quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A acidificação dos oceanos já levou à extinção de 50% dos recifes de corais do mundo. - 30 importantes matérias sobre o meio ambiente 29





Oceano - foto de Fernando Costa



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A acidificação dos oceanos já levou à extinção de 50% dos recifes de corais do mundo. 

Entrevista com Anna Carolina Lobo

Publicado em outubro 9, 2015 por Redação


“Os oceanos, para as nossas vidas, são tão ou mais importantes que as florestas terrestres: mais de 60% do oxigênio é produzido por algas marinhas, embora as pessoas associem a produção do oxigênio somente às florestas”, diz a coordenadora do
Programa Marinho do WWF.


“Quando se fazem políticas públicas no Brasil e se olha para a conservação de áreas terrestres ou marinhas, enxerga-se a conservação como um impeditivo ao desenvolvimento. (…) Quando discutimos especificamente a proteção de áreas marinhas, o Ministério de Minas e Energia alega que a proteção será um impeditivo à exploração de petróleo e gás, por exemplo, sendo que existem mecanismos e políticas desenvolvidas em vários locais do mundo que mostram que é possível conciliar a conservação e o desenvolvimento”.

As críticas são feitas por Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Marinho do WWF Brasil, em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone.

Segundo ela, “se o governo definir as áreas de exclusão de pesca em unidades de conservação, isso não significa que a pesca será proibida durante todo o tempo. Ao contrário, essas unidades de uso sustentável definem critérios e períodos para que a pesca ocorra, o que no longo prazo garantirá a abundância do estoque pesqueiro e a abundância da subsistência da própria economia”.

Na entrevista a seguir, Anna Carolina informa que desde 2011 o Ministério da Pesca parou de monitorar as atividades pesqueiras no país, “o que significa que não temos a menor ideia de quais espécies estão sendo exploradas, quais espécies estão sendo extintas, quais estão ameaçadas”, frisa. Depois da reforma ministerial, em que o Ministério da Pesca foi substituído por uma Secretaria no Ministério da Agricultura, Anna enfatiza que a retomada do monitoramento da costa brasileira será fundamental para ter acesso a informações sobre a atual situação dos recursos marinhos no país. “O governo precisa usar estudos que já existem e que apontam as áreas prioritárias para a conservação ao longo da costa. Então, é preciso usar esses estudos para avançar no sentido de criar novas áreas de preservação”, afirma. De acordo com ela, atualmente, apesar de existirem 62 Unidades de Conservação de áreas marinhas, elas representam menos de 2% de toda a biodiversidade marinha brasileira protegida.

Anna explica ainda quais são as principais causas que estão comprometendo a qualidade da flora e da fauna dos oceanos e afirma que as expectativas para o futuro não são animadoras. “A estimativa é de que até 2030, 90% dos recifes de corais do mundo colapsem, ou seja, daqui a 15 anos, e ninguém sabe qual será o impacto disso para as nossas vidas”, adverte.

Anna Carolina Lobo é pós-graduada em Gestão Ambiental e atualmente coordena o Programa Marinho do WWF.

Confira a entrevista.


Segundo informações da WWF, menos de 2% de toda a biodiversidade marinha brasileira está protegida. Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelo Brasil no sentido de avançar na conservação dos recursos marinhos?

Anna Carolina Lobo – A principal questão é o governo e os principais setores econômicos enxergarem na conservação marinha e costeira um potencial de impulsionar a economia. Quando se fazem políticas públicas no Brasil e se olha para a conservação de áreas terrestres ou marinhas, enxerga-se a conservação como um impeditivo ao desenvolvimento, e por isso faz muitos anos que o Brasil não cria novas áreas de proteção. Quando discutimos especificamente a proteção de áreas marinhas, o Ministério de Minas e Energia alega que a proteção será um impeditivo à exploração de petróleo e gás, por exemplo, sendo que existem mecanismos e políticas desenvolvidas em vários locais do mundo que mostram que é possível conciliar a conservação e o desenvolvimento.

O Brasil é responsável por 30% da produção de pescado mundial, e há uma estimativa de que aproximadamente um milhão de pessoas trabalhe com pesca profissional, o que dá uma média de 3,5 milhões de empregos. Uma boa parte desses pescadores profissionais são pescadores de pequena escala, o que significa que esse é o principal modo de subsistência de muitas famílias que vivem ao longo da costa, porque ¼ da população brasileira reside na costa brasileira.

Se o governo definir áreas de exclusão de pesca em unidades de conservação, isso não significa que a pesca será proibida durante todo o tempo. Ao contrário, essas unidades de uso sustentável definem critérios e períodos para que a pesca ocorra, o que a longo prazo garantirá a abundância do estoque pesqueiro e a abundância da subsistência da própria economia.

IHU On-Line – É possível manter a exploração de petróleo e a preservação dos recursos marinhos?

Anna Carolina Lobo – Sim, mas tudo precisa ser estabelecido a partir de critérios: como a exploração será feita, quais são os planos de exploração, em quais lugares serão feitas as explorações. Por meio de um zoneamento e uma análise de trade-off, é possível garantir o desenvolvimento e a preservação dos recursos marinhos. A Holanda, por exemplo, há quase um século garante o desenvolvimento com a conservação.

O WWF internacional lançou um estudo recente, intitulado Reviving the Ocean Economy (Revitalizar a economia dos oceanos), no qual observaram, por uma série de estudos, que o PIB torna a economia dos oceanos a sétima maior economia mundial. Ou seja, o PIB dos oceanos é equivalente a 2,5 trilhões de dólares, o que colocaria os oceanos acima da economia brasileira, que está em 8º lugar. Isso demonstra o quanto os oceanos podem contribuir para... LINK

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