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domingo, 21 de novembro de 2010

"O Hamlet da MAR" - "Deep Water" parte 5 - filme sobre a primeira regata de volta ao mundo em solitário



- Salve velejadoras e velejadores solitários!

- Falemos again, a mando de Madame Sorte, do mais infeliz dos velejadores solitários de todos os tempos e lugares:
- Donald Crowhurst.
- Aquele que blefou jogando contra a toda poderosa MAR.
- Coitado.
- Basta a gente olhar pras enormes vagas do Pacífico Sul, na quinta parte de "Deep Water" pra sentir o drama de Donald Crowhurst, que eu apelidei de
 "O Hamlet da MAR".
- Amigos navegantes, podemos fazer de tudo quando na MAR, menos mentir sobre nossa posição. Na MAR você pode dizer, se tiver certeza, por onde já passou, jamais onde estará amanhã.
- Antes de seguir adiante com meus comentários, gostaria de mostrar-lhes meia-dúzia de extratos favoritos dos posts anteriores, que já publiquei neste blog, a respeito do incauto, do bisonho, do temerário, do inocente Donald Crowhurst.
- Concordam?
- Lá vai!

"Só que algo estranho acontece... O tempo passa e nada de Donald Crowhurst chegar... Dos nove navegantes que partiram, apenas Robin Knox Johnson consegue completar a prova." link-do-texto
"Estou aos 3 mins 16 seg do filme... Vejo uma imagem perturbadora! Loucura isto! O trimarã do Donald Crowhurst visto por ele mesmo, poucos segundos após ter saltado na MAR, com o cronômetro e outros objetos pesados amarrados ao pescoço... Afundando... Afundando, tragado pelo abismo. O que teria pensado Donald Crowhurst durante seus últimos dois minutos de vida, olhando "do fundo do MAR" o casco do seu trimarã boiando na superfície? Isso jamais saberemos e isto é o que mais me intriga neste primeira parte do filme. São 4 h da manhã. Vou tomar um chocolate
quente, já volto."  link-do-texto

Olhando pro rosto sofrido do Simon Crowhurst pensei que mais triste deve ter sido sua vida, após o inconcebível e histórico fiasco protagonizado por seu pai, que o suicídio deste último. Morrer é doce, amigos, principalmente
 se for na MAR. link-do-texto

Vergonha vitalícia que se reflete nas vozes melancólicas de perdedores da viúva e do filho do famoso trapaceiro. Confesso que ouvi-los me deprime. Na situação deles eu jamais comentaria semelhante assunto. link-do-texto 
 
Incapaz de afrontar o Índico e o Pacífico irados, opta pela farça. Mas, antes do epílogo, já sem força mental pra suportar a fantasiosa versão dos fatos, ao contrário de Hamlet, opta pelo suicídio, ultrapassando o próprio Hamlet em dramaticidade.
 
Tem um detalhe que muda tudo, e que eu ignorava. Eu pensava que o Crowhurst era apenas um espertalhão que planejou se dar bem às custas da primeira regata de volta ao mundo, em solitário e sem escala. Na verdade ele entrou numa tremenda sinuca-de-bico. Se ficasse o bicho comia, se corresse o bicho pegava. Optou pela mentira. Mas a mentira, todos sabem, tem pernas curtas, no dizer da minha avó Balbina. link-do-texto
 
Sobre a quinta parte do documentário eu acrescentaria um último comentário. Observei ao longo da minha curta-longa vida neste mundo de Deus e do diabo, que um dos verbos que os macróbios humanos mais conjugam é o verbo mentir.
O pior lugar pra se mentir, amigos, é a bordo de um veleiro, velejado em solitário. Mas se mesmo assim você quiser, precisar, for obrigado a mentir colega velejador, minta sobre o seu passado na MAR e jamais sobre o futuro. O futuro na MAR é mil vezes mais imprevisível que o futuro em Terra.
 
Bons ventos a todas e todos os velejadores solitários do mundo, a começar por Laura Dekker, Jéromine Pasteur, Mike Horn e Michel Desjoyeaux.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Deep Water" parte 4 - filme sobre a primeira regata de volta ao mundo em solitário


Salve colega velejador!

