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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Veleiros futuristas (em francês - contribuição do velejador Christophe Lebas) - news do mês de dezembro 5






- Boa noite amigas e amigos leitores deste oceânico blog, dedicado à divina MAR, ao inteligente BARCO À VELA e ao sagrado MEIO AMBIENTE.

- É com prazer que lhes apresento o primeiro post do mais novo colaborador eventual deste blog.

- Quem? Quem? Quem?

- O experiente velejador de alta MAR Christophe Lebas, que acabou de subir sobre o terceiro lugar do pódio da Transat Jacques Vabre a bordo do

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dernières nouvelles sur le professeur Michel Desjoyeaux - navigateur solitaire




Bonjour chez amis francophones !

J'ai des nouvelles du double vainqueur de la Vendée Globe, le professeur Michel Desjoyeaux, lisez !

Fernando Costa

24/08/2011 - Le MOD 70 FONCIA à la maison

Après plusieurs mois de construction, le MOD70 FONCIA à quitté aujourd’hui Lorient pour rejoindre son port d’attache à

segunda-feira, 7 de março de 2011

O vencedor é sempre belo e o perdedor feio - intempestivo

EM BRASILEIRO

- Eu só quero saber qual foi a cartomante que previu que Michel Desjoyeaux, único bicampeão da Vendée Globe, abandonaria a  Barcelona World Race Around 2011, antes de dobrar o cabo das Tormentas e que Jean-Pierre Dick, mais o Loïck Peyron que não completaram o percurso da última Vendée Globe, o primeiro por ter perdido o mastro e o segundo, por ter atropelado dois OFNI e danificado o leme do seu open 60, liderariam a regata até o presente, com grande chances de vencê-la?
- É por isso que não acredito, nunca acreditei em cartomantes.
- Mas vejam como o Jean e o Loïck estão ambos belos e sorridentes com o famigerado Cabo Horn ao fundo, que eles dobraram anteontem.
- Deve ser por isso que minha avó Balbina diz que "ri melhor, quem ri por último".
- Se bem que quem vence duas vezes a Vendée Globe tem motivo pra sorrir pro resto da vida.
- Mais um detalhe, já observaram como o vencendor, por mais feio que seja é sempre belo e que o perdedor por mais bonito que seja, fica feio?
- Estou falando isso de modo geral e filosófico.
- Nada a ver com os dois simpáticos velejadores da foto.
- Detalhe interessante, Michel Desjoyeaux saiu da regata, mas seu antigo veleiro "Foncia" continua na disputa em terceiro lugar.  
 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A eterna novidade do mundo - Intempestivo

EM BRASILEIRO

Ao longo dos tempos a mídia viciou o leitor na última novidade.
No que acabou de acontecer.
É o que eu chamo de jornalismo do furo.
Inferior ao jornalismo de essência, praticado, por exemplo, pela substâncial POLYRAMA da Barbara Fournier, objeto do meu recente post "Água! Água! Água!"
Esse vício da novidade pra mim é tão grave quanto a gula, pecado capital responsável pela pior pandemia que o mundo já viu, a obesidade.
O vício da novidade leva à obesidade mental.
E a obesidade física ou mental é um pacote de no mínimo dez doenças graves.
Confesso a vocês que desprezo a novidade em prol da essência, da medula, da semente.
Valorizo o eterno em detrimento do simplesmente novo.
Porque o eterno é a eterna-novidade.
A eterna-novidade é light, é essencial como a água de um côco, colhido num coqueiro de ilha deserta, após uma velejada de cinco horas contra vento forte de SW. Sacia sem jamais engordar.


