Ei! Não deixe de visitar as outras páginas!

Mostrando postagens com marcador Tabarly. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tabarly. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tabarly veut participer de la prochaine Vendée Globe - News





Erwan Tabarly, le neveu du grand Éric Tabarly s'intéresse au prochain Vendée Globe
En terminant troisième de la Solitaire du Figaro, il signe son meilleur résultat en solitaire. Après avoir participé au Trophée Jules Verne l'année dernière, Erwan s'intéresse au prochain Vendée Globe.

terça-feira, 17 de maio de 2011

“Jacaré chocando ovo” – importado de outro blog


Muito bom dia colegas velejadores!



Assim como alguém que promove um churrasco no fds, regozija-se em partilhar com os amigos, os melhores cortes de carne, que encontrou num certo açougue, da mesma forma quero comentar com vocês um post que li ontem, no “Tendance Bleu”, um dos meus blogs favoritos. Mestre Machado dizia algo assim. “Compro minha carne no melhor açougueiro, mas...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Canção da Partida - canção - post reciclado



Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem-querer
Se Deus quiser, quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer A ESTRELA D'ALVA me acompanha
Iluminando o meu caminho
Eu sei que nunca estou sozinho
Pois tem alguém que está pensando em mim

Dorival Caymmi



Você sabia que a Estrela d’Alva não é na realidade uma estrela, mas um planeta? Você sabia que o nome desse planeta é Vênus? Você sabia que Vênus é a deusa do Amor na mitologia grega? Você sabia que a Estrela d’Alva é o terceiro astro mais brilhante no céu da Terra após o Sol e a Lua? Você sabia que o símbolo astronômico da Estrela d’Alva ou planeta Vênus é exatamente o mesmo utilizado em biologia para designar o sexo feminino, um círculo com uma cruz virada para baixo?
Você sabia que um dia em Vênus dura mais que um ano? E agora o mais importante: Você sabia que um veleirinho muito parecido com a “Estrela d’Alva”, chamado “Vaurien”, que foi fabricado aos milhares a partir da década de 50 do século passado, mudou para melhor a história da vela na França. Atualmente 75% dos veleiros navegando pelo mundo são franceses, contra 0.001% de brasileiros. Estatíscas a confirmar. Se você me “jurar” que já sabia de tudo isso, parabéns, seu prêmio será um passeio em volta da ilha dos Papagaios, a bordo da canoa alada “Estrela d’Alva”. Precisa ter coragem, viu? Que a "Estrela d'Alva" apesar de indômita é instável e eu costumo velejar com ela à la Tabarly, ou seja com tudo em cima.

Fernando Costa

Newsletter n° 7 de 3 de abril de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A eterna novidade do mundo - Intempestivo

EM BRASILEIRO

Ao longo dos tempos a mídia viciou o leitor na última novidade.
No que acabou de acontecer.
É o que eu chamo de jornalismo do furo.
Inferior ao jornalismo de essência, praticado, por exemplo, pela substâncial POLYRAMA da Barbara Fournier, objeto do meu recente post "Água! Água! Água!"
Esse vício da novidade pra mim é tão grave quanto a gula, pecado capital responsável pela pior pandemia que o mundo já viu, a obesidade.
O vício da novidade leva à obesidade mental.
E a obesidade física ou mental é um pacote de no mínimo dez doenças graves.
Confesso a vocês que desprezo a novidade em prol da essência, da medula, da semente.
Valorizo o eterno em detrimento do simplesmente novo.
Porque o eterno é a eterna-novidade.
A eterna-novidade é light, é essencial como a água de um côco, colhido num coqueiro de ilha deserta, após uma velejada de cinco horas contra vento forte de SW. Sacia sem jamais engordar.