Acabo de assistir, pele toda arrepiada, pelos mais cabelos na vertical, a quarta parte do excelente documentário "Deep Water" (2006) de Louise Osmond e Jerry Rothwell, sobre a primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência.
- Curioso pra conhecer minha mais secreta vontade neste exato momento, amiga leitora?
- Viajar pra Stratford-upon-Avon na Inglaterra, a bordo da minha impávida "Estrela d'Alva". Ia demorar um "tempinho" pra chegar lá. Mas quando lá chegasse, ressuscitaria Shakespeare,"o Bardo" e pedir-lhe-ia, que me escrevesse uma peça intitulada "Donald Crowhurst - o marujo suicida", que partilharia, é claro, minuto seguinte com vocês, aqui neste meu blog dedicado à divina MAR e a tudo que com ela se relacione. Essa fantástica estória merece a mão mágica de Shakespeare, amigos.
- Como eu ressustaria o semi-deus-humano William Shakespeare, compatriota do nosso amigo William Serjeant e do malfadado Donald Crowhurst idem?
- Fácil, usando o mesmo estratagema do ADN coletado do último mosquito que tivesse picado Shakespeare. Por favor não vejam o péssimo, "Jurassic Park" e suas ainda piores continuações, pra saber como isto funciona. Contente-se com sua fantasia, que a fantasia da atual Wollywood faz mal aos neurônios.
Melhor, vejam esse curto extrato que editei pra vocês e digam-me se Donald Crowhurst, não lembra Hamlet, nas suas mais profundas conjecturas existenciais.


Incrível e hiper teatralidade dessa estória, não amigos? Um-falso-marujo-de-alta-mar fazendo teatro em solitário no meio do oceano... Um solilóquio inconcebível. Um monólogo sombrio e tão desesperado quanto o célebre " To be or not to be" hamletiano. Donald Crowhurst contando pro livro de bordo, pro seu diário pessoal e pra câmara, versões diferentes de sua trágica odisséia consegue ser mais patético que o mais patético dos personagens do teatro mundial! Concordam? Um homem encurralado entre a perversa MAR das altas latitudes e a falência no seio da tresloucada Sociedade de Consumo. O patrocidador do Donald Crowhurst simplesmente lhe disse.  - Ou você levanta âncora ou lhe processo e você perde tudo que possui. Donald parte apavorado pro mar, dizendo baixinho: - O barco ainda não está pronto... Incapaz de afrontar o Índico e o Pacifico irados, opta pela farça. Mas, antes do epílogo, já sem força mental pra suportar a fantasiosa versão dos fatos, ao contrário de Hamlet, opta pelo suicídio, ultrapassando o próprio Hamlet em dramaticidade. Vejam, leiam e ouçam isto e tirem suas próprias conclusões que certamente serão melhores que as minhas.

 Winspear:
Don was always totally positive
and confident...
on the surface.
But the log revealed
a totally different story.
"November 5th, Tuesday:
Rachael's birthday.
Happy birthday, Rachael.
Hell of a morning for me, though.
I was feeling pleased with myself
when I noticed bubbles were blowing
out of the port forward hatch.
All the evidence was
that the compartment was full of water.
November 7th,
Thursday:
Saw that more screws had fallen out
of the self-steering gear.
That's four gone now.
The cockpit hatch has been leaking,
and it's flooded the engine
compartment and electrics.
This bloody boat is
just falling to pieces."



Você encontrará todas as legendas desse e de outros filmes nesta maravilha
 de site aqui:



http://subscene.com/



Bons ventos a todas e todos!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"Deep Water" parte 3 - filme sobre a primeira regata de volta ao mundo em solitário




Salve colega velejador!

Se você morre de curiosidade pela primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência, realizada no planeta Terra, em 1968/69, não pode de jeito algum perder este excelente documentário que é "Deep Water" (2006) de Louise Osmond e Jerry Rothwell.
Difícil agora é fazer apenas um comentário sobre essa terceira parte do filme.
Vou tentar...
O que me deixa triste é perceber até que ponto a vida dos pais influi na dos filhos em nossa sociedade. Será que não haveria um jeito de proteger os filhos do Donald Crowhurst dessa via-crucis. Carregar nas costas, o sobrenome de um homem que blefou durante uma regata histórica. Vergonha vitalícia que se reflete nas vozes melancólicas de perdedores da viuva e do filho do famoso trapaceiro. Confesso que ouvi-los me deprime. Na situação deles eu jamais comentaria semelhante assunto.

Legendas em inglês de "Deep Water"
And at 3:00 this afternoon,
after innumerable delays,
start Mr. Crowhurst did.
How many can you manage?
- What about...?
- The kids? Yeah, all right.
We're terribly short of time.
The pilot is waiting.
I'm awfully sorry.
I remember going on a small rowboat
with my brothers and my sister,
and my father kissing us goodbye.
It wasn't a feeling of sadness
so much as excitement.
But I suppose there was a feeling also
in the back of my mind,
"Well, you don't quite know
what's going to happen next."
The children were oblivious
to the danger,
without any doubt.
And it's just as well,
really.