EM PORTUGUÊS

"Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo... "
Alberto Caeiro no meu poema favorito de Fernando Pessoa 
"O guardador de rebanhos"

Acabei de escrevê-lo, e este prólogo está ainda claudicante.
Daqui a uns três ou quatro dias prometo-lhes um melhor.
Disse tudo isso, pra chamar a atenção de vocês pro extrato de uma entrevista já antiga, de um já velejador também antigo e desconhecido do público, pelo menos no Brasil: Jean-François Deniau.
A entrevista é ótima apesar de antiga. Leiam! Está em francês, mas francês é tão fácil ou tão difícil quanto seu irmão português. Não desanimem. Queria publicar a entrevista toda, mas isso não é justo, nem legal. Publico apenas uma pergunta e uma resposta. A entrevista é de 20 de abril de 2006 e sua validade se estende para os próximos 6.000 anos. Talvez por não ter seguido o sábio conselho de mestre Jean-François, é que neste exato momento, o único bi-campeão da Vendée Globe esteja embarcando seu bólido-alado-de-asa-quebrada-Foncia num cargueiro, de volta pra França. Estou falando é claro, do grande Michel Desjoyaux, que foi obrigado a abandonar a "Barcelona World Race Around" após a quebra da parte superior do super mastro do seu veleiro hiper-high-tech.


EM FRANCÊS

Quelles différences voyez-vous entre la plaisance et une régate ou une course au large ?
Il y a deux écoles. Celle de Tabarly, qui est de gagner. Et celle de Moitessier, qui est de vivre en mer. Quand Moitessier s'aperçoit qu'il est en train de remporter la course autour du monde, il abandonne, poursuit sa route, file vers Tahiti et explique : « Je ne veux pas perdre mon âme. » C'est pas pareil que de vouloir gagner une compétition et de sans arrêt être à la limite. Pour Tabarly, ça passe ou ça casse. Dans les deux cas, il y a quand même une règle à ne pas oublier : respecter la mer.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Velejador posou como modelo pro famoso "Pensador" de Rodin - Michel Desjoyeaux



EM BRASILEIRO

Salve amigo visitante!
- Navegante?
- Sim? Ainda bem! Lembra do que o grande Aristóteles disse de nós,
os indômitos navegantes?
- Não? Estranho... deveria saber...
- Tome nota: "Existem três tipos de homens: os vivos, os mortos e os
que navegam na MAR."
- Ah, lembrou? Normal, depois que alguém diz, a gente lembra...
- Maravilha, não? Mestre Aristóteles sempre atina com a
essência das coisas.
- Navegante de barco à vela ou de barco a motor, com o perdão da palavra motor?
- De barco à vela? Jura? Toque aqui!
- Estou com sorte hoje! Somos dois! Dois contra duzentos. Pelo menos aqui em Cabo Frio é assim. Pra cada veleiro que passa no canal de Itajurú, passam duzentos barcos a motor logo a seguir. Pesqueiros, lanchas , jet skis, infláveis, tudo a motor.
Todos poluindo o ar, a água, o som, além de cheirar muito mal.
Não entendo, nunca pude entender, jamais entenderei porque brasileiro gosta tanto de telenovela, coca-cola e motor.
Sei sim, à custa de um clássico método de propaganda nazista.  "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade" assinado Paul Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler. Só que não foi bem isso que Goebbels disse, se é que ele realmente disse algo nesse sentido. Basta o cidadão torna-se famoso, pra todo mundo dizer que ele disse isso, disse aquilo, disso o diabo. Na verdade atribuíram incorretamente...
- Mas deixemos este assunto desagradável de lado, que falta pouco
 pro início da festa. 
- Congratulações colega velejador! Enfim um navegante que pensa antes, durante e depois de levantar âncora. Sim, porque marujo de barco a motor costuma pensar não. Enche o tanque do barco de combustível altamente poluente, mete a mão na maldita manete e vamos nós. Vamos nós? Não, não a motor não vamos a lugar algum. Embarcamos nessa de jeito algum. Nosso veículo, amigo velejador, é o mais sutil que a doida raça humana já inventou. Vento, movido a vento. Só isso. É tudo de que precisamos, além de um  bom pedaço de pano bem cortado e costurado, pra dar uma volta completa ao mundo. Ah, sim, claro, um bocado de decisões bem tomadas também faz-se necessário. Cambar na hora certa, cambar em roda no bom momento, (gosto do neologismo anglicista jibear não), orçar quando preciso for, arribar, quando arribar for a coisa certa a se fazer.
- Sabia que Rodin, quando esculpiu o famoso Pensador, inspirou-se num velejador pensando no que fazer pra resolver um dos milhares de problemas diários, que o vento e a MAR nos propõem dia e noite, companheiro velejador?
(- Brincadeira, inventei isso agora. Mas de repente... Quem sabe?)
A verdade é que pra se conduzir um veleiro de um ponto a outro da superfície aquática do planeta Terra, é preciso pensar, pensar muito.
E é porisso que o menos inteligente dos velejadores é mais sábio que o menos ignorante dos navegantes de barco a motor, com o perdão da palavra motor.
- Pergunta pra você que é mestre em fazer um veleiro "andar" a favor, sobre a perpendicular e principalmente contra o vento amigo leitor:
- Quais são os quatro velejadores, (duas mulheres e dois homens), cuja vida escolhi pra seguir de perto ao longo deste ano?
- Laura Dekker, acertou!
- Mike Horn, parabéns!
- Jéromique Pasteur, não acredito, de novo!
- Michel Desjoyeaux, incrível, todos quatro na mosca!
- Só vejo duas explicações pra semelhante performance. Ou o amigo velejador é vidente ou anda lendo meu blog escondido.
Curiosamente só a linda Laura Dekker, de apenas 15 anos e dois meses, está velejando em solitário no momento. Os demais jogaram a toalha, migrando pra antiquada navegação em equipe. Refiro-me ao Michel e ao Mike, porque não consegui descobrir o que a Jéromine anda fazendo neste exato momento. Mas não vamos falar dos quatro não, que Madame Probabilidade mandou-me falar só do professor Michel Desjoyeaux, o único velejador a vencer duas Vendée Globe.  Vou falar sim de Mich' Dej', para os íntimos, mas vou falar pouco, quase nada. Citarei apenas uma frase que resume o artigo original em duas linhas. O texto completo, vocês poderão facilmente traduzir usando o Google Translator.  Ei! Nada de preguiça, que a preguiça, junto com a impaciência são os dois piores defeitos do velejador.