EM PORTUGUÊS

"Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo... "
Alberto Caeiro no meu poema favorito de Fernando Pessoa 
"O guardador de rebanhos"

Acabei de escrevê-lo, e este prólogo está ainda claudicante.
Daqui a uns três ou quatro dias prometo-lhes um melhor.
Disse tudo isso, pra chamar a atenção de vocês pro extrato de uma entrevista já antiga, de um já velejador também antigo e desconhecido do público, pelo menos no Brasil: Jean-François Deniau.
A entrevista é ótima apesar de antiga. Leiam! Está em francês, mas francês é tão fácil ou tão difícil quanto seu irmão português. Não desanimem. Queria publicar a entrevista toda, mas isso não é justo, nem legal. Publico apenas uma pergunta e uma resposta. A entrevista é de 20 de abril de 2006 e sua validade se estende para os próximos 6.000 anos. Talvez por não ter seguido o sábio conselho de mestre Jean-François, é que neste exato momento, o único bi-campeão da Vendée Globe esteja embarcando seu bólido-alado-de-asa-quebrada-Foncia num cargueiro, de volta pra França. Estou falando é claro, do grande Michel Desjoyaux, que foi obrigado a abandonar a "Barcelona World Race Around" após a quebra da parte superior do super mastro do seu veleiro hiper-high-tech.


EM FRANCÊS

Quelles différences voyez-vous entre la plaisance et une régate ou une course au large ?
Il y a deux écoles. Celle de Tabarly, qui est de gagner. Et celle de Moitessier, qui est de vivre en mer. Quand Moitessier s'aperçoit qu'il est en train de remporter la course autour du monde, il abandonne, poursuit sa route, file vers Tahiti et explique : « Je ne veux pas perdre mon âme. » C'est pas pareil que de vouloir gagner une compétition et de sans arrêt être à la limite. Pour Tabarly, ça passe ou ça casse. Dans les deux cas, il y a quand même une règle à ne pas oublier : respecter la mer.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Tabarly - trailer do filme de Pierre Marcel - vídeo - post reciclado

Salve amigas e amigos visitantes!

Estou recomendando este filme a vocês sem ainda tê-lo visto.
- Porquê?
- Porque confio na minha intuição, que às vezes falha, é verdade. Mas tenho quase que certeza que desta vez ela funcionou. Eu adoraria ver Tabaly, o filme, agora mesmo, mas vou ter de esperar mais um pouco.
Se algum de vocês já viu o filme, por favor, deixe-me um
comentário de presente.
Bons ventos!

Fernando Costa

link do vídeo


EM FRANCÊS

Présentation

"On souhaite s'approcher de ceux que l'on admire, pour les écouter, les connaître. Mais ces hommes-là ne racontent pas leur histoire, ils la vivent. Rencontrer Eric est déconcertant. Un homme de discrétion et d'humilité. Une présence, imposante. Des mots simples et un humour pudique. Je regrette de ne pas l'avoir mieux connu. Mais si je l'avais connu davantage, en aurais-je su beaucoup plus ?
Parrainé par l'Association Eric Tabarly, le film de Pierre Marcel évoque le parcours hors norme du marin et son extrême sensibilité. S'appuyant sur une documentation unique d'archives radiophoniques et audiovisuelles, françaises et étrangères, professionnelles et amatrices, inédites pour la plupart, le documentaire nous fait revivre les courses au large, les arrivées discrètes ou triomphales, en solitaire ou en équipage, au long des trente-cinq années de suprématie des Pen Duick sur toutes les mers du monde.
Tabarly : la symbiose parfaite entre un homme, un bateau et la mer. Si Tabarly ne voulait pas être un homme à messages, il demeure pour toujours exemplaire."


Jacques Perrin, producteur.

link-da-imagem


La critique [evene]  - le 10 Juin 2008 par Emilie Deschamps

Produit par Jacques Perrin pour les dix ans de la mort d'Eric Tabarly, ce documentaire vise à faire connaître l'homme caché derrière la légende du marin. Pierre Marcel a choisi de n'utiliser que des images d'archives et la voix d'Eric Tabarly, préférant que cet homme pudique et peu bavard face aux journalistes se raconte lui-même. Depuis sa découverte de la navigation sur le légendaire Pen Duick, acheté par son père, jusqu'à cette nuit de juin 1998 où il disparut en mer d'Irlande, le film revient ainsi sur les records, déboires et innovations techniques d'un personnage hors du commun. Le travail de montage est exceptionnel et... link-do-texto 


link-da-imagem


EM INGLÊS

Arguably Europe’s most influential sailor of the 20th Century, Eric Tabarly is the subject of a superb film shown last weekend on the closing night of the Newport International Film Festival (Rhode Island, U.S.A.). Released a year ago in France on the 10th anniversary of the death of the French hero, Tabarly has only been shown three times on the west side of the Atlantic, and only recently acquired English subtitles.

