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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Metamorfose Ambulante - news de setembro de 2013 - 10


Gibraltar - 25 de setembro de 2013 - foto de Fernando Costa




METAMORFOSE AMBULANTE


Muito boa noite amigas e amigos leitores deste oceânico serial-blog, dedicado à divina MAR, ao inteligente BARCO À VELA e ao sagrado MEIO AMBIENTE.

Não sei se vocês estão ligados, mas este é o centésimo e último post do

sábado, 1 de outubro de 2011

Newsletter nº 1 de outubro de 2011


Eu, a Estrela d'Alva, o Katrina e o TT no canal de Itajuru em Cabo Frio
foto de Benno Grapentin do veleiro "Sakumé"




Não, sei os amigos leitores ainda se lembram de mim, mas faz tempo, muito tempo que não lhes envio uma newsletter.
- Porque desapareci todo esse tempo?
- Para dedicar-me a alguns projetos ligados à divina MAR, mas realizados em terra.
- Quais deles ?
- Fiz um curso livre de

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Triângulo amoroso na Vendée Globe - news





EM BRASILEIRO

- Pra quem adora novidades aqui vai mais uma.
- Novidade das mais surpreendentes!
- Prestem atenção, vocês que foram viciados em novidades pela imprensa mundial.
- O anjo da guarda Marc Guillemot e seu protegido Yann Eliès estarão juntos a bordo do mesmo veleiro este ano, participando da Jacques Vabre.
Leiam o texto em inglês, abaixo. 
- Lembram-se que durante a última Vendée Globe, Marc Guillemot prestou uma heróica assistência ao Yann Eliès, após o grave acidente que este último sofreu?
- Mas nenhuma cartomante previu o acidente do Yann Eliès, nem que ele e o Marc Guillemot formariam uma equipe três anos mais tarde.
- E é por isso que eu não acredito, jamais acreditei em cartomantes.
- E vocês?
- Para que a alegria seja completa, Marc e Yann levarão a Samantha Davies escondida da ISAF a bordo.
- Não?
- Porque não? Pensam que os três não pensaram nisso?
- Brincadeira!
- Brincando de fazer o que todas as mídias fazem, desde que o mundo é mundo, no mundo inteiro: fofoca.
- Fofoca travestida de notícia séria, o que é pior que fofoca pura e simples.
- Tenho o direito... de vez em quando... só pra variar... não amigos? 
- "Olha que a gente que vai no bonde, decerto que apenas brinca de gente
que vai no bonde."
- Agora falando sério.
- Acredito que esses três juntos protagonizaram uma das mais emocionantes e belas estórias da incrível, fantástica, extraordinária história da Vendée Globe.
- Yann foi trocar uma vela na proa do "Generali" com MAR revolta e levou uma cacetada de uma onde gigante. Fraturou o fêmur e várias costelas. Samantha e Marc alertados pela comissão de regata, mudaram totalmente seus rumos e foram auxiliar o companheiro acidentado. Yann foi resgatado por um navio australiano graças à impecável ajuda do Marc. O homem certo, no lugar certo, agindo de forma exemplar. Após uma série de peripécias que seriam longas de narrar e que incluem a perda do bulbo de quilha do "Safran", Marc chegou em terceiro e Samantha em quarto, numa regata em que dos 30 velejadores que partiram, apenas 12 completaram o everéstico circuito. A bela foto acima foi feita a bordo do Safran durante sua entrada triunfal no canal de acesso ao porto de Sables d'Olonne, com o Yann já recuperado das múltiplas fraturas.
- Mais belo símbolo da fraternidade que une os cascudos velejadores da Vendée Globe, impossível.
- Não sei se você está ligada, amiga leitora, mas na Vendée Globe, os concorrentes mais ferrenhos tornam-se zelosos anjos da guarda, assim que um deles se acidenta ou tem seu veleiro sinistrado. Nesta mesma edição da regata o Vicent Riou salvou o Jean Le Cam da morte com o sacrifício do mastro do "PRB". Mas esta já é outra estória.