- Michel Desjoyaux participará da Barcelona World Race. Regata de volta ao mundo, sem escalas, passando pelos três famosos cabos: Boa Esperança, Leewin e Horn, que começa depois de amanhã, sábado, 31/12/2010, às 13 h locais, fazendo dupla com o jovem François Gabart.


EM FRANCÊS

Multiplication des navigations en double


Le 9 décembre, Michel Desjoyeaux et François Gabart ont posé leurs sacs dans la capitale catalane. Depuis, les deux marins multiplient les navigations en double à bord de FONCIA : c’est la priorité du tandem à 17 jours du départ de la Barcelona World Race.


Contrôle technique : OK
 
Depuis l’arrivée de la Route du Rhum, toute l’équipe de FONCIA est à nouveau sur le pied de guerre. Le bateau, convoyé par cargo depuis la Martinique, est arrivé à Barcelone le 29 novembre. Après avoir passé avec succès son contrôle technique, il a été remis à l’eau le 10 décembre. Aussitôt, Michel et François ont largué les amarres pour des sorties à la journée avant d’enchaîner sur une navigation de nuit dans la brise, du côté du Cap Creus, 100 milles au large des côtes catalanes.
D’ici le départ de la Barcelona World Race le 31 décembre prochain, ils ont décidé de privilégier les entraînements in situ. Car François a très peu navigué sur le bateau à bord duquel il s’apprête à disputer son premier tour du monde et les deux hommes ont besoin de se roder en tandem. « L’objectif est de doubler mon temps de navigation à Barcelone, mais ce ne sera pas très difficile ! » confie François en riant.