Born in 1931, Tabarly joined the French navy, but for most of his career in the service represented his country as a competitive sailor. Sailing Pen Duick II, his fame across France was instant when, in 1964, he clobbered the British sailors in the fledgling singlehanded transatlantic race called OSTAR, from Plymouth, England, to Newport, R.I. In his next boat, an even more innovative design of his own called Pen Duick III, he handily won the most famous British distance race, around Fastnet Rock (Ireland) and back. He probably would’ve won the Whitbread Around the World Race aboard the maxi ketch, Pen Duick VI, in 1973, were it not for his dismasting on the first leg; he still put his boat back together and had the best performance for the rest of the race. And in his radical foil-borne trimaran, Paul Ricard, Tabarly set a west to east transatlantic record of just over 10 days. Tabarly also trained a generation of French offshore sailors, who have dominated the sport for the last 20 years.
But in my mind, the highlight of Tabarly’s sailing career and of the film, was his’s second OSTAR victory, in 1976, when he raced Pen Duick VI…a boat designed to be managed by a full crew of 14. Tabarly beat his protege, Alain Colas, who had won the previous race (in Tabarly’s trimaran, then called Pen Duick IV) and was heavily favored to win in a four-masted schooner, the 231-foot Club Mediterrannee. Tabarly survived a savage storm in the process and, I should add, was the last skipper to ever win the race in a... continua em link-do-texto 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A MAR faz sonhar...


Se você anda se perguntando, amiga leitora,  porque cito tanto a França neste nosso blog dedicado à divina MAR, à inteligente VELA e ao sagrado MEIO-AMBIENTE, leia este post, que importei especialmente pra vocês da revista-papel "Label France" e saiba porque.

Fernando Costa

A França, por ser um imenso istmo entre a Europa do Norte e a Europa do Sul e possuir o maior espaço náutico europeu, com mais de 5.500 quilômetros de costa, está naturalmente voltada para o mundo marítimo.

Se o elo orgânico entre o meio marítimo e a França manifestou-se, nos séculos passados, por uma frota numerosa de poderosos navios, com entrepostos de comércio marítimos em todos os continentes e vários navegadores, como Bougainville ou Dumont d’Urville, descobridores da Antártida, partindo para explorar nosso planeta, essa relação entre o mar e o povo francês apresenta hoje múltiplas faces, menos espetaculares mas sempre indicativas do amor dos franceses pela MAR.

Ao longo dos séculos XIX e XX, graças aos progressos tecnológicos e às melhores condições sociais, milhões de franceses passaram a ter acesso ao mundo da MAR. As ferrovias facilitaram o deslocamento para as regiões costeiras e, início do século XX, surgiram os primeiros banhos de MAR e os balneários – Le Touquet, Biarritz, Nice, etc. Mas, embora o Iate Clube da França tenha sido criado em 1867, os esportes aquáticos ainda são privilégio dos mais abastados.




Foi a instituição das férias remuneradas, em 1936, que permitiu a um número maior de famílias desfrutar dos prazeres do mar. Mas a verdadeira corrida rumo ao ouro azul ocorreu entre os anos 1950 e 1970. A melhora do nível de vida das famílias, a democratização do automóvel e a evolução dos costumes – as mulheres passaram a usar maiô, o que não ocorria no século XIX – democratizaram os lazeres náuticos. O litoral viveu uma explosão imobiliária: hotéis, residências de férias, casas de praia e restaurantes se multiplicaram. Hoje, o mar é o destino preferido de dois terços dos franceses, que, às vezes, vão buscá-lo no exterior.