EM INGLÊS

Marc Guillemot announced yesterday that he will be forming a team with Yann Eliès for the 2011 Transat Jacques Vabre. The skipper of Safran will therefore be reunited with the sailor he went to the aid of in the last Vendée Globe, after the latter suffered an accident in the middle of the Indian Ocean. The Safran monohull is currently in for her winter refit, where work has begun on getting her in... CONTINUA EM link-do-texto 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Afogado x Morto-Vivo - extrato da newsletter nº 2 de 2009


Estrela d'Alva - a canoa alada - Cabo Frio - 18/1/2010 
 Foto de Benno Grapentin



EM BRASILEIRO

Não sei se vocês já tiveram notícia, mas nossa última aventura foi pro Arquipélago dos Papagaios, que inclui as ilhas dos Papagaios, Dois Irmãos, Redonda, Comprida, Capões, Pargos, Breu, Emerência de Fora e Emerência de Dentro, dispersas no interior de um círculo de 10 milhas de diâmetro.
Essa foi, amigos, nossa mais longa aventura desde que começamos a "velejar por velejar", há cinco anos atrás, ao longo da bela Costa do Sol, eu e minha inseparável "Estrela d'Alva".
Ao escrever inseparável "Estrela d'Alva" pensei em todas as pessoas que insistiram comigo ao longo do tempo...
- Fernando porque você não compra outro veleiro?
Engraçado é que essas pessoas sempre queriam que eu comprasse o veleiro que elas ou o amigo delas estava vendendo na ocasião... Deixemos isso de lado, que não vivo em busca de conflitos e sim do inenarrável prazer viver em paz. Mas será que essas pessoas não perceberam que não teria graça nenhuma realizar essas minhas pequeninas-grandes aventuras a bordo de um veleiro-titular, saído prontinho da prancheta de um renomado arquiteto naval e mumificado sob o pomposo título de "classe internacional reconhecida pela Isaf".
Que graça teria circunavegar as vinte ilhas da Costa do Sol a bordo de um Melges 24 de autoria do idôneo Reichel Pugh ? Hein? Nenhuma! Minto. Teria graça sim e muita. Circunavegar uma ilha selvagem a bordo de qualquer veleiro tem sempre graça, mas nem sempre constitui aventura. Aventura, aventura de verdade é isso que tenho feito. Circunavegar as vinte ilhas da Costa do Sol a bordo de uma canoinha alada toda reinventada, de 4,87 m de comprimento ( 6 metros com o gurupés, viu seu Joel Damasceno? ) por 1,30 m de boca máxima, com um mastro de 6,90 m e uma imensa área vélica de 16 m2 que faz o meu antigo e fiel colaborador "Aguavel" se inquietar toda vez que me vê dobrar a ponta da Lajinha ou da Jararaca.
Querem saber o que o grande Lars Grael disse a respeito, da única vez que tive o privilégio de falar com ele?
"- É... se você fez tudo que diz que fez a bordo dessa canoa, é surpreendente."
Ao que eu rebati de bate pronto.
"- Mais surpreendente foi o Lars Grael acidentado, ameaçar de perto a vaga olímpica do incólume Robert Scheidt na Star."
Queria dizer e já disse a vocês que esta última foi nossa mais longa aventura. Trinta dias dentro d'água, já descontados todos os tempos das escalas, que foram numerosas e somaram 96 horas ou quatro dias no total. Passamos dez dias circulando dentro do cada vez mais poluído e fétido canal de Itajurú, a título de "aquecimento" e mais vinte entre a praia do Peró e o arquipélago dos Papagaios.
Além de longa, levando em consideração a duração das anteriores, essa última aventura foi acidentada e incômoda, apesar de bastante divertida.
Pra mim, amigo velejador, se eu conseguir evitar que a "Estrela d'Alva" vire de cumbuca pra cima, vá pro fundo ou pras pedras, tudo é festa.
A "viagem" foi incômoda por conta do caos meteorológico que se instalou sobre o Brasil há mais de cinco meses. Não sei se vocês perceberam, mas durante os 30 dias que durou minha aventura rolou de tudo. O vento soprou de Sul, de Sudeste, de Sudoeste, de Leste, de Oeste, de Nordeste. Do alto pro baixo. De baixo pra cima. De todas as direções possíveis. Felizmente raras vezes forte. As ondas eclodiram de todos os lados. Os vagalhões varreram a costa e fizeram os autofundos ferverem. Os surfistas deliraram. Nuvens de chuvas surgiam de repente em meio a céus azuis ou estrelados. Cheguei a orçar com mar de popa. Velejei no empopado com mar de proa. Naveguei com vento de través com ondas açoitando o costado da canoa de ambos os bordos. Teve um dia que o céu estava azul e ao mesmo tempo coalhado de nuvens negras, a bombordo chovia, a boreste o sol brilhava, a bombordo o vento soprava pela bochecha, a boreste pela alheta e pra enfeitar ainda mais o pavão meteorológico, um arco-íris pairava no zênite. Por conta desse pandemônio muita adrenalina circulou no meu sangue quente, provocando as mais variadas emoções.

