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vendée globe
Zubayda, a próxima proeira da "Estrela d'Alva"
...o único“súdito” de Barak Obama a participar desta Vendée Globe, segue a todo pano, de vento em popa, rumo a Sables d’Olonne, onde deve arribar no domingo por volta do meio dia... A confirmar, que na mar quem manda é a toda poderosa Netuna mais seu inseparável concubino Éolo.
Salve amigas e amigos velejadores
TRILHA SONORA DA MENSAGEM:
Boa pra ouvir velejando em noite de lua cheia, colega velejador, ao sabor de uma brisa amiga, como dizia mestre Slocum, num través bem folgado e mar calma, em companhia da sua namorada, exímia bailarina de dança do ventre, dançando no bico de proa do seu veleiro. E você com a mão firme na cana do leme, saboreando o duplo espetáculo. O luar e a dança. Se o que estava lhe faltando era só a namorada bailarina de dança do ventre, pode escolher uma dessas lindas gatas do vídeo, exceto a que possui uma tatuagem na anca, viu? Pois ela se chama Zubayda e já me confirmou que será a próxima proeira da
“Estrela d’Alva”. A propósito, perceberam a espantosa habilidade manual dessas moças? Acho que elas sabem usar melhor as mãos que um velejador solitário da Vendée Globe. Coisa assombrosa as mãos dessas meninas. Perceberam? A primeira parte é minha predileta e combina melhor com o clima dramático e misterioso das MIL E UMA NOITES. Eu a batizei de “dança das namoradas” e a segunda de “dança das esposas”. E vocês o que acham? Provoco meus leitores o tempo todo. Ninguém me responde nada. Aposto que nos bastidores a fofoca rola solta. “– Sabem qual foi a última do maluco da “Estrela d’Alva”? – Não. Conta aí! - Escreveu que queria ser milionário pra dar um Open 60 pro Amyr Klink participar da próxima Vendée Globe. – Hi Hi Hi Hi! – Figuraça! Esse maluco não tem nada que fazer não? – Hi Hi Hi Hi!” O brasileiro tornou-se o povo mais fofoqueiro do mundo. Essa nossa risadinha de escárnio já é conhecida no planeta todo. Culpa dessas asquerosas novelas televisivas que nos dão aula de todo tipo de patifaria, todo dia, há mais de 50 anos. Aula de vela que é bom, neca! A regata mais moderna e ousada do planeta aproxima-se do fim e que eu saiba nenhuma TV brasileira deu notícia da Vendée Globe, exceto a do programa MAR BRASIL. Parabéns Alexandre Haddad!
http://www.youtube. com/watch? v=4C3nXEGYsS4&feature=related
NOVIDADES SOBRE A VENDÉE GLOBE
O veterano de quatro Vendée Globe Raphaël Dinelli conseguiu consertar a retranca que havia se partido do seu antigo “Fondation Océan Vital”. Isso com a costela quebrada e graças ao abuso de analgésicos. O velejador confessa-se exausto após três dias de muito trabalho e dores. Fazer o quê? Velejador solitário é assim. Tripulação de um homem só. Pau pra toda obra, diria minha avó Balbina. Virando sempre pelo redondo. E dando graças a Deus ao pensar no pobre Yann Eliès. Aquele, coitado, quebrou o fêmur, a bacia e vários costelas, mas, acreditem se quiserem já está ansioso pra voltar pra divina mar. Aliás não pensa noutra coisa. Tem toda razão quem diz que a mar é uma cachaça. Pra mim a mar é champagne francês do bom. E todo champagne francês é ótimo.
Enquanto isso o único “súdito” de Barak Obama a participar desta Vendée Globe, segue a todo pano e de vento em popa rumo a Sables d’Olonne, onde deve arribar no domingo por volta do meio dia. Jamais imaginei que viveria o suficiente pra ver um “branco” norte-americano “sujeitar-se” a um “suserano” negro. Escrevi “súdito”, “branco”, “sujeitar-se” e “suserano” só pra teatralizar o meu texto, viu amiga leitora. Não vai aqui nenhuma intenção malévola nem pejorativa. Como disse o poeta “só o amor me move”. Amor pelo que de mais caro achei neste mundo. A liberdade. A liberdade absoluta, que mora em alta mar. Em terra tá cada vez mais difícil ser livre. Gente demais enfurnada nessas insuportáveis cidades modernas que inventamos.
Derek Hatfield que nos surpreendeu há 6 dias com a notícia de sua partida em solitário de Hobart na Tasmânia, a bordo do seu recauchutado “Algimouss-Spirit of Canada”, foi obrigado a fazer uma escala na Nova Zelândia. Ainda não ficou claro pra mim o que ele pretende. Vou fazer uma pesquisa. Minutinho só. Confirmado o que eu supunha. Ele pretendia completar o percurso da Vendée Globe. Enfrentou ventos de proa de mais de 40 nós e sofreu muito por conta do mal funcionamento dos seu pilotos automáticos. Depois a namoradinha da Vendée Globe, Sam Davies, diz que você pode tudo que você quer. Força de expressão! Mas ainda é cedo pro veredicto. Fiquemos atentos. Pode ser que ele resolva os novos problemas surgidos na travessia e siga em frente. Seja como for, amigos, velejar pelos mares do Sul em flotilha durante a Vendée Globe é uma estória, fazê-lo na qualidade de escoteiro é outra.