O sucesso dos esportes náuticos

Contudo, o sinal mais significativo dos últimos anos é o interesse crescente de nossos compatriotas pelos esportes náuticos. Sobretudo pela vela. Ao lado de Glénans – a mais famosa escola de vela da França – surgiram centenas de clubes de vela em todos os cantos do litoral e as colônias de férias para crianças e adultos. Em 2006, estima-se em 4,5 milhões o número de barcos de passeio na França (veleiros e barcos a motor) e, apesar da criação e da ampliação das marinas, o tempo de espera por um atracadouro (vaga na marina) pode chegar a cinco anos, como em La Baule ou Saint-Malo (costa atlântica).




As vitórias conquistadas pelos atletas franceses – Bernard Moitessier, Éric Tabarly, Florence Arthaud, os irmãos Perron, Isabelle Autissier, e tantos outros – fomentam também essa paixão popular. “As vitórias de Éric Tabarly na Transat em 1964 e de Florence Arthaud na Rota do Rum em 1990 tiveram um impacto extraordinário”, assinala Sylvie David-Rivérieulx, especialista apaixonada pela história da navegação na França e relações públicas do Museu Nacional da Marinha. “O fato de um pedacinho de mulher, que não tinha nem trinta anos, ter vencido essa corrida em um catamarã, muito à frente dos homens, marcou profundamente as pessoas”.

Além da vela, os franceses atualmente dedicam-se cada vez mais a todo um conjunto de esportes náuticos: Biarritz sedia todo ano um campeonato de surf; Marselha é um centro internacionalmente conhecido pela formação de mergulhadores submarinos; a prancha a vela, o remo e o caiaque de mar também possuem milhares de praticantes, e alguns campeões mundiais. Os aposentados, que migram para o litoral a cada dia, adquirem mais e mais barcos a motor, para a pesca do barbo. Os executivos estressados apaixonaram-se nos últimos anos pela talassoterapia (ver Label France n° 54), meio rápido, embora caro, de recuperar a saúde.

A MAR faz sonhar...”

A atração pelo mar também pode ser cultural. As grandes reuniões de veleiros e velhos navios ocorridas há quinze anos, como em Douarnenez, Rouen, Brest ou Cannes, atraem multidões. Os aquários gigantes, como os de Croisic, Biarritz, ou, ainda mais, de Boulogne-sur-Mer, com seu Centro Nausicaä, que recebeu mais de 9 milhões de visitantes, oferecem emoção com o risco de, por exemplo, se encontrar um tubarão... por trás de um vidro!




Mas, nesta época em que a televisão serve de termômetro para a análise dos centros de interesse das pessoas, um dos sinais mais visíveis do gosto dos franceses pela MAR é o espaço que este ocupa na mídia. Basta lembrar a audiências dos programas de Cousteau ou da novela Os Segredos da MAR, feita a partir dos relatos de
Henry de Monfreid. “Há vinte anos, não havia sequer uma câmera a bordo nas grandes corridas. Hoje, o noticiário da noite mostra a Rota do Rum ou Vendée Globe”, comenta Didier Ravon, redator-chefe de Voiles et Voiliers (Velas e veleiros). “A televisão teve um papel enorme para o desenvolvimento do interesse pela MAR na França. Um programa como Thalassa teve um papel chave”, comenta Sylvie David-Rivérieulx. É verdade que esse programa, o mais popular do país, atinge mais de 4 milhões de telespectadores por semana. Se perguntarmos a Georges Pernoud, seu criador e apresentador, como ele explica o sucesso de Thalassa, ele responde apenas: “A MAR faz sonhar...”. E ainda esclarece, indiretamente, o desejo que ele provoca na França e em outros lugares: “O mundo do mar é um mundo onde os homens são apaixonados [...] o homem não tem brânquias; assim, o perigo sempre está por perto”. Sem dúvida, são essa paixão e esse risco, normalmente ausentes na vida cotidiana de nossas sociedade modernas, que fascinam e atraem tanto na MAR...
 A mar, uma lição de vida
O que o mar ensina ao homem de hoje? Fizemos a pergunta a Jean-Noël Gard. Aos sessenta anos – quarenta dos quais navegando – esse vice-almirante é hoje o diretor do Museu Nacional da Marinha.
“O mar ensina a modéstia: ele é sempre o mais forte. Se ele não quer
dar passagem, não dá.
Ele ensina a resistência: de barco deslocamo-nos durante muito tempo, nunca muito rápido; o mar dá uma outra percepção do tempo.
Ele abre para o mundo: encontramos muitos povos que vivem de
maneiras muito diferentes.
Ele ensina o convívio com os outros: uma tripulação é, antes de tudo, uma equipe”.



