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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

bulbo de proa - construção naval


Os escultores Luiz Costa e Claudio Gomes da Costa estão finalizando um bulbo experimental em cimento, a ser instalado na extremidade da bolina da Estrela d’Alva. A intenção é aumentar a estabilidade da embarcação, cujas vantagens seriam maior segurança, conforto e velocidade. Estou torcendo pra dar certo, mas se der errado tentaremos de novo. Segundo o fotógrafo André Kertesz, o erro é uma grande escola.

Depois de ter feito o bulbo de fibra de vidro do “Alegria”, preciso fabricar o bulbo de chumbo da Estrela d’Alva. O teste com o bulbo de quilha experimental foi positivo... Mudou tudo pra melhor. Laminando o bulbo de proa do pequenino “Alegria” eu aprendi com se faz um bulbo. Obrigado mestre T. S.!

Fernando Costa

Newsletter n° 1/2007 do projeto Estrela d'Alva

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

o certo depois do errado - diário da Estrela

foto - Henrique Souza

Salve amigas e amigos velejadores!

Após ter realizado uma longa série de curtas “viagens” a título de experiência, com duração de 1, 2, 3 e 4 dias, ao longo dos meses de abril, maio e junho, totalizando exatos 45 dias inteiros dentro d’água, partirei amanhã, 9/7/2007, para a primeira expedição de 7 dias do ano. Intenção – Circunavegar pela segunda vez a ilha de Pargos e revisitar por mar a praia da Ferradura em Búzios.



Depois de ter feito o errado fiz o certo. Porque será que nós seres humanos só fazemos o certo, quando o fazemos, após termos feito o errado? Quem já viu um bípede implume acertar de prima? Hein? Vejam o meu caso. Quis começar por uma expedição marítima de 13 dias. Ha ha ha! Cometi uma dezena de erros graves e primários e quase dancei. Aprendi o óbvio. Quem quiser disputar a maratona deve começar correndo um quilômetro. Depois 2, depois 3, depois 4, depois 5 e assim por diante até chegar aos famosos 42 192 m. E não podemos esquecer que o primeiro maratonista, Felípides morreu justamente, por não respeitado esse princípio didático.

Bons ventos

Fernando Costa



Newsletter n° 1/2007 do projeto Estrela d'Alva

tempestade no MAR


Andei pesquisando o tema tempestade nos arquivos dos grupos “Hisse-et-oh” e “Altomar” e selecionei os seguintes extratos de mensagens, a título de curiosidade:

hisse-et-oh

“Voces já ouviram o barulho do mar em dia de tempestade ? A centenas de metros o barulho é infernal, mesmo quando o vento diminui de intensidade, o MAR continua a bramir.”

Ecume29 11-03-2008
meu comentário: A discussão a respeito de tempestade no forum de “hisse-et-oh” começou com a exibição das impressionantes imagens que voces poderão visualizar ao som de um trecho do divino “Requiem” do genial Amadeus Mozart em...


Olhando pra essas poderosas imagens não nos resta a mínima dúvida de que uma tempestade é mil vezes mais perigosa na margem que no meio do oceano. Portanto em caso de tempestade fuja ( se isto for possível ) para o meio do seu oceano amigo velejador e afaste-se de terra como o diabo foge de cruz. Fico imaginando quantos barcos já naufragaram por terem contrariado esse procedimento básico. Uma tempestade arremessando ondas contra uma costa rochosa é um liquidificador de moer navios. Parabéns ao Jean-René Keruzoré pelas expressivas imagens da tempestade, mas eu trocaria o Requiem de Mozart por um certo extrato de uma certa sinfonia de Beethoven como trilha sonora.
- Qual?
- A Terceira ou Heróica, que ele compôs em homenagem a Napoleão Bonaparte e mais tarde suprimiu a dedicatória quando este sagrou-se imperador.



Altomar

“Para minimizar os riscos de uma velejada é mais importante tomar as decisões corretas na hora certa, do que estar materialmente equipado para enfrentar tempestades.”
"É melhor estar no porto invejando quem está velejando do que estar no MAR invejando quem está no porto."

Luiz - 1 de Fev de 2008

meu comentário: Estou de pleno acordo com tudo que o Luiz diz na mensagem n° 51869 do importante forum do grupo Altomar. Mas cito, por amor ao debate, um outro provérbio, cuja origem desconheço, que reza...

“Quem muito consulta a Meteorologia jamais larga do cais.”


