terça-feira, 10 de novembro de 2015

Simples assim - Entrevista com François Gabart, skipper vencedor da Jacques Vabre 2015 - ainda incompleta - 30 posts contando a transat Jacques Vabre pra vocês





- Boa noite amigas e amigos deste oceânico blog, dedicado à* divina* MAR, ao inteligente BARCO À VELA e ao sagrado MEIO AMBIENTE.

- Tenho uma ótima notícia pra nós que somos apaixonados por vela.

- Qual?

- A seguinte:

- François Gabart, vencedor (fita azul*) da atual edição da Transat Jacques Vabre, vencedor da última edição da regata "La Route du Rhum" na classe IMOCA e também vencedor da última edição da regata Vendée Globe, com um tempo recorde e inferior aos famosos 80 dias julioverdianos* concedeu-nos uma
entrevista exclusiva, que vocês poderão começar a ler agora mesmo.

ENTREVISTA DE FRANÇOIS GABART

vencedor da atual edição da Transat Jacques Vabre, realizada dia 8/11/2015, em Itajaí, Santa Catarina, Brasil, logo após a entrega de prêmios e troféus.

- Fernando Costa - Boa noite François Gabart, mais uma vez meus parabéns por sua avassaladora vitória nesta edição da Transat "Jacques Vabre" e muito obrigado por conceder-me esta entrevista exclusiva, que lhe peço para dedicar ao povo brasileiro. Minha primeira pergunta é a seguinte:

- Digamos que eu seja mais rico que seu patrocinador Macif e que lhe proponha uma importante missão, nos seguintes termos: François Gabart, o Brasil possui 8.500 Km de costa MARítima, mais dezenas, centenas de extensos rios e lagos navegáveis o ano inteiro. No entanto, estatisticamente, nós ainda nem descobrimos a vela. Continuamos viciados em futebol, esse esporte primitivo, que se pratica com os pés, que são nossos membros inferiores. Então, se eu lhe patrocinasse pra você passar um ano no Brasil, percorrendo o país inteiro de norte a sul e de leste a oeste, o que exatamente você faria para convencer-nos de que uma regata, qualquer regata à vela é muito mais bela, inteligente e excitante que a melhor partida de futebol?

- François Gabart - Eu penso que não deveríamos dizer aos brasileiros que a vela é melhor que o futebol, mas sim que ela é diferente e igualmente importante. E porque a vela é bela, agradável e pode empolgar multidões? Porque além de ser um esporte aquático, a vela nos proporciona agradáveis aventuras. Quando embarcamos num veleiro, para realizarmos uma travessia oceânica, jamais sabemos o que vai acontecer na realidade, por mais que a viagem tenha sido bem planejada.  Eu penso que é esse aspecto aventureiro das navegações à vela que devemos enfatizar, pois nós humanos somos e sempre seremos fascinados por qualquer tipo de aventura. A aventura está no sangue dos humanos de ambos os sexos, de todas as idades e de todos os tempos e lugares. A paixão pela a aventura é portanto universal e constitui ótimo atrativo para conquistar novos adeptos para este excitante esporte, dublê de arte, que é VELEJAR.

Fernando Costa - Nós, humanos, navegamos em plena MAR, há 6.000 anos, sempre em grupo, sempre em bando, sempre em equipe. Isso até que um iluminado, Joshua Slocum, teve a brilhante e ousada ideia de realizar a primeira volta ao mundo em solitário. Isso a partir de 24 de abril de 1895. Ou seja, faz apenas 120 anos, que alguns super-meta-marinheiros cruzam os oceanos do planeta Terra, que deveria chamar-e ÁGUA, velejam sozinhos a bordo de seus veleiros, o que constitui a maneira mais ousada, mais moderna, mais sofisticada de navegar. François Gabart, você se dá conta que participando da Jacques Vabre, você acaba de regredir 60 séculos?

François Gabart - Não, não creio nessa regressão. Pra começo de conversa porque nossa tripulação é minimalista, apenas dois marinheiros que se revezam dia e noite e depois porque nossos veleiros navegam muito mais rápido, do que os barcos dos nossos ancestrais de há 6.000 anos. Um outro argumento interessante é que navegar em equipe é uma ótima maneira de se preparar para velejar em solitário. E agora uma grande novidade. Estamos planejando uma regata de volta ao mundo, em solitário a bordo de trimarãs da classe ULTIME.

Fernando Costa - Uaaauuuu!, isso é novo! Mon cher François Gabart, após haver vencido a regata das regatas, ao longo de 5.400 milhas, a bordo de um trimarã tão grande, tão rápido, tão sofisticado, quanto é o seu atual "Macif", que você ajudou a conceber e construir com seus conhecimentos de engenheiro, imagino que você se sinta muito orgulhoso por ter atingido a excelência, que é o objetivo maior do método científico. Ou será que você vai nos declarar que venceu por sorte esta hercúlea prova, após ter cometido um grande números de erros, que a* MAR e o VENTO perdoaram?

- François Gabart - Toda regata é vencida por aquele que comente menos erros e não por aquele que atinge a excelência. O veleiro perfeito não existe e menos ainda uma navegação perfeita, ao longo de uma regata oceânica. Nós do "Macif" vencemos esta atual edição da Jacques Vabre, porque cometemos uns dois ou três erros a menos que "Sodebo". Simples assim.

- Fernando Costa - Muito obrigado François Gabart por esta agradável e edificante entrevista. Boa sorte em seus futuros projetos e seja muito bem vindo ao Brasil.

Fernando Costa



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