Livros sobre a MAR: os navegadores gostam de escrever

Os marinheiros devem escrever: manter um livro de bordo é obrigatório, mas, sobretudo, eles gostam disso. E, na França, a paixão pelo mar traduz-se e é alimentada pela produção de relatos de viagem. Os dos grandes navegadores são best-sellers, como as obras de Bernard Moitessier, Éric Tabarly, ou Florence Arthaud. Os dos escritores também. Jean-François Deniau, membro da Academia Francesa [de Letras], ex-Ministro da Marinha e marinheiro, autor do recente Dictionnaire amoureux de la mer (Dicionário amoroso do mar), publicou vários livros de sucesso, particularmente La mer est ronde (O mar é redondo). Erik Orsenna, também membro da Academia e vencedor do Prêmio Goncourt de 1988, que recebeu o título de “Escritor de Marinha”, vendeu mais de 200.000 exemplares de seu Portrait du Gulf Stream (Retrato do Gulf Stream),
 publicado em 2005.

Vários editores criaram coleções dedicadas aos relatos de viagens marítimas, como Payot e sua coleção “Voyageurs” (Viajantes). A editora bretã Ouest-France publica muitas obras dedicadas à vida de pessoas de antigamente que conviveram com a MAR. Vários festivais e prêmios coroam livros de literatura marítima. O Prêmio Corderie Royale-Hermione é um dos mais recentes.



Nadia Khouri-Dagher jornalista


Para saber mais:

• Site do governo francês: http://www.mer.gouv.fr/
• Escola de Glénans : http://www.glenans.asso.fr/
• Livraria marítima on line: http://www.librairie-maritime.com/

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Titouan Lamazou - velejador solitário



Titouan Lamazou foi o vencedor da primeira edição da Vendée Globe em 1990.

Especialmente pra você, amigo leitor, que se emocionou com as mil e uma peripécias ocorridas durante a última edição da Vendée Globe, resolvi falar de Titouan Lamazou, o homem que venceu a primeira edição da rainha das regatas.

>Titouan Lamazou nasceu em 11 de julho de 1955 em Casablanca no Marrocos e aos quinze anos, logo após ter lido Bernard Moitessier deu suas primeiras velejadas.

>>Aos 17 anos,Titouan Lamazou abandonou a Escola Nacional de Belas Artes francesa, onde estudava pintura, por considerá-la convencional demais pro seu gosto e resolveu viajar pelo mundo.

>>>Sedento de aventuras e experiências novas Titouan Lamazou navegou a bordo de vários veleiros, chegando a fazer parte da tripulação do lendário “Pen Duick VI” de Eric Tabarly por dois anos, onde contraiu a febre da regata oceânica.

>>>> Graças à ajuda de um grupo de fiéis amigos e colaboradores pode construir o leve e ágil “Écureuil d'Aquitaine II”, ancestral dos atuais open 60, com o qual venceu a primeira Vendée Globe em 1989/90.


Na capa de um dos seus livros, Titouan Lamazou estampou um retrato de sua filha Zoé.

>>>> Titouan Lamazou disse que velejava em solitário, porque gostava de sentir medo. Noutras palavras, era viciado na droga mais excitante do mundo, a poderosa adrenalina.