link-da-imagem
Partage des tâches

Entre les différents rendez-vous imposés par l’organisation (contrôles de sécurité, briefings, etc.), les deux coéquipiers, bientôt unis pendant trois mois autour du globe, travaillent aussi à l’organisation du bord. Des quarts de trois heures ont été établis, modulables en fonction des conditions météo et de la nécessité de barrer, sachant qu’en double, ils passeront entre 50 et 70 % de leur temps à la barre,
contre 15% sur un Vendée Globe!
Quant à la répartition des responsabilités, elle suit un plan logique : Michel qui connaît très bien son bateau sera en charge de la partie technique et du check du bateau, quand François sera plus investi dans... suite sur link-do-texto 




EM INGLÊS

The Barcelona World Race
 Course travels around the world, from Barcelona to Barcelona following a course known as the 'three cape' route. As such, the yachts will set off from Barcelona toward the Gibraltar Strait, and following an Atlantic descent they will put the capes of Good Hope, Leeuwin and Horn to port and the continent of Antarctica to starboard. The regatta rules stipulate a passage through Cook Strait in New Zealand, one of the race's safety waypoints.
The approximate length of the course is 25,000 nautical miles (46,300 km) following a Great Circle route, the shortest possible route traced across the map. The winner of the first edition, Paprec-Virbac 2 with Jean-Pierre Dick and Damian Foxall employed 92 days, 9 hours, 49 minutes and 49 seconds to complete the course, with an average speed therefore, of 11.13 knots. link-do-texto

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"A madrinha das árvores" - Jéromine Pasteur - velejadora solitária


Salve colegas vento-navegantes!

Como vocês sabem, escolhi quatro velejadores solitários pra seguir as pegadas ao longo do presente ano. Duas mulheres e dois homens.
- Quais?
Laura Decker
Jéromine Pasteur
Mike Horn e
Michel Desjoyeaux
- Que eu saiba, dentre eles, a única que está realizando uma longa viagem em solitário no momento, é aquela que torna-se-á, se tudo correr bem, a mais jovem pessoa a dar uma volta ao planeta Terra, por MAR, sozinha, com a cana do leme de um veleiro na mão. Laura Dekker.
Mas não é dela que Madame Sorte deseja que falemos agora e sim da Jéromine Pasteur.
Ontem à noite, pesquisando sobre a "Madrinha das Árvores" no Google, descobri curiosidades sobre sua vida, que não sei se vocês tinham conhecimento. Já vamos ver.
- Vocês sabiam que Jéromine Pasteur construiu com suas próprias mãos, aos 23 anos, o veleiro "Jydartha", a bordo do qual partiu em viagem solitária pelos MARES do mundo? 
- Vocês sabiam que em 1987 Jéromine Pasteur participou de uma expedição que localizou no meio da porção peruana da floresta Amazônica, a maior ponte natural do mundo (a confirmar)?
- Vocês sabiam que Jéromine Pasteur conta com o apoio da WWF, junto à qual exerce a função de embaixadora?
- Vocês sabiam que Jéromine Pasteur é co-autora da série "Biotiful People" que vai ao ar no canal "Planeta"?
- Vocês sabiam que no começo do corrente ano, Jéromine Pasteur criou o "Indibio", Instituto dedicado à diversidade biológica?

Se vocês já sabiam de tudo isso, considerem-se muito bem informados sobre esta navegadora solitária, que pensa na saúde do planeta, antes de pensar na sua própria. Ou seja Jéromine Pasteur é o oposto do egoísta. Jéromine é altruísta. Ótimo exemplo a ser seguido, neste momento tão delicado da História da Humanidade.
- Porque delicado?
- Porque se não agirmos rápido e com a sabedoria superior do ALTRUÍSMO o futuro da raça humana será bem mais curto do que sonhamos.

