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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O segredo é a alma do negócio - arquitetura naval



foto - Fernando Costa

Estou feliz amigos

Ontem, debaixo de muita chuva, iniciamos a compra da matéria-prima necessária à construção do "Alegria 2", eu e meu colaborador "Aguavel".
Hoje de manhã corrigimos os moldes em papel craft e amanhã pretendemos começar a cortar as peças iniciais: o fundo, mais as duas abas do costado em compensado marítimo de 10 mm, mais a quilha, mais as cavernas.
A grande e prazerosa novidade do dia, porém, foi o início do desenho do plano-de-linhas da "Amizade".
Inventar um barquinho novo amigos é a segunda maior diversão deste mundo.
- A maior? Querem saber qual é a maior diversão de todas?
- Juram que ainda não sabem?
- VELEJAR é claro!
Mas voltando à "Amizade" que será uma canoa com caraterísticas muito especiais...
- Detalhes?
- Querem saber dos detalhes da "Amizade"?
- Cedo ainda, pra falar dos detalhes... Servem generalidades?
- A "Amizade" será uma canoa pra dois velejadores-remadores.
- A "Amizade" será desmontável.
- A "Amizade" poderá ser uma escuna.
- A "Amizade" será "um dois-em-um". Ou seja dois barcos num.
- A "Amizade" terá mais multifunções que o "Alegria".
- Chega, não conto mais nada, que como costuma dizer minha avó Balbina, (que foi homenageada junto como o "Alegria", num belo conto de Natal, que minha amiga e colaboradora Barbara Fournier acabou de escrever e que vocês lerão pros seus filhos dia 24/12/2010...)
- Ih não eram pra contar isso!... A Barbara vai ralhar comigo e com toda razão.
-  Mas como costuma dizer minha avó Balbina, o segredo é a alma do negócio.

Bons ventos

Ei! Ia me esquecendo de deixar-lhes uma dica de presente. Antes de construir um barco de qualquer tipo e tamanho, preparem sua maquete. Não precisa ser aquela maquete super detalhada. Basta uma maquete simplificada, como vocês estão vendo na foto acima. Falsa-quilha, cavernas, roda-de-proa e costado. Nada além. Mas cuidem de construí-la em escala e com a maior precisão possível. Fui fazer o "Alegria 1" sem antes preparar-lhe a maquete e cometi um punhado de erros primários que me custaram caro. Não caro em dinheiro, mas em tempo, que vale mais que dinheiro. Ligados? Vocês poderão e fatalmente irão pensar que o tempo gasto construindo a maquete será tempo perdido. Ledo engano.
O tempo gasto construindo a maquete será tempo investido.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Eric Tabarly – velejador solitário

Já falamos duas vezes consecutivas, amigos, do papa da vela n° 1, vamos falar a seguir e pela primeira vez do papa da vela n° 2.
O papa da vela n° 1 era francês.

O papa da vela n° 2 também era francês.

O papa da vela n° 1 foi velejador solitário, mas nem sempre.

O papa da vela n° 2 idem.

O papa da vela n° 1 é o guru dos cruzeiristas, embora tenha participado da primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência.
O papa da vela n° 2 é o guru dos regatistas.

O papa da vela n° 1 era magro, mas forte.

O papa da vela n° 2 era troncudo e bem forte.

O papa da vela n° 1 gostava de falar.

O papa da vela n° 2 era lacônico.

O papa da vela n° 1 possuía um veleiro famoso chamado “Joshua”.




O papa da vela n° 2 teve uma célebre série de veleiros chamados “Penduick”.

O papa da vela n° 1 morreu de câncer em terra.

O papa da vela n° 2 caiu no mar de bordo de um dos seus veleiros e morreu de hipotermia no mar.

Aposto que o amigo leitor já identificou o papa da vela n° 1 como sendo Bernard Moitessier e o n° 2 Eric Tabarly. Falemos de mestre Tabarly, porque de mestre Moitessier já falamos duas vezes neste blog. Não muito, que ele detestava falar muito. Como minha avó Balbina, Tabarly pensava que a palavra é de prata e o silêncio de ouro. Três curiosidades que garimpei na net bastam:
Curiosidade n° 1 – Tabarly jamais usou e proibia que seus tripulantes usassem colete salva-vidas ou cinto de segurança a bordo, argumentando que mais vale correr o risco de cair na MAR, do que ter seus movimentos tolhidos durante uma manobra perigosa a bordo.


Curiosidade 2 – Conta-se que Tabarly teria recusado um convite pra almoçar em companhia do presidente Charles De Gaule, para docar um dos seus veleiros. Conta-se mais, que o presidente De Gaule teria renovado o convite noutra ocasião acrescentando o seguinte comentário por escrito e à mão. Você está convidado a almoçar novamente comigo, mas se tiver um outro problema urgente pra resolver a bordo do seu veleiro, fique à vontade. Modifiquei um pouco esta anedota, mas conservei sua essência. Tudo bem?
Curiosidade n° 3 – O apelido de Tabarly era “Pepé-tout-dessus”, cuja tradução é “Papai-tudo-em-cima”. “Papai” porque a maioria dos tripulantes dos seus barcos tinha idade pra ser seus filhos e “tudo em cima” porque ele exigia o máximo dos seus veleiros, mantendo todas as velas em cima e sem rizo, quando o vento refrescava.

link da imagem não localizado - www.posterguide.com

Para finalizar o artigo, uma ótima notíca, dia 17 de maio, amanhã, sábado, será inaugurada em Lorient, Bretanha, França, a Cité de la Voile Eric Tabarly, que aberta à visitação pública, desde o dia 5 de abril do corrente, já contabilizou 20 000 visitantes.

Presentes pra você, amiga velejadora, que ama, idolatra e venera mestre Tabarly:

excelente filme sobre Tabarly no blog Velejar é Preciso.

site da Cité de la Voile Eric Tabarly

site oficial do Tabarly
http://www.asso-eric-tabarly.org/

Bons ventos a todos os velejadores de monocascos, e porque não de multicascos idem?

Fernando Costa

Extrato da newsletter n° 10/2008 de 15 de maio de 2008 - projeto "Estrela d'Alva"
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