>>>>>Em 2003 Titouan Lamazou recebeu o título de “Artista da Unesco pela paz”, após ter dedicado uma série de aquarelas e fotografias às mulheres do mundo inteiro, que foram expostas numa bela exposição no museu do Homem em Paris.

http://www.titouanlamazou.com/

Já falamos nesta rubrica de dezesseis velejadores solitários, quinze homens e uma mulher, os seguintes:

Joshua “Spray” Slocum, Bernard “Joshua” Moitessier, Alain“Firecrest” Gerbault, Vito“LEHG II” Dumas, Alfred “Centemnial” Johnson, Howard “Great Western” Blackburn, Fred “Elaine” Rebell, Eric “Pen Duick VI” Tabarly, Alain “Club Mediterrannée” Colas, Philippe “Crédit Agricole” Jeantot, Donald “Teignmouth Electron” Crowhurst, Julio “Mistral” Villar, Francis “Gipsy Moth IV” Chichester, Aleixo “Três Marias” Belov, Florence “Pierre I” Arthaud e Marcel “Inox” Bardiaux.


Extrato da newsletter nº 1 de 25/3/2009 – projeto “Estrela d’Alva”






quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Michel Desjoyaux - velejador solitário



Salve colega velejador!


Não sei se você está ligado, mas há 6000 anos, que nós, "macróbios humanos", navegamos na divina MAR. Dos primórdios até o séc. XIX, navegamos sempre em bando, em grupo, em equipe, formando uma tripulação numerosa, até que um iluminado, chamado Joshua Slocum, realizou o que ninguém ousava nem pensar na época. A primeira volta ao mundo em solitário, a bordo de um pequeno veleiro.
- Lembra do nome do veleiro de Slocum, amigo velejador?
- Não? Dica, a primeira letra é S.
- Nada? Mais uma. Tem a ver com desodorante.
- Ainda não? A última. Termina com y.
- "Spray"! - Acertou! Parabéns!
Peça-me um queijo "Polenguinho" como prêmio, quando nos cruzarmos no mundo real.
– Quando foi isso? – Há exatos 113 anos.
- Percebe o quanto velejar solo é moderno e ousado, amigo velejador? Para os 6 000 anos que navegamos na MAR salgada em comunidade, navegamos apenas 113 individualmente. E 113 é menos de 2% de 6 000. Ligado? Detalhe importante, pra cada 1000 barcos conduzidos por um grupo de marujos até o presente, apenas um é governado por um único e todo poderoso navegante. Em verdade eu lhe digo, o bicho-homem teve de evoluir muito e em muitos sentidos até conquistar o raro privilégio de cruzar solteiro, os oceanos.
E esta é a principal razão que me faz cultuar velejadores solitários. Já fiz a apologia de Joshua Slocum, de Vito Dumas, de Bernard Moitessier e do Éric Tabarly, dentre outros.
- Curiosa pra ler o que escrevi sobre eles, amiga leitora? Fácil, basta clicar na tag velejador solitário, logo abaixo do cabeçalho deste blog.
Em princípio a biografia de qualquer velejador solitário me interessa como objeto de estudo, pois que também sou velejador solitário e meu universo só pode ser a MAR e a história da navegação à vela em solitário. Dentre os velejadores solitários em atividade, escolhi três pra “acompanhar” este ano: Mike Horn, Michel Desjoyaux e a jovem e corajosa Laura Dekker, de apenas 14 anos. Já fiz a apologia do Mike e citei duas vezes a Laura, portanto falemos do Michel, que foi o primeiro a chegar a Sables d’Olonne ano passado, completando o infinito percurso da famosa Vendée Globe, em tempo recorde. Vou ser didático não, que detesto didatismo. Só vou falar do que mais admiro no “Professor”. Detalhes como cidade onde nasceu. Idade. Se é casado ou solteiro. Quanto ganha. Qual o comprimento, boca máxima e o peso do bulbo de quilha do seu veleiro etc., deixo vocês pesquisarem na janelinha mágica do Google.


Admiro três tópicos no perfil do Michel Desjoyaux.
- O fato dele gostar de ensinar o que sabe. Durante a última Vendée Globe, acreditem se quiserem, mas ele deu aulas pra alguns de seus concorrentes por chat e e-mail.
- Os ótimos textos altamente irônicos que ele escreve a título de diário de bordo.
- Sua inacreditável e inédita recuperação durante a última Vendée Globe. Quebrou no primeiro logo no primeiro dia. Retornou ao porto de partida. Perdeu 40 horas. Consertou. Voltou à regata. Ultrapassou um a um todos seus concorrentes até deixá-los na esteira do seu bólido alado. Haja coragem, haja força de vontade, haja conhecimento profundo da arte-zen de velejar em solitário.
 