Em francês



Née le 30 novembre 1954 à Monceau les Mines (France), Jéromine Pasteur partage sa vie entre la mer, le secret de sa forêt et son engagement à soutenir ses amis Ashaninkas. Et elle écrit.
Bachelière à 17 ans, elle commence à Lyon des études de langues, qu’elle abandonne pour se consacrer à la découverte de la navigation à la voile. Habitée par une singulière aspiration à découvrir le monde, elle fait du voyage à bord d’un voilier son mode de vie.
Depuis vingt ans, Jéromine Pasteur navigue d’un océan à l’autre et retourne régulièrement au cœur de la forêt péruvienne auprès d’un clan d’indiens ashaninkas, sa "seconde famille".
En 1987, elle avait reçu le Prix Victor de l’Aventure (Paul Emile Victor).
Puis elle repart en Amazonie ashaninka pour écrire son premier livre, "Chaveta", qui connaît un immense succès.
L’année suivante, elle est élue "L’homme de l’année" par les Jeunes Chambres Economiques de France, pour "son action bénévole et philanthropique, pour sa passion constructive et son respectueux amour de la nature".
Elle mène une lutte de chaque instant pour la défense de la Terre, reçoit un prix littéraire, se trouve désignée par TF1 la marraine des arbres, et bien d’autres choses...
En chaire de la Sorbonne elle lance un appel officiel, lors d’une réunion sur l’environnement à laquelle elle a été priée : " L’appauvrissement de notre terre aujourd’hui, c’est l’étiolement de tous les hommes de demain. Nous devons penser... continua em... link-do-texto

- Curioso pra saber ainda mais sobre a apaixonante Jéromine Pasteur amigo leitor? Então desguste este ótimo artigo que acabei de encontrar sobre ela. Está em francês. Tudo bem?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pena! Pena imensa! Pena máxima! - Mike Horn - velejador solitário



Meus melhores e mais belos sonhos, amigos, eu os sonho sempre a bordo da "Estrela d'Alva", embalada pela divina MAR, quando calma, numa enseada amiga.

Faz mais de nove meses que não tenho esse prazer.
Mas de ontem pra hoje, dormindo numa cama dura e imóvel em terra firme, tive um sonho interessante...
Começou mal, mas o final foi feliz, leiam.
Vinha eu velejando todo alegre a bordo da minha querida "Estrela d'Alva" num dia de sol forte e céu azul.
Parti da enseada da praia de João Fernandes em Búzios e me dirigia rumo à ilha de Âncora, que pretendia circunavegar pela terceira vez...
Um vento médio de través me levou até meio caminho entre Gravatá e Âncora. De repente apareceu do nada uma ameaçadora nuvem cinza-negro no céu. O vento rondou de NE pra E, aumentou de intensidade e disparou duas rajadas à queima-vela na "Estrela d'Alva", que "virou de cumbuca pra cima", no dizer da minha avó Balbina, atirando-me à MAR. Por sorte meu celular estava onde deveria estar. Numa embalagem estanque pendurada ao meu pescoço. Liguei pra Guarda Marítima, depois pro Corpo de Bombeiros, depois pro Icab, mas todos os telefones estavam ocupados. Tentei mais uma, duas, três, dez, trinta vezes, sempre ocupados. Liguei pros meus amigos particulares, nenhum atendeu. Pensei...
- Só me resta uma coisa a fazer, deitar na prancha de surf, que meu amigo Telmo Moraes ajudou-me a comprar e nadar até a ilha de Âncora... Preciso fazer isso rápido, antes que caia a noite e apareçam os megalodontes...
Se me perguntarem, não sei dizer-lhes porque em vez de pensar em tubarões, pensei em megalodentes, que extinguiam-se há milhares de anos.
Quando já ia abandonando a "Estrela", vejo um veleiro aproximar-se de nós a alta velocidade. Reconheci o "Pangaea" do Mike Horn com tudo em cima. Num piscar de olhos alcançou nossa posição. A bordo, debruçados por cima da amurada, olhando-me atentamente, vi o Mike Horn, a Jéromine Pasteur, o Michel Desjoyeaux e a Laurinha Dekker.
Mike Horn tomou a palavra e disse.
- Fique calmo, que vamos tirá-lo daí Fernando.
- Estou calmo Mike.
- Melhor assim, quem mata é o pânico e jamais a MAR.
Logo a seguir a Jéromine e o Michel jogaram-me cada um o chicote de um cabo e o Mike falou com seu forte sotaque sul africano.
- Amarre um no bico de proa, outro na popa da Estrela.
-  Pronto Mike!
- Agora retire os bujões Fernando.
- Mas Mike, a "Estrela não tem bujões!
- Não tem, mas deveria ter, tome isto e faça dois furos no fundo da canoa.
Disse isso e me atirou um antigo arco-de-pua todo enferrujando.
Fiz dois furos no fundo da "Estrela", que minuto seguinte ganhou altura. Toda a água que lhe enchia o bojo vazou. Mike Horn atirou-me duas rolhas. Vedei com elas os orifícios recém-abertos no fundo de compensado naval da Estrela, que arriada de volta à superfície da MAR, voltou a flutuar. Amarraram-na pelo arganéu do bico de proa à popa do "Pangaea". Içaram-me pra bordo. Recebi quatro apertos-de-mão de verdade, mais dois beijos, um da Jéromine outro da Laura. Minuto seguinte o Michel Desjoyaux entregou-me roupas secas pra vestir, mais um chocolate quente pra beber. Quando eu já estava agasalhado e bem nutrido a Jéromine segurou no meu ombro com firmeza e disse olhando-me no fundo dos olhos.
- Estamos velejando por velejar, quer vir conosco?
- Cla-cla-cla-ro! Mas de onde vocês vêm?
- Da França.
- E pra onde vocês vão?
- Pras paradisíacas ilhas do Pacífico, após realizarmos uma volta e meia ao mundo, sem escalas, passando pelos cabos Boa Esperança, Leewin e Horn.
- À semelhança de mestre Moitessier em 1968/9?
- Isso mesmo.
- E o Michel não participa mais de regatas?
- Cansei do stress das regatas Fernando. Você é quem está certo. Nada melhor que velejar por velejar.
- E o Mike? Não realiza mais grandes trabalhos-de-Hércules?
- Cansei Fernando, não das minhas aventuras, mas do assédio da imprensa e das exigências dos meus ex-patrocinadores. Razão tem você. Nada melhor que velejar por velejar.
- Vem conosco?
Disseram a Jéromine Pasteur e a Laura Dekker em coro.
- Claro que sim! Respondi eu feliz da vida.
Mas nisso meu despertador tocou e acordei...
Pena! Pena imensa! Pena máxima!
- Voltando ao mundo real, querem saber o que meu herói Mike Horn anda fazendo neste exato momento?
- Vejam!