Grande abraço e bons ventos a todas e todos

Fernando Costa

Newsletter n° 8 de 17 de abril de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

só faz sentido existir pra melhorar



No princípio, amigos, eu só gostava de velejar. Depois descobri o imenso prazer de aperfeiçoar a minha canoa, que nasceu batera à remo e foi sendo transformada pouco a pouco em veleirinho de fortuna, cada vez mais eficiente, com a ajuda de praticamente todos velejadores que cruzaram meu caminho nos últimos três anos. Atualmente gosto até de fazer o que nós brasileiros mais detestamos, a famigerada manutenção. Mas confesso que criar, inventar e implementar soluções novas, aperfeiçoar enfim a minha humilde embarcação me deixa super feliz. Talvez porque só faça sentido existir pra melhorar.
Curiosos pra ler minha agenda de manutenção desta semana?

Lavar as velas com água doce.

Retirar e passar óleo diesel no mastro.

Furar o costado e instalar um parafuso no fuzil de boreste.

Instalar mais dois parafusos com gancho, no costado, para prender a barraca.

Raspar, lavar, deixar secar e lixar o fundo da embarcação.

Realizar vários consertos no fundo da embarcação com araldite e pó de serra.

Pintar o fundo da embarcação de vermelho.

Retocar pintura branca do costado.

Reforçar a caixa de bolina.

Vedar a tampa da gaiúta.

Retirar as tábuas do paineiro, colocar para secar e depois pintá-las de branco.

Instalar dois mordedores e duas alças no convés, para passagem da escota da segunda buja e para fixar os novos estais volantes.

Fixar melhor os galões cheios de ar no interior do barco.

Inventar um sistema para içar o bulbo.

Criar um trapézio de fortuna.

Como vêem terei muito com que me divertir, antes da partida para minha oitava expedição de sete dias do corrente ano. É bem verdade que velejar é mil vezes melhor que realizar a rotina de manutenção, mas sem realizar uma boa rotina de manutenção, não é possível velejar agradavelmente. Em suma temos de manter e melhorar periodicamente nosso barco à vela, para velejarmos com segurança, conforto e elegância. Não, não estou dizendo isso pra vocês. Estou dizendo isso pra mim mesmo. Deveria repetir essa frase mil vezes até me convencer dessa verdade simples e profunda, que teima em escapar da minha mente: tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, para velejar com segurança, conforto e elegância.

1 - tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, para velejar com segurança, conforto e elegância.
2 - tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, par velejar com segurança, conforto e elegância.
3 - tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, para velejar com segurança, conforto e elegância.
4 - tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, para velejar com segurança, conforto e elegância.
5 - tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, para velejar com segurança, conforto e elegância.
6 - tenho de manter e melhorar periodicamente meu barco à vela, para velejar com segurança, conforto e elegância.

Fernando Costa

Newsletter n° 7 de 3 de abril de 2008. 

pânico em alto mar - filme



sinopse do filme

Grupo de amigos passa um final de semana em alto mar, velejando num luxuoso veleiro. Quando decidem dar um mergulho, se esquecem de instalar a escada para retornarem para bordo da embarcação - que é muito alta e impossível de escalar. Eles ficam presos na água, à mercê de todos os perigos possíveis. A reunião que deveria ser alegre se torna uma luta pela sobrevivência. Suposta continuação de "Mar Aberto", feito em 2003.

*********

Vi ( e lamentei ter visto esse filme ), por causa de um comentário que o Amyr Klink faz dessa terrivelmente trágica estória no seu livro “Paratii entre dois pólos”. Ou será que foi em “Cem dias entre céu e mar?” Ou será que foi em “Linha d’Água”? Não me lembro bem. O filme é horrível, como horrível é quase tudo que Hollywood tem produzido ultimamente. Vendo o filme passei o tempo todo pensando em como essa estória teria se passado na realidade. Com certeza diferente de tudo que o roteirista do insosso, inodoro e incolor "Pânico em Alto Mar" imaginou e os péssimos atores, bonitinhos, mas ordinários, representaram. A cena do telefone celular é uma afronta à inteligência do espectador. A do suposto dono canastrão do veleiro, responsável por toda tragédia, procurando uma faca no fundo do mar a 300 metros de profundidade é outra. A cena dos personagens sobreviventes bebendo água da chuva é ridícula. O fato do veleiro, mesmo com as velas arriadas, não se afastar nem um milímetro dos sobreviventes durante uma tempestade é o maior absurdo. É no que dá fazer um filme sem antes consultar a sábia galera do Altomar.


Apesar da decepção aprendi uma lição, que já sabia. Não é o MAR que nos mata, amigos marujos. São os nossos erros mais banais que o fazem. O que ando pesquisando é como me impedir de cometer erros no MAR, se esses erros no principio são conseqüência natural da nossa falta de experiência e no fim, quando nos tornamos experientes, do nosso excesso de auto-confiança. Hein? Alguém tem resposta pra minha pergunta? Oferecerei um pequeno prêmio, uma camiseta com a logomarca da intrépida canoa a remo e a vela “Estrela d’Alva”, a quem me ajudar a resolver essa difícil questão.

Fernando Costa

Newsletter n° 7 de 3 de abril de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"
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