CURIOSIDADE SOBRE A VENDÉE GLOBE
- Vocês sabiam que até o presente momento 63,33% por cento dos velejadores já abandonou a atual edição da Vendée Globe? Façam as contas. Partiram trinta. Oito já completaram o percurso da regata. Três ainda estão no mar. Dos vinte e oito homens que partiram apenas seis chegaram até o momento. Das duas mulheres que partiram todas regressaram. Conclusão, as duas debutantes Samantha Davies e Dee Cafari, fizeram a festa em cima dos barbados da Vendée Globe. Quando digo a vocês que o futuro da vela é mulher... E ainda tem idiota que chama as mulheres de sexo frágil. Ha ha ha ha ha. Prometo a vocês que o próximo proeiro da “Estrela d’Alva” será mulher. Quem viu o vídeo da trilha sonora já a conhece. Mas não posso esquecer de antes de por um ponto final neste tresloucado diário de expor pra vocês minha teoria sobre o alto número de abandonos desta Vendée Globe. O título da minha tese é “O macho arrivista contra o orgulho dos outros machos.”
ESCOLA PARA VELEJADORES SOLITÁRIOS DA VENDÉE GLOBE:
LIÇÃO NOVA
Lição nº 17 – EVITAR ERROS – Escrever é evitar de cometer erros. Coisa impossível de se fazer na prática, pois que errar é humano. Velejar é a mesma coisa, tentar evitar de cometer erros. O que deveria ser feito full time e com afinco. Conseguir é que são elas. Se não dá pra evitar de cometer erros, podemos ao menos tentar reduzir ao mínimo sua ocorrência. Os erros fatais, e não a mar, que não é, nunca foi assassina, é que nos mata colegas velejadores. Velejar é tentar o tempo todo evitar de cometer erros fatais e repito, tentar reduzir ao mínimo os erros não fatais. Porque? Primeiro porque os erros fatais nos levam pro fundo sombrio e gelado da mar e segundo porque os erros não fatais fatigam o material, como dizem os franceses. Cada erro que o velejador comete, o veleiro sofre e coleciona uma fadiga a mais. Fadiga essa que somada a outras mil fadigas pode engendrar a avaria fatal. Questão correlata. Quando o velejador solitário percebe que cometeu um erro não fatal, testemunhando a seguir o “sofrimento” do veleiro, fica estressado e minuto seguinte deprimido. Pra vencer a depressão despende muita energia. O dispêndio de energia extenua. Conseqüência: velejado solitário exausto é vítima fácil do erro fatal. Entenderam o círculo vicioso do erro não fatal? Lição de um dos três velejadores participantes da atual edição da Vendée Globe que ainda estão na mar. Não me lembro de qual e no momento estou sem tempo pra pesquisar. Posso passar essa agradável e divertida tarefa pra vocês? Pesquisar. Posso? Ou vão jogar a toalha? Adoro pesquisar, quando tenho tempo, amigos. Ótima escola a pesquisa. O erro idem, apesar de estressar, deprimir e causar dispêndio de energia.
LIÇÕES ANTERIORES
Lição nº 16 – CAMBANDO EM OITO – Quando o vento estivesse soprando forte amigo velejador não tenha vergonha de cambar em oito não viu? Melhor cambar em oito do que cambar em roda ou jaibear e quebrar a retranca, o mastro ou o leme. Lição de vários velejadores que participaram da atual Vendée Globe.
Lição nº 15– SILÊNCIO A BORDO! – Quando for atravessar a divina mar, amigo velejador, fique de olhos e ouvidos atentos aos sinais e ruídos da mar e do vento. Se tiver de falar ao telefone celular ou satélite, escolha o momento propício e seja breve. Velejador bom é velejador calado. Lição do Jean Le Cam que capotou no momento em que estava falando ao telefone satélite com o Vincent Riou.
Lição nº 14 – RESISTÊNCIA x SOFISTICAÇÃO – Se você pretende, amigo velejador, completar uma volta inteira ao planeta Terra, em solitário, sem escalas e sem assistência, durante a próxima Vendée Globe, um veleiro simples e resistente ser-lhe-á de muito mais valia que um veleiro sofisticado, mas frágil. Lição do Steve White que entrou triunfalmente em Sables d’Olonne anteontem a bordo do seu velho e bom “Com o Pé N’água.”
FANTASIA SOBRE A VENDÉE GLOBE:
Fantasia nº 7 – Queria ser o organizador da festa de encerramento da Vendée Globe, amigos, prevista para sábado, dia 23 de maio de 2009, em Sables d’Olonne, quando serão entregues os prêmios aos vencedores da regata, só pra realizar minha mais nova fantasia. A seguinte. Entraria em contato com as equipes “DCNS”, “SAFRAN” e “BRIT AIR”, que criaram três dos mais novos open 60 que disputaram a presente Vendée Globe, pedindo-lhes emprestado seus belos veleiros para uma exibição de 3 horas.
Os trinta velejadores que participaram da regata seriam os protagonistas do espetáculo. Sorteados com antecedência, embarcariam dez em cada open 60. Mas só um manobraria o veleiro de cada vez. Os outros nove ficaram no interior da cabine assistindo o.... ( continua numa próxima mensagem )
NOTÍCIAS DA ESTRELA D’ALVA
Na bóia, com o casco e o costado cheio de cracas, algas e limo, esperando indócil pelo canoeiro aqui. Mais um pouquinho de paciência amiga, que já já a Vendée Globe termina e ficaremos livres pra velejar juntos novamente num dos mais lindos trechos da continental costa brasileira.
EXTRATO DE “AS MIL E UMA NOITES”
na tradução de Mamede Mustafa Jarouche. Que eu saiba a única feita diretamente dos manuscritos originais, sem distorções ou censura. Estória: “O terceiro dervixe.”
“Esticando os olhos para os lados da mar, vislumbrei a embarcação que trouxera o rapaz voltando para...
Bons ventos amigos e amigas velejadoras
Fernando “Estrela d’Alva” Costa


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