http://www.mikehorn.com/en/pangaea

domingo, 26 de setembro de 2010

Michel Desjoyaux 2 - velejador solitário


Bom dia amigos velejadores de Cabo Frio, do Brasil, da América, do mundo inteiro!

Não sei se vocês já perceberam, mas nesta rubrica, velejador solitário contemporâneo, eu elegi quatro marujos, como minhas estrelas-guias no céu da aventura. Dois homens e uma mulher.

Primeiro as damas. Uma veterana e outra iniciante. Iniciante das mais pretensiosas, diga-se de passagem e no bom sentido do termo, claro:


Jéromine Pasteur


Laura Dekker

Agora sim, a vez dos homens:



Mike Horn


Michel Desjoyaux

Falemos mais uma vez deste último, que foi o primeiro, o vencedor da última Vendée Globe em tempo recorde.
A mais recente façanha de Michel Desjoyaux, amigos, foi em terra.
Acreditem se quiserem, mas ele, seu irmão, à frente de um grupo grande de colaboradores construiram um novo Open 60, partindo do zero, em apenas seis meses. Inacreditável!
Ou seja, o novo "Foncia" nasceu de projeto original e inétido, desta feita de autoria de um francês e não de um norte-americano. Verdier em lugar de Farr.

Bons ventos a todas e a todos a começar por Michel Desjoyeaux!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Michel Desjoyaux - velejador solitário



Salve colega velejador!