Presentinho pra vocês: O vídeo ( com um minuto de duração ) da apoteótica chegada de Michel Desjoyaux, vencedor da última Vendée Globe.

Gostaram? Confesso que o que mais me agrada nesse vídeo é ver um veleiro navegando mais rápido que algumas lanchas. Isso, sem fazer barulho, sem poluir a MAR, sem poluir o ar, sem cheirar mal, sem gastar enfim uma única gota de combustível fóssil. Querem que lhes diga? O barco à vela é a mais inteligente invenção dos humanos. Pena que nós brasileiros ainda não sabemos disso. A ficha só vai cair quando a última gota de petróleo tiver sido queimada e a camada de ozônio deletada. 

Bons ventos e até breve!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Alain Colas – velejador solitário



Alain Colas foi o mais megalômano dos velejadores. Ninguém pretendeu voar tão alto quanto ele. Ninguém teve uma ascensão mais rápida. Ninguém teve uma carreira tão meteórica. Ninguém sofreu um naufrágio tão espetacular.

Tive o prazer de conviver com um dos seus filhos, Hervé Colas, chefe da base dos Glénans em Marseillan/França em outubro de 2005. E foi graças à sua generosidade que pude velejar 8 veleiros diferentes ao longo de vinte dias.

Vou citar apenas cinco tópicos da sua biografia para não tirar de vocês o prazer de pesquisar a mirabolante vida desse “marinheiro de exceção” como dizem os franceses.

- Alain Colas conheceu o grande Eric Tabarly, sobre o qual falamos em nossa newsletter anterior, na Australia em 1966 e embarcou como cozinheiro no lendário “Penduick III” até a Nova Caledônia.

- Em 1974, Alain Colas pulveriza ( trinta e dois dias a menos ) o recorde de volta ao mundo em solitário, que pertencia a Francis Chichester, a bordo do trimaran “Manureva”.

- Em 1975, Alain Colas concebe e constrói o gigantesco veleiro “Club Mediterranée” de quatro mastros e 75 metros de comprimento, que ele conduzirá sozinho durante a Transat inglesa, chegando em segundo lugar apenas quatro horas após Eric Tabarly.

- Em 1978 Alain Colas naufraga durante uma tempestade ao largo dos Açores na liderança da regata “Route du Rhum”. A última mensagem que ele transmitiu antes de desaparecer sem deixar vestígios foi:

- “Fui pego pelo olho do ciclone. Não existe mais céu... Estou cercado por imensas montanhas d’água”

- Num dos seus artigos Alain Colas escreveu que a vela é ao mesmo tempo competição, lazer e paixão e que o mundo da vela seria como uma grande pousada espanhola, onde um maravilhoso banquete seria servido a todo instante a qualquer aventureiro que batesse à sua porta.”


- Canção escrita por Serge Gainsbourg após o naufrágio do trimaran “Manureva” e o desaparecimento de Alain Colas.


MANURÉVA

Paroles: Serge Gainsbourg, musique: Alain Chamfort, J.N. Chaleat, 1979
 
Manu Manuréva
Où es tu Manu Manuréva
Bateau fantôme toi qui rêvas
Des îles et qui jamais n'arrivas
Là-bas
Où es-tu Manu Manuréva?
Portée disparue Manuréva
Des jours et des jours tu dérivas
Mais jamais jamais tu n'arrivas
Là-bas
As-tu abordé les côtes de Jamaïca
Oh! héroïque Manuréva
Es-tu sur les récifs de Santiago de Cuba
Où es-tu Manuréva
Dans les glaces de l'Alaska
Où es-tu Manu Manuréva?
Portée disparue Manuréva
Bateau fantôme toi qui rêvas
Des îles et qui jamais n'arrivas
Là-bas
Tu es partie oh Manuréva
A la dérive Manuréva
Là-bas
As-tu aperçu les lumières de Nouméa
Oh! héroïque Manuréva
Aurais-tu sombré au large de Bora Bora
Où es-tu Manuréva
Dans les glaces de l'Alaska
Où es-tu Manu Manuréva
Portée disparue Manuréva
Des jours et des jours tu dérivas
Mais jamais jamais tu n'arrivas
Là-bas
Manuréva pourquoi?