Sei tudo que a vela
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de velejar
Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

Falemos de algumas dessas emoções?

MEDO - A única coisa que devemos temer é o medo, mas não tenho vergonha de confessar que tive medo de passar entre os dois caninos do "Javali das Emerências" não. Ali, amigos, o swell se agiganta e beira a arrebentação. Foi a única vez que gritei com a "Estrela d'Alva".
- Vamos dançar "Estrela"!
- Que nada, "caça na crista e folga no cavado" e deixa o resto comigo!
- Olha pro tamanho daquele trem de ondas "Estrela"!
- Já falei! "Caça na crista e folga no cavado" e deixa o resto comigo que eu resolvo!
- Se entrar de repente o SW que a estação Atalaia anunciou estamos f... %$@#& "Estrela".
- Entra não! Tenha fé em Deus meu rei!
Felizmente o SW não entrou e nós conseguimos chegar mais mortos que vivos ( de medo ) à "Toca dos Tucuns" onde passamos a pior noite da expedição com as ondas nos assolando de três em três minutos .

COMPAIXÃO - Pesar que em nós desperta a infelicidade, a dor, o mal de outrem; piedade, pena, dó, condolência. ( Aurélio ) - Ao adentrar a "Toca dos Tucuns" perseguidos de perto pelos vagalhões notamos que...
- Veja só "Estrela"!
- Fala! O quê?
- Pescadores nos espreitando com binóculos...
- Nunca vi disso.
- Nem eu.
A explicação para esta raridade, pescadores observando velejador com binóculos, constituiu a maior surpresa da aventura. Dez pessoas esperavam há dez dias pelo corpo de uma pescador de encosta que havia sido deglutido pela ressaca. Por ironia do destino em vez do corpo do morto arribamos nós os mortos-vivos ( de medo ).

AFLIÇÃO - A aflição é um sentimento de agonia, sofrimento intenso, preocupação ou desassossego por alguma causa ou coisa em que vá afetar a nossa vida direta, ou indiretamente. ( Wikipedia ) - No dia 24/4 - sexta-feira eu tive a cintilante idéia de ancorar a "Estrela d'Alva" com uma Bruce pela proa e uma Danford pela popa.
- Pra que isso? Perguntaria surpreso mestre Nils. - Pra manter a canoa na única área da "Búlica de Pedra" da ilha de Pargos protegida dos ventos fortes de NE, que vinham nos exaurindo há mais de 48 horas. Aconteceu que enquanto eu dormia, o céu estrelado foi invadido de repente por um imenso cúmulo nimbo cuja base começava nas colinas do Peró e se estendia umas duas milhas pra leste da ilha. Quando acordei por volta da meia noite já era tarde demais. O vento tinha rondado e a chuva desabou poucos segundos mais tarde. A nuvem semeou uma penca de violentíssimos raios sobre nós. Raios capazes de... capazes de cegar cego, se me permitem a expressão . A sequência deixo por conta da imaginação de vocês que o autor nunca deve contar tudo ao leitor.
Falei do medo, da aflição, da compaixão faltou falar do encantamento diante das belezas que se vê o tempo todo na mar. Já lhes disse que a mar é uma mulher fatal, que nos mata a golpe de beleza, não disse marujos? Teve uma madrugada... na ilha de Pargos... por volta de 4 horas da manhã... Que vi a lua crescente compondo uma cena tão bela junto com o planeta Vênus, mais uma estrela, mais uma nuvem negra de chuva que pensei com meu botões. - Deus é um artista multimídia!

Extrato da newsletter nº 2 de 5/6/2009. – Projeto “Estrela d’Alva”.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Só faz sentido existir pra melhorar - diário da Estrela


Estrela d'Alva velejando em Búzios, durante a regata de inauguração da flotilha de bateras à vela do Icab - foto de Simone Albuquerque

