quarta-feira, 7 de junho de 2017

Calmaria seguida de violento pé de vento! - Ragevan 11



Enseada de Jurujuba - Mapa do J -20

  
 -Jogamos mais duas partidas de Ragevan 2 na enseada de Jurujuba, colegas velejadores.

- O J - 19 e o J - 20.

- O J-19 disputado* sábado passado, que eu apelidei de "serrote de lá pra cá" foi desenhado por mim e eu prefiro
não comentá-lo.

- Porque?

- Porque entramos tarde demais (14 horas) na raia e não tivemos tempo de percorrer mais que quatro seguimentos do circuito.

- Nós, quem?

- Eu, mais minha querida Estrela d'Alva, of course! 

- E porque entramos tão tarde na raia?

- Pelo único motivo importante que poderia alegar.

- Porque passei a manhã toda realizando a manutenção semanal da Estrela*.

- Somamos míseros 120 pontos...

- O vento evaporou e voltamos a remo no apagar das luzes...

- Falemos portanto do J - 20 que eu fiz de tudo pra marcar ponto máximo.

- Acordei bem cedo na segunda-feira dia 5/06/2017 - 4 h 30 da matina.

- Parti do "Yankee Bravo" às 5 h 30.

- Entramos na raia às 6 h.

- Navegamos a remo os quatro primeiros seguimentos do circuito, enquanto o vento não chegava.

-  Quais seguimentos?

- Do Ponto Zero ao Ponto J, do Ponto J até Morcego, de Morcego até Skate e de Skate até São Francisco...

- Quando chegamos a São Francisco o bendito vento surgiu de repente do nada e a Estrela de lagarta virou crisálida e de crisálida evoluiu para Borboleta.

- Que coisa linda!

- Que transformação fascinante!

- Como é possível que um canoa tão pesada quando impulsionada a remo, possa tornar-se pluma levíssima com as velas desfraldadas.

- Deslizamos deliciosamente, sutilmente de São Francisco até o ponto Z e de lá até o belo MAC e do belo MAC...

- Bem a meio caminho entre o MAC e Charitas o vento amainou até cessar de vez.

- Calmaria total.

- Aproveitei pra rangar após cinco horas de navegação.

- De repente entrou o SW rachando e quase virou a Estrela* de cumbuca pra cima.

- Mais uma vez escapamos do desastre no último décimo de segundo.

- Arriei todas a velas da Estrela por precaução.

- Lancei a âncora, mas a âncora número 1 garrou*.

- Apelei para a âncora de misericórdia.

- Rizei a vela grande e enrolei a buja. 


- Ainda conquistamos Charitas debaixo do pé de vento.

- Depois navegamos meio caminho entre Charitas e o "Arquipélago do Enigma", mas preferi arrepender-me de não ter ido, do que arrepender-me de ter ido.

- Na latitude do Morcego as ondas estavam grandes e as rajadas violentas demais...

- Se a Estrela* estivesse a 100% do seu potencial eu teria arriscado...

- Mas como ela está  bem longe desse algarismo ideal, joguei a toalha, pouco antes do vento amainar...

- Mas como eu poderia adivinhar que o vento amainaria pouco depois?

- Pensei em içar novamente velas e reentrar no raia, mas...

- Era tarde...

- Mais de 15 h 30...

- Não daria tempo de completar o circuito antes da hora limite, 16 horas...

- Fica pra próxima.

- Na hora, como o sangue quentíssimo, bateu a insatisfação e recriminei-me.

- No dia seguinte dei-me razão.

- Melhor mesmo arrepender-se de não ter ido do que arrepender-se de ter ido.

- O que não deve ser desculpa pra gente largar o veleiro ancorado ou atracado "ad eternum" como faz a maioria absoluta dos velejadores do planeta, em especial os brasileiros, nestes obscuros tempos que correm.

Fernando Costa     

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