios de velejadores iniciantes a bordo, saírem pra velejar debaixo de uma frente fria, em pleno mês de outubro, com a tramontana assobiando nos estais a 25 nós. Encantado com aquela prova de competência e coragem dos franceses apertei a mão do chefe da base. Monsieur Hervé Colas, filho do grande, do audaz, do legendário Alain Colas. )

- Ouvir os elogios que vários velejadores fizeram à minha querida “Estrela d’Alva”.

Mas não consegui terminar a regata. A noite caiu. O vento resfrescou e eu fui obrigado a arribar no través da ponta das Bananeiras. Passei uma noite desconfortável em Iguaba Pequena, com a "Estrela d'Alva" dançando o samba do crioulo doido, debaixo de muita chuva e sendo arrastada metro a metro para a margem da lagoa, apesar das duas âncoras, e um bom pedaço de corrente no fundo. Mas como eu sou aquele que nunca desiste, acordei cedo no domingo. Icei as velas e continuei navegando rumo a Araruama. Ultrapassei Lake View, dobrei a ponta do Frei João, depois a do Anzol, indo além do través do centro de Araruama. Mas ao tentar dobrar a ponta do Hospício e dar entrada na pequena enseada, que fica diante da prainha dos Ingleses, local da chegada da Transaruama e de uma das filiais do Camping Club do Brasil, encalhei umas cinco vezes consecutivas em diferentes pontos do canal. Podia ter levantado a bolina e substituído o leme da Estrela d’Alva por um remo ( apoiado numa forqueta especial, que instalei na popa com essa finalidade ), mas aí o vento refrescou de novo, o que torna essa manobra arriscada e eu decidi voltar para Cabo Frio. A volta foi emocionante! 25 milhas percorridas em quatro horas, ao sabor de um forte vento empopado de SW. Ano que vem, se eu ainda estiver vivo, tentarei de novo. Gostei muito dessa regata e queria deixar aqui meus parabéns aos seus organizadores, patrocinadores, comissão de regata e a todos os velejadores participantes, em especial aos amigos César Pé de Vento, Pedro Santa Rosa, Evandro Lopes, Jefferson e Pedrinho dos Caiaques. Meu muito obrigado ao simpático György Szendrödi, pelo convite.



A lamentar só o trágico fato da imensa e linda lagoa de Araruama estar poluída. Mas ainda tenho esperanças, que os habitantes, da antes paradisíaca Região dos Lagos, consigam com muito trabalho e perseverança reverter esse absurdo processo de destruição de um patrimonio natural tão precioso. A lagoa de Araruama, amigos, poderia ser o parque aquático natural, maior e mais lindo do Brasil e está se transformando em charco.



Fernando Costa

Newsletter n° 6 de 20 de março de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

cogumelo de bomba atômica - diário da Estrela - 2/3/2008





2/3/2008 – Laguna do Japonês – Cabo Frio – Éolo e consequentemente Netuno se acalmaram e eu pude enfim dar uma longa e agradável velejada triangular com grande e buja em cima. Forte de São Mateus – Ilha dos Porcos – Ilha dos Papagaios – Forte de São Mateus. Pretendia montar a caprichosa ilha Redonda, mas dois ameaçadores cumulus-nimbus em forma de cogumelo de bomba atômica me cercaram e eu tive de fugir em direção a Arraial do Cabo e posteriormente  me recolher ao Canal de Itajuru, com a cara assustada de camundongo fugindo de gato.

Fernando Costa

Newsletter n° 5 de 5 de março de 2008 - projeto Estrela d'Alva

ventos cada vez mais fortes - 16/2/2008 - diário da Estrela





16/2/2008 – Praia do Forno – Arraial do Cabo – Ou a buoyweather.com errou feio ou Éolo enlouqueceu. Só sei que em vez dos 7 a 9 nós de vento de NE previstos, vieram 25 a 30 nós ( estimados ), com rajadas violentíssimas, acompanhadas de rondadas bruscas de vento que fizeram a retranca da “Estrela d’Alva” beijar várias vêzes a água salgada. Isso com a grande devidamente rizada e sem a presença da buja. No empopado, acreditem se quizerem, as bandeirolas de viscose fremiam, voltadas para a proa. Confesso que tive medo do mastro quebrar e prometi a mim mesmo instalar dois estais volantes antes da próxima expedição. Só para voces terem uma idéia, o único veleiro que partilhou comigo, hoje, o largo e belo canal que separa a ilha de Cabo Frio do continente, rasgou a buja. Quando digo a vocês que os ventos estão se tornando cada vez mais fortes e frequentes na paradisíaca Região do Lagos...

Fernando Costa

Newsletter n° 04 de 20 de fevereiro de 2008 - projeto Estrela d'Alva

domingo, 15 de agosto de 2010

ninfas de Netuno - diário da Estrela



Ninfas de Netuno

diário de bordo da Estrela d'Alva

1/2/2008 - 23 h - Acordei tarde hoje, após uma noite muito mal dormida na laguna do japonês, por conta do ataque de uma impiedosa gangue de violentos mosquitos. Em contrapartida meu café da manhã foi uma saborosa velejada em linha reta e través bem folgado até Arraial do Cabo, onde circunaveguei, uma após a outra, as ilhas do Pontal e dos Porcos. No momento estou ancorado na enseada da praia dos Anjos. O céu está crivado de um milhão de estrelas. O carnaval está apenas começando e eu vou dormir embalado por uma das ninfas do colossal Netuno."

Fernando Costa

Newsletter n° 03 de 7 de fevereiro de 2008.
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