Eu que pretendia realizar 13 aventuras de sete dias cada, ao longo do corrente ano, já realizei 17 de sete dias, uma de dez e a última, que durou de 4 a 18 de setembro, de 14 dias.
Como tinha previsto não fui longe durante esta última aventura. Na verdade não cruzei a barra do canal de Itajurú e só velejei um único dia. Porque? Por várias razões.
Primeira, porque o excelente livro “O longo caminho” de mestre Moitessier me enfeitiçou durante a primeira semana de “viagem” e não consegui fazer mais nada a não ser, ler o livro, pensar e escrever a respeito.
Segunda, porque durante a segunda semana, uma frente estacionária provocou muitas pancadas de chuva forte na região, durante as quais soprava um vento médio a fraco, de direção e intensidade instáveis, após o que a calmaria se reinstalava.
Terceiro, porque depois de um perrengue passado na MAR é bom a gente dar um tempo pra se autocriticar e aperfeiçoar procedimentos. Penso às vezes que se não fosse pelo perigo que se corre, nós marujos, que gostamos de cutucar a instável Netuna e o temperamental Éolo com vara curta, deveríamos passar um perrengue por mês na MAR. Cada novo perrengue nos re-ensina de forma indelével uma série de princípios que não podemos jamais negligenciar quando na MAR. Concordam?
Já que velejei pouco, remei bastante e testei a nova barraca que eu e meu amigo e colaborador Evandro Lopes inventamos, baseada na que o Beto Pandiani e o Igor Bely usam a bordo do "Bye Bye Brasil". A diferença é que a deles é High e a minha LowTech. Já tínhamos feito três barracas anteriormente, mas esta última versão é a melhor de todas... Dentro dela posso rangar, ler e dormir com relativo conforto e privacidade. Vocês ficariam surpresos se comparassem a primeira com a última... Imensa evolução. Donde se conclui que qualidade não se inventa.
Realizei uma façanha digna de nota, no único dia que velejei. Pela primeira vez percorri o estreito corredor que existe, entre os mais de 70 barcos ancorados ao longo do canal de Itajurú, no bairro da Passagem, de ponta a ponta e com quase tudo em cima. Isso com vento e corrente de maré de sizígia a favor. Ou seja, bastava um pequeno deslize e a “Estrela d’Alva” ficaria presa pelo ra... perdão pelo leme, na amarra da bóia de um dos barcos fundeados. Aposto que isso, meus detratores esqueceram de contar pra vocês. Não esqueceram? Seja como for, pra quem não ousava nem pensar em entrar no canal de Itajurú velejando, progredi bastante, não? No livro dos espíritos do Alain Kardec li que “só faz sentido existir pra melhorar”. Alguém concorda? Alguém discorda? Não entendo isso. Em cada uma das minhas newsletters faço, no mínimo, umas dez perguntas e não recebo nenhuma resposta. Estranha sensação de estar teclando com a pedra da Baleia ou com um indiferente sapo, como as más línguas diziam do meu guru Gilliatt.

Extrato da newsletter nº 18 de 3/10/2008 – projeto “Estrela d’Alva”

sábado, 11 de setembro de 2010

Aleixo Belov, André Homem de Mello e Amyr Klink. – newsletter nº 15 de 2008


Aposto R $ 1.000,00 (MIL REAIS) como o amigo velejador, sensível e inteligente como todo velejador, já percebeu que nos últimos tempos, a minha vida tem se resumido à realização de duas pequenas-grandes aventuras:
Aventura 1 – velejar ao longo da paradisíaca COSTA DO SOL, a bordo de uma pequenina canoa artesanal a remo e à vela, feita de madeira, chamada “Estrela d’Alva”, sete dias sim, sete dias não.
Aventura 2 – Redigir uma curiosa newsletter em terra, contando aos amigos os melhores momentos da recém-realizada mini-expedição.
E aí ganhei a aposta prezado leitor? Seja sincero. Ganhei ou perdi?
Sim ou não imagino que a amiga leitora pensa que estou satisfeito com minha vida sui-generis e feliz? Engano. Ledo engano. Sou insaciável. Sofro de "angústia fáustica" no mais alto grau, leitora amiga. O que eu gostaria mesmo é de multiplicar-me por dez, por cem, por mil (por mil é exagero) entrar no túnel do tempo e coabitar o cérebro de todos os velejadores solitários que circunavegaram o planeta Terra até o presente, incluindo mestre Joshua Slocum, que foi o primeiro a ter e realizar essa brilhante e arrojada idéia. Alguém conhece aventura maior, mais radical e mais rica em eventos emocionantes que esta?

CIRCUNAVEGAR O PLANETA TERRA A BORDO DE UM BARCO À VELA.

Façanha que só três brasileiros realizaram até o presente, em solitário: Aleixo Belov, tema desta newsletter, André Homem de Mello e Amyr Klink.

P. S. : Fiz uma escala em Cabo Frio , para terminar de redigir e enviar-lhes esta newsletter, último item que faltava realizar da minha longa check list. Talvez o mais importante.

Extrato da newsletter n° 15 de 29 de julho de 2008 – projeto Estrela d’Alva.
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