Não sei se você está ligado, mas há 6000 anos, que nós, "macróbios humanos", navegamos na divina MAR. Dos primórdios até o séc. XIX, navegamos sempre em bando, em grupo, em equipe, formando uma tripulação numerosa, até que um iluminado, chamado Joshua Slocum, realizou o que ninguém ousava nem pensar na época. A primeira volta ao mundo em solitário, a bordo de um pequeno veleiro.
- Lembra do nome do veleiro de Slocum, amigo velejador?
- Não? Dica, a primeira letra é S.
- Nada? Mais uma. Tem a ver com desodorante.
- Ainda não? A última. Termina com y.
- "Spray"! - Acertou! Parabéns!
Peça-me um queijo "Polenguinho" como prêmio, quando nos cruzarmos no mundo real.
– Quando foi isso? – Há exatos 113 anos.
- Percebe o quanto velejar solo é moderno e ousado, amigo velejador? Para os 6 000 anos que navegamos na MAR salgada em comunidade, navegamos apenas 113 individualmente. E 113 é menos de 2% de 6 000. Ligado? Detalhe importante, pra cada 1000 barcos conduzidos por um grupo de marujos até o presente, apenas um é governado por um único e todo poderoso navegante. Em verdade eu lhe digo, o bicho-homem teve de evoluir muito e em muitos sentidos até conquistar o raro privilégio de cruzar solteiro, os oceanos.
E esta é a principal razão que me faz cultuar velejadores solitários. Já fiz a apologia de Joshua Slocum, de Vito Dumas, de Bernard Moitessier e do Éric Tabarly, dentre outros.
- Curiosa pra ler o que escrevi sobre eles, amiga leitora? Fácil, basta clicar na tag velejador solitário, logo abaixo do cabeçalho deste blog.
Em princípio a biografia de qualquer velejador solitário me interessa como objeto de estudo, pois que também sou velejador solitário e meu universo só pode ser a MAR e a história da navegação à vela em solitário. Dentre os velejadores solitários em atividade, escolhi três pra “acompanhar” este ano: Mike Horn, Michel Desjoyaux e a jovem e corajosa Laura Dekker, de apenas 14 anos. Já fiz a apologia do Mike e citei duas vezes a Laura, portanto falemos do Michel, que foi o primeiro a chegar a Sables d’Olonne ano passado, completando o infinito percurso da famosa Vendée Globe, em tempo recorde. Vou ser didático não, que detesto didatismo. Só vou falar do que mais admiro no “Professor”. Detalhes como cidade onde nasceu. Idade. Se é casado ou solteiro. Quanto ganha. Qual o comprimento, boca máxima e o peso do bulbo de quilha do seu veleiro etc., deixo vocês pesquisarem na janelinha mágica do Google.


Admiro três tópicos no perfil do Michel Desjoyaux.
- O fato dele gostar de ensinar o que sabe. Durante a última Vendée Globe, acreditem se quiserem, mas ele deu aulas pra alguns de seus concorrentes por chat e e-mail.
- Os ótimos textos altamente irônicos que ele escreve a título de diário de bordo.
- Sua inacreditável e inédita recuperação durante a última Vendée Globe. Quebrou no primeiro logo no primeiro dia. Retornou ao porto de partida. Perdeu 40 horas. Consertou. Voltou à regata. Ultrapassou um a um todos seus concorrentes até deixá-los na esteira do seu bólido alado. Haja coragem, haja força de vontade, haja conhecimento profundo da arte-zen de velejar em solitário.
 
Presentinho pra vocês: O vídeo ( com um minuto de duração ) da apoteótica chegada de Michel Desjoyaux, vencedor da última Vendée Globe.

Gostaram? Confesso que o que mais me agrada nesse vídeo é ver um veleiro navegando mais rápido que algumas lanchas. Isso, sem fazer barulho, sem poluir a MAR, sem poluir o ar, sem cheirar mal, sem gastar enfim uma única gota de combustível fóssil. Querem que lhes diga? O barco à vela é a mais inteligente invenção dos humanos. Pena que nós brasileiros ainda não sabemos disso. A ficha só vai cair quando a última gota de petróleo tiver sido queimada e a camada de ozônio deletada. 

Bons ventos e até breve!
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