terça-feira, 30 de setembro de 2014

O trimarã "Nativo" naufragou durante a Refeno! - NEWS do mês de setembro 10


Veleiro "Tangará II" de Lars Grael, durante a largada para a Refeno - 2014 - foto de Fernando Costa



- Muito boa noite de terça-feira, amigas e amigos leitores!

- Neste último post (de nº 100), do mês de setembro de 2014, desejo falar-lhes do grande prazer que tive,  assistindo à partida para a
26ª edição da Refeno (2014). 

- Se é emocionante a gente apreciar um único veleiro navegando com tudo em cima, imaginem que delícia avistarmos dez, vinte, trinta, cinquenta, sessenta veleiros velejando ao mesmo tempo.

- Pasmem, a maioria absoluta era de veleiros brasileiros.

- Pasmem again, alguns com várias mulheres fazendo parte da tripulação.

- Pasmem mais uma vez, o grande Lars Grael, que eu tive o imenso prazer de fotografar e cumprimentar, participou da regata, com mão firme na cana-do-leme do seu belo veleiro "Tangará II".

- Sim, sim, é tudo verdade, vi e fotografei dezenas de veleiros envergando a bandeira do Brasil, o país do futebol, esse perverso esporte violento e predador que caça, mata e devora todos os demais esportes em nosso país.

- Ainda sobre a Refeno, observei três coisas que me deixaram triste.

- Quais?

- Tomem nota pra não esquecer!

* Primeira - o avançado estágio de poluição das águas que circundam o arquipélago de Recife. 

** Segunda - o fato de nossa mais longa regata oceânica ser tão curtinha. Só trezentas milhas! Quando é que promoveremos, à semelhança da França, uma regata de volta ao mundo em solitário meus irmãos? Nunca? 

(Detalhe interessante: como o Brasil é um país continental, os veleiros que partiram, por exemplo, de Porto Alegre, tiveram de navegar nada menos que 2.000 milhas para chegar a Recife. Ou seja, pros gaúchos, a verdadeira regata foi percorrer 4.600 milhas por MAR e não por acaso, foi justamente um veleiro gaúcho o fita azul desta edição da Refeno. Qual? O ágil "Camiranga". Com qual tempo? 22:43:40. Entenda-se 22 horas 43 minutos e 40 segundos. Ainda sobre os veleiros que chegam a Recife vindos de longe pra participar da Refeno, é preciso que se diga que nem sempre a tripulação que participa da regata é a mesma que traz o veleiro até o ponto de partida. Eu diria, com perigo de errar, porque não pesquisei estatiscamente o assunto, que a maior parte das tripulações chega a Recife de avião, o que é de se lamentar. Diria também, que muitos veleiros chegam até Recife motorando e partem de Noronha também motorando, durante as viagens de vinda e volta a seus portos de origem. O que é de se lamentar mais ainda.)

*** Terceira - a maioria dos velejadores brasileiros ainda depende da realização de regatas pra velejar. Ou seja, poucos gostam, como eu, de "velejar por velejar". Ou seja, brasileiro só pensa em velejar se for pra disputar uma medalhinha de falso ouro, prata ou bronze. Sem esquecer, é claro, da feijoada de sempre, antes, durante e depois.

Nota infeliz - O trimarã "Nativo" naufragou durante a regata.

Nota feliz - Os seis tripulantes do "Nativo" foram resgatados, estão todos vivos e gozando de boa saúde.  Melhor sorte da próxima vez amigo Álvaro!

Fernando Costa


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