Você encontrará todas as legendas desse e de outros filmes nesta maravilha de site aqui:

Bons ventos a todas e todos!

sábado, 4 de setembro de 2010

"Deep Water" parte 2 - filme sobre a primeira regata de volta ao mundo em solitário


Acabei de rever esta segunda parte de "Deep Water" (2006) de Louise Osmond e Jerry Rothwell. Excente documentário!
*Adorei ver a rainha da Inglaterra condecorando Sir Francis Chichester com a espada que havia pertencido a Francis Drake.
*Sorri ouvindo o comentário da ex-mulher de mestre Moitessier:
"Eu não podia impedir Bernard de fazer o que ele mais desejava fazer. E depois se eu tivesse tentado, ele teria feito da mesma forma. Quem consegue impedir um andorinha de voar?" ( tradução livre de Fernando Costa)
*Fiquei muito decepcionado com o amadorismo de Donald Crowhurst. Comparem o Tabarly içando um balão com vento forte neste link interno com o Donald Crowhurst içando uma buja nesta segunda parte de Deep Water sob vento fraco. Ridículo!
* Pay attention! Não recomendo a ninguém quebrar uma garrafa de champagne, da maneira como vemos um amigo do Crowhurst fazer, na festinha de lançamento do seu fatídico trimarã. Alto risco de sofrer um enorme corte numa ou em ambas.
Olhando pro rosto sofrido do Simon Crowhurst pensei que mais triste deve ter sido sua vida, após o inconcebível e histórico fiasco protagonizado por seu pai, que o suicídio deste último. Morrer é doce, amigos, principalmente se for na MAR.

"É doce morrer no MAR, nas águas verdes do MAR. A noite que ele não veio foi, foi de tristeza pra mim. Saveiro voltou sozinho. Triste noite foi pra mim."
Dorival Caymmi

Duro é sobreviver sob o peso de uma herança tão  incômoda, pra não dizer vergonhosa. Eu, na situação dele, teria trocado de nome e sobrenome e nunca jamais comentário assunto tão desagradável. Mas como bem dizia minha avó Balbina, "cada homem é um mundo à parte em cada peito."

Bons ventos!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cronus mais cruel que Netuno - "Deep Water" - "Mar Bravo" - filme


Salve amigos!
Como vocês já devem ter percebido minhas cinco obsessões no momento são:
1 - A construção "ALEGRIA 2" (2010)
2 - O documentário "DEEP WATER" ( 2006) de Louise Osmond e Jerry Rothwell
3 - O filme "OCÉANS" (2010)  de Jacques Perrin
4 - LAURA DEKKER, que está vivendo seu 11º dia de aventura. E que aventura! A maior e mais excitante que um "macróbio humano pode realizar na face esférica da Terra.
5 - O documento À DERIVA do GreenPeace
Falemos um pouco mais, se me permitem, da minha segunda obsessão, o documentário "DEEP WATER", cuja primeira parte estou revendo neste exato momento.
As palavras de abertura do filme são "Nós somos todos seres humanos e seres humanos sonham.", ditas pelo narrador com o "Joshua", se não me engano, ( creio que me engano), navegando em pleno oceano, visto do zênite. Isso logo após duas apavorantes visões da "MAR" cruel dos 40 bramadores... Lindas e apavorantes... Penso em Shakespeare que escreveu "Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono." Corta!


Encontrei um maluquinho no youtube que se "filmou" assistindo "Deep Water". Boa idéia, acho que vou fazer o mesmo comigo. Isso me encanta, sabem, as expressões das pessoas vendo um filme, às vezes mais que o filme em si. Não será o caso  deste, aposto. O tal maluquinho do youtube assiste quase que indiferente a primeira parte do filme, sinal de que ele não é filho de nenhum dos protagonistas desta incrível aventura. Gostaria mesmo é de olhar o filho do Donald Crowhurst assistindo esse impressionante filme ao lado dos filhos do Knox-Johnston e do Bernard Moitessier... O grande perdedor, o vencedor oficial e o verdadeiro vencedor. Corta!





Selecionei o seguinte comentário de cancerparty (youtube):
"My only hero. I'll love him forever, because Donald's failings tell us all a little about how we all fail in this universe, how we try to make something important, that will last. And, ultimately, our lives are meaningless. Just listen to the opening lines. It's about trying to defeat the incomparable strength of this life, and coming up short. It's about the beauty of trying and failing. It's the only story I understood in this life. So he tried to walk on water. Let us all try sometime. Love x". Este comentário me lembra um extrato do poema "Tabacaria" de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, que Donald Crowhurst talvez tenha recitado pouco antes de se suicidar.