Bons ventos a todos

Salve Hervé Colas! Obrigado por tudo!

Fernando Costa

Extrato da Newsletter n° 11 de 1° de junho de 2008 - Projeto "Estrela d'Alva"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Eric Tabarly – velejador solitário

Já falamos duas vezes consecutivas, amigos, do papa da vela n° 1, vamos falar a seguir e pela primeira vez do papa da vela n° 2.
O papa da vela n° 1 era francês.

O papa da vela n° 2 também era francês.

O papa da vela n° 1 foi velejador solitário, mas nem sempre.

O papa da vela n° 2 idem.

O papa da vela n° 1 é o guru dos cruzeiristas, embora tenha participado da primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência.
O papa da vela n° 2 é o guru dos regatistas.

O papa da vela n° 1 era magro, mas forte.

O papa da vela n° 2 era troncudo e bem forte.

O papa da vela n° 1 gostava de falar.

O papa da vela n° 2 era lacônico.

O papa da vela n° 1 possuía um veleiro famoso chamado “Joshua”.




O papa da vela n° 2 teve uma célebre série de veleiros chamados “Penduick”.

O papa da vela n° 1 morreu de câncer em terra.

O papa da vela n° 2 caiu no mar de bordo de um dos seus veleiros e morreu de hipotermia no mar.

Aposto que o amigo leitor já identificou o papa da vela n° 1 como sendo Bernard Moitessier e o n° 2 Eric Tabarly. Falemos de mestre Tabarly, porque de mestre Moitessier já falamos duas vezes neste blog. Não muito, que ele detestava falar muito. Como minha avó Balbina, Tabarly pensava que a palavra é de prata e o silêncio de ouro. Três curiosidades que garimpei na net bastam:
Curiosidade n° 1 – Tabarly jamais usou e proibia que seus tripulantes usassem colete salva-vidas ou cinto de segurança a bordo, argumentando que mais vale correr o risco de cair na MAR, do que ter seus movimentos tolhidos durante uma manobra perigosa a bordo.


Curiosidade 2 – Conta-se que Tabarly teria recusado um convite pra almoçar em companhia do presidente Charles De Gaule, para docar um dos seus veleiros. Conta-se mais, que o presidente De Gaule teria renovado o convite noutra ocasião acrescentando o seguinte comentário por escrito e à mão. Você está convidado a almoçar novamente comigo, mas se tiver um outro problema urgente pra resolver a bordo do seu veleiro, fique à vontade. Modifiquei um pouco esta anedota, mas conservei sua essência. Tudo bem?
Curiosidade n° 3 – O apelido de Tabarly era “Pepé-tout-dessus”, cuja tradução é “Papai-tudo-em-cima”. “Papai” porque a maioria dos tripulantes dos seus barcos tinha idade pra ser seus filhos e “tudo em cima” porque ele exigia o máximo dos seus veleiros, mantendo todas as velas em cima e sem rizo, quando o vento refrescava.

link da imagem não localizado - www.posterguide.com

Para finalizar o artigo, uma ótima notíca, dia 17 de maio, amanhã, sábado, será inaugurada em Lorient, Bretanha, França, a Cité de la Voile Eric Tabarly, que aberta à visitação pública, desde o dia 5 de abril do corrente, já contabilizou 20 000 visitantes.

Presentes pra você, amiga velejadora, que ama, idolatra e venera mestre Tabarly:

excelente filme sobre Tabarly no blog Velejar é Preciso.

site da Cité de la Voile Eric Tabarly

site oficial do Tabarly
http://www.asso-eric-tabarly.org/

Bons ventos a todos os velejadores de monocascos, e porque não de multicascos idem?

Fernando Costa

Extrato da newsletter n° 10/2008 de 15 de maio de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...