domingo, 14 de maio de 2017

Pena de morte ou prisão perpétua? - Ragevan 2 - 4



Enseada de Jurujuba


  
 - Se por acaso houvesse pena de morte no Brasil...

- Não, não, pena de morte não...

- Não estou convencido que pessoas tenham o direito de tirar a vida de
outras pessoas...

- E vocês?

- Prisão perpétua é mais recomendável pra crime capitais, não?

- Pois bem, se no Brasil houvesse a pena de prisão perpétua e eu fosse a ela condenado por ter realizado o mais grave dos crimes...

- Um crime que, confesso, cometo desde criança...

- Ser diferente.

- Nenhum grupo, rebanho ou cardume tolera isso, um indivíduo que faz algo diferente dos demais...

- No meu caso com o seguinte agravante.

- Eu faço, sempre fiz, tudo diferente dos demais, o tempo todo e em todos os lugares onde vou. 

- Um exemplo basta, todo mundo possui um veleiro de classe reconhecida ou algo que o valha, não é verdade?

- Eu não, meu veleiro, a "Estrela d'Alva" é único, particular, pessoal e intransferível.

- Intolerável, imperdoável, inaceitável isso!

- Mas digamos que um juiz excêntrico condene-me a apenas meia pena de prisão perpétua pelo crime de ser ou tentar ser diferente do resto do coletivo em tudo.

- Bem, segundo meu querido filósofo Borboleta, só há uma maneira de uma pessoa ser condenada à meia pena de prisão perpétua.

- Passar um dia presa e o seguinte livre.

- Adivinhem o que eu faria nos meus dias livres?

- Acertou quem disse que jogaria mais uma partida de "Ragevan 2" em solitário.

- A propósito fiz "ponto máximo" ontem na décima segunda partida de Ragevan 2, jogo que eu mesmo inventei.

- Quarta vez consecutiva que faço 200 pontos nesse jogo irresistível que tenho jogado dia sim dia não.

- Quem mora à beira da enseada de Jurujuba já deve ter avistado um pequenino (seis metros de comprimento por um metro e trinta centímetros de boca máxima) cotre marconi com velas brancas brilhantes, sem número, full-batten, em prolan (desenhadas e fabricadas por mestre Arnaldo Andrade da Cognac Velas) e casco pintado em cores quentes...

- Sim?

- Ontem joguei a mais longa e difícil  partida de Ragevan 2, amigos...

- Viram?

- Quando vinha navegando o penúltimo seguimento de 2.700 metros que separa Boa Viagem do Iate Clube de Jurujuba, fui surpreendido por um violento pé de vento que quase virou minha querida "Estrela d'Alva" de cumbuca pra cima...

- Onde isso?

- No pior lugar possível... No través do morro dos Macacos...

- Só Netuno sabe como sobrevivemos...

- E vocês, quando jogarão uma primeira partida de Ragevan 2, o mais divertido e perigoso dos jogos?

- Atenção, que as regras mudaram.

- Agora temos de conquistar 13 pontos que estão identificados no mapa acima.

- Ou seja, precisamos navegar ao longo de 12 segmentos aquáticos escolhidos por Madame Sorte.

- O deslocamento do ponto de partida até o primeiro ponto sorteado não conta ponto.

- Nem o deslocamento do último ponto ao ponto de chegada...

- Prontos pra içar velas?

- Divirtam-se, que foi só pra isso que nascemos neste mundo governado por Deus e aterrorizado pelo Diabo.

Fernando Costa     

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