"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara."
Corta!
Meu comentário é o seguinte - Desde que tive notícia desta primeira regata de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência, que espero por este documentário... Pretendo saboreá-lo até o fim diante de vocês... Na verdade eu gostaria de contratar 13 bons diretores de cinema diferentes ( nenhum hollywoodiano) pra me contar essa mesma estória de 13 maneiras diferentes... Esse tema me fascina. Corta!



Estou aos 3 mins 16 seg do filme... Vejo uma imagem perturbadora! Loucura isto! O trimarã do Donald Crowhurst visto por ele mesmo, poucos segundos após ter saltado na MAR, com o cronômetro e outros objetos pesados amarrados ao pescoço... Afundando... Afundando, tragado pelo abismo. O que teria pensado Donald Crowhurst durante seus últimos dois minutos de vida, olhando "do fundo do MAR" o casco do seu trimaran boiando na superfície? Isso jamais saberemos e isto é o que mais me intriga neste primeira parte do filme. São 4 h da manhã. Vou tomar um chocolate quente, já volto. Corta!

Tomei o chocolate e vi a primeira parte do filme até o fim. É... como eu imaginava... A imagem mais forte dessa primeira parte é a que já comentei... Acho que ela poderia ser mais emocionante ainda se tivesse sido filmada por uma câmara descendente e não estática... Mais um detalhe... Que tristeza olhar pra Clare Crowhurst atual e compará-la com a Clare Crowhurst de 1968... Cronus sabe ser mais cruel que Netuno.


Bons ventos e até breve

terça-feira, 20 de julho de 2010

O terrível teatro de Donald Crowhurst - grupo Altomar



Salve amigo leitor!

Alguns integrantes do ótimo grupo Altomar (vide meus favoritos) se interessaram por "Deep Water" (2006) e eu postei a mensagem abaixo a respeito. De repente lhe interessa. Se você gosta de aventuras marítimas dramáticas, que acabam em morte trágica, a estória do infortunado Don Crowhurst é uma das mais teatrais  que conheço. Leia! 

Encontrei o ótimo "Deep Water" (2006) - pronto pra baixar aqui. É só abrir uma conta grátis.

http://www.watch-movies.net.in/link/deep-water-2006/

E encontrei as legendas em português de Portugal aqui


Adoraria ler o maior número de comentários possível, sobre esse importante documentário, feitos de preferência pelos assíduos participantes do Altomar.
Cada detalhe desse filme me interessa.
Nunca pude imaginar que existissem tão boas e detalhadas imagens de arquivo, tanto fotografias, quanto imagens em movimento sobre o infeliz Donald Crowhurst, que de vilão transforma-se em estrela do filme, despertando mais curiosidade que o grande Moitessier e relegando o vencedor da regata, Robin Knox-Johnston ao terceiro plano.
Tem um detalhe que muda tudo, e que eu ignorava. Eu pensava que o Crowhurst era apenas um espertalhão que planejou se dar bem às custas da primeira regata de volta ao mundo, em solitário e sem escala. Na verdade ele entrou numa tremenda sinuca-de-bico. Se ficasse o bicho comia, se corresse o bicho pegava. Optou pela mentira. Mas a mentira, todos sabem, tem pernas curtas, no dizer da minha avó Balbina. O bicho acabou mordendo Crowhurst na cabeça. No cérebro. Na mente, se é que me entendem. Mas antes de pular n'água fria e salgada com o crônometro e o sextante amarrados ao pescoço, redigiu o mais louco diário de bordo que se tem notícia. Na verdade redigiu dos diários de bordo, um fantasioso e outro verdadeiro. O fantasioso é também ufanista e o verdadeiro altamente deprimente.
Bons ventos amigos e que vocês jamais revivam em pleno oceano, o terrível teatro de Donald Crowhurst! Fico me perguntando...
 Será que alguém sofreu tortura pior e mais longa que a dele?
Mais longa sim, porque uma noite de tempestade na MAR dura uma eternidade. Concordam? E quantas tempestades o pobre Crowhurst amargou sozinho em alta MAR antes de morrer, ele que era apenas um marinheiro de fds? Só Netuna sabe! Netuna sabe de tudo mas não conta nada. Netuna é o contrário dos meus detratores, esses sabem de nada, mas contam tudo.

Fernando Costa


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