foto - Henrique Souza
Salve amigas e amigos velejadores!
Desde que comecei essa excitante pequena-grande aventura de transformar uma simples bateira à remo em veleirinho-de-fortuna, a "Estrela d'Alva já foi chamada de "junco-chinês", "qualquer-coisa-com-uma-vela-em-cima", "fusquinha-metido-a-ferrari", "monstro", "barco impossível", "canot-tout-bricolé", "glu-glu", "mouille-cul", "rafiot-rafistolé" (- N'est-ce pas J. D. ?), posteriormente "bat-vela", "vaurien", "frankenstein-simpático" e mais recentemente "veleirinho", "barquinho-bonitinho" e para finalizar graças à intervenção diplomática do George Campello, da bela escuna "Dália" e à simpatia da Marjorie Phillibert, um "pequeno-clássico-dos-MARes".
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Quem diria, a pobrezinha da gata borralheira "Estrela d'Alva" elevada à categoria de "Cinderela-Clássica" no baile de gala do ICAB! Com direito a troféu, plaquinha-souvenir em aço inox, vinho francês, apertos de mão, abraços e beijos. Uma tartaruga no auge da festa dos pássaros no céu, não seria mais feliz.
foto - Getty Images
Na minha opinião pessoal a "Estrela d'Alva" é um "devir", um "vir-a-ser", um "devenir". Noutros termos a "Estrela d'Alva" é um "work-in-progress" ou melhor "um-prazer-em-andamento". Simplificando, uma "metamorfose-ambulante", pois que não cessa de evoluir. Se me permitem a "Estrela d'Alva" é o elo perdido entre o "homem" e o "macaco".
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Mutatis mutandis, a "Estrela d'Alva" está a meio caminho entre as antigas barcas salineiras à vela da Região dos Lagos (vide uma certa foto do Wolney de 1926, no ateliê do Gaúcho) e os ariscos monotipos de plástico que participam da Copa Pé de Vento. A "Estrela d'Alva", amigos, é produto do cérebro coletivo e ao mesmo tempo da cópula de um olímpico 470 francês, com uma tradicional bateira a remo cabofriense, que diga-se de passagem, não é muito diferente da "lasse" francesa ou do "skiff" norte-americano.
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A "Estrela d'Alva", prezados colegas velejadores, é fruto da sabedoria do generoso mestre Nils, somada à experiência de mais de trinta outros profissionais cabofrienses ou de passagem por estas bandas, que fabricaram peças, prestaram serviços, os mais diversos, ou me deram alguma sugestão importante para aperfeiçoá-la.
foto - Getty Images
Enfim a "Estrela d'Alva", dos meus sonhos, é o protótipo do protótipo do primeiro veleiro popular brasileiro a ser fabricado em larga escala, sob a forma de monotipo em madeira para duas pessoas e vendido ao preço de duas bicicletas simples. Em suma, a esperança de democratização do indizível prazer de velejar no Brasil. Acrescento que participar ativamente do processo de transformação da "Estrela d'Alva", de simples bateira ou caico-a-remo, em eficiente "veleirinho-de-fortuna", foi e continua sendo pra mim mais edificante, que comprar um monotipo pronto no super-mercado da esquina e sair velejando avoadamente por aí.
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Quem entende de brinquedo, sabe que reinventar o próprio brinquedo faz parte da brincadeira. Uma promessa. O dia que um futuro patrocinador financiar o projeto "Estrela d'Alva" na íntegra, vocês terão o prazer de ver uma das canoas à vela e a remo mais belas e eficientes do mundo velejando frequentemente entre Búzios e Arraial do Cabo, em pleno coração da "Região dos Lagos". Com direito a bulbo, trapézio, e balão! E ela será cabofriense e brasileira como vocês e eu. Duvidam? Não, não duvidem daquele que nunca desiste.
Bons ventos e um grande abraço a todos
Fernando Costa
Extrato da newsletter nº 1/2008 do Projeto Estrela d'Alva
foto